Comissão vinculada ao Ministério da Saúde veta Wegovy, Saxenda e similares no SUS

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), entidade vinculada ao Ministério da Saúde que avalia a inclusão de tratamentos no sistema público do país, se disse contrária à incorporação de medicações à base de semaglutida e liraglutida ao SUS. A decisão foi embasada no alto custo dos fármacos.

A medida afeta diretamente o fornecimento público de remédios como Wegovy e Saxenda, destinados, respectivamente, ao tratamento de obesidade grau II e III e diabete tipo 2, que só poderão ser acessados através da rede privada.

Justificativa foi o alto preço dos medicamentos

A Conitec explicou sua decisão através de, entre outros argumentos, cálculos de impacto financeiro da adoção da medida. Nesse sentido, relatórios do Ministério da Saúde apontam que o custo total da adoção do tratamento variaria de 4,1 a 6 bilhões de reais para os cofres públicos nos próximos 5 anos, levando em conta que certos casos exigem tratamento contínuo e cada caneta aplicadora tem o preço de mil reais. 

A Comissão também destacou que o SUS já oferece a cirurgia bariátrica como alternativa às canetas no combate à obesidade. 



Repórter Victória Melo, do SBT Brasil, traz informações sobre a não inclusão do Wegovy e Saxenda na lista de remédios oferecidos pelo SUS (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)


O Ministério da Saúde, por sua vez, declarou que “as decisões da Conitec sobre a incorporação de medicamentos no SUS consideram as melhores evidências científicas disponíveis, abrangendo eficácia, segurança e análises de custo-efetividade”. 

Para contornar a problemática do alto preço do tratamento, a pasta comandada por Alexandre Padilha aposta no desenvolvimento de uma caneta própria a partir de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica nacional EMS, anunciado há duas semanas. 

“Cabe ressaltar ainda a importância estratégica da ampliação da oferta de medicamentos genéricos. Essa medida estratégica estimula a concorrência, contribui para a redução de preços, amplia o acesso da população a tratamentos de qualidade e fortalece as condições para a incorporação de novas tecnologias ao SUS”, finalizou a nota do ministério.

Entidades do setor médico e farmacêutico criticam medida

A não incorporação de tais medicações ao SUS gerou a discordância de parte do setor médico, para o qual a decisão impede o acesso da população mais pobre a tratamentos considerados eficazes. 

Para a endocrinologista Maria Fernanda Barca, doutora pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), o efeito da liraglutida (Saxenda) e semaglutida (Wegovy) na saúde do paciente abrange muito mais do que a perda de peso.

“(Esses medicamentos) reduzem a inflamação dos tecidos e têm efeitos positivos em condições como gordura no fígado e até na cognição de pacientes com Alzheimer. Ignorar esses resultados pode gerar custos ainda maiores no futuro com complicações mais graves, como cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante”, alertou ela ao G1, nesta sexta-feira.

Já a empresa dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pela produção do Wegovy, disse que “compreende que o histórico subfinanciamento do SUS, somado ao contexto de desequilíbrio fiscal, restrições orçamentárias e obsolescência dos mecanismos de incorporação vigentes atualmente, impõem desafios para oferta de tecnologias inovadoras de saúde à população ao nível nacional, mesmo quando estas são evidentemente custo-efetivas”.

Nova técnica com placenta acelera tratamento de queimaduras no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) aprovou o uso da membrana amniótica como curativo biológico no tratamento de queimaduras. A técnica era autorizada apenas para fins de pesquisa. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias havia recomendado o uso e a decisão foi dada pelo órgão de saúde.

O material é parte da placenta que envolve o feto e pode ser aplicado em qualquer parte do corpo. Ele reduz infecções, alivia a dor e acelera a cicatrização.

Técnica promissora e de baixo custo

A membrana é retirada com autorização da mãe logo após o parto. O material é limpo, testado e armazenado em bancos de tecidos. A membrana é fina, flexível e resistente, mas adapta-se a áreas delicadas como mãos e rosto.

O curativo pode durar até 14 dias. Ele reduz a troca constante de materiais, o risco de infecções e o sofrimento dos pacientes. O uso da membrana quadruplica os estoques e deve ampliar o acesso ao tratamento, segundo médicos do Hospital das Clínicas de São Paulo.


SUS aprova uso de parte da placenta como curativo natural para queimaduras (Vídeo: reprodução/YouTube/@g1)

Ministério da Saúde deve regulamentar o uso

O Ministério da Saúde precisa definir as regras para que o uso comece oficialmente. A regulamentação vai indicar quem pode doar, quais hospitais e maternidades estarão aptos e quais pacientes terão acesso à técnica.

Leonardo da Silva foi um dos primeiros a usar o curativo e relatou melhora significativa. Ele ainda passará por nova cirurgia, mas afirma sentir menos dor e notar boa evolução. A expectativa é que o procedimento esteja disponível no SUS no início do próximo semestre.

Queimaduras por fogos e água-viva reforçam demanda por novos tratamentos

Casos como de um turista argentino que sofreu queimaduras de segundo grau após uma queima de fogos irregular durante passeio de barco ou da cantora Anitta que foi atingida por uma água-viva durante um mergulho, resultando em queimadura dolorosa e inflamação na pele ilustram a gravidade e diversidade das queimaduras tratadas nos serviços de saúde.