Senado aprova projeto de aumento das cotas raciais em concursos públicos

O Senado aprovou nesta quarta-feira (7) o projeto de lei que aumenta de 20% para 30% a reserva de cotas raciais em concursos públicos. A proposta também inclui indígenas e quilombolas, além de pretos e pardos, como beneficiários da política afirmativa. O texto segue agora para sanção ou veto do presidente Lula.

O texto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), ocupa o lugar da antiga Lei de Cotas no Serviço Público, de 2014, que perdeu validade em 2024. A nova proposta vale para órgãos da administração pública direta, autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União, incluindo também processos seletivos temporários, não só os tradicionais.

Validade prorrogada e critério de verificação retomado

O relator do projeto de lei no Senado, senador Humberto Costa (PT-PE), descartou alterações feitas pela Câmara dos Deputados no fim de 2024. Um dos principais pontos retomados por ele foi o prazo de validade: dez anos, em vez dos cinco propostos pela Câmara, ou os 25 anos do projeto original.

Segundo o relatório do senador:

O prazo de dez anos para a revisão da política de cotas em concursos públicos é fundamental para assegurar uma avaliação realista e justa de sua eficácia. Muitas carreiras no setor público passaram quase uma década sem novos concursos e, por isso, sequer foi possível aplicar a última lei de cotas.”

Humberto Costa

Ampliação de cotas raciais em concursos públicos (Reprodução/YouTube/TV Senado)

Outro ponto importante é o retorno da exigência de bancas de heteroidentificação para confirmação da autodeclaração racial dos candidatos — mecanismo que havia sido retirado pela Câmara.

Sem esse mecanismo de verificação, há um risco maior de fraudes, comprometendo a legitimidade e a confiança nos processos seletivos. Isso compromete o propósito das cotas étnico-raciais, já que vagas destinadas a grupos historicamente vulnerabilizados podem ser ocupadas por quem não pertence a esses grupos”.

Medida prioritária para o governo

O senador afirma que a medida de confirmação complementar existe para fortalecer a credibilidade da ação afirmativa de inclusão social e reparação histórica. As ministras Anielle Franco (Igualdade Racial) e Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos) consideram a matéria uma das prioridades do governo federal.

Ex-BBB Matteus volta a comentar sobre acusação de fraude no sistema de cotas

No último sábado (15), durante sua participação no 8º Seminário de Benzedores em Alegrete (RS), o ex-BBB Matteus falou com um portal de notícias local, Portal do Alegrete, sobre a acusação de fraude no sistema de cotas.

Matteus comentou que não está sendo fácil lidar com tudo o que está vivendo, mencionando que alguns acontecimentos foram causados por pessoas mal-intencionadas. Ele agradeceu do fundo do coração por todo o apoio que está recebendo.


Matteus comenta polêmica durante evento em Alegrete (Reprodução/Instagram/@portalalegretetudo)


Entenda a polêmica

Após uma denúncia ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), Matteus foi acusado de fraudar o sistema de cotas do vestibular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR) para o curso de Engenharia Agrícola em 2014. A denúncia foi feita pelo ativista Antônio Isuperio, atuante na instituição internacional de direitos humanos, acusando-o de falsidade ideológica e pedindo sua prisão. Segundo a denúncia, o ex-BBB teria se autodeclarado preto, e na época da inscrição não havia uma comissão de heteroidentificação.


Matteus se pronunciou pelo seu Instagram na sexta-feira, 14. (Foto: reprodução/Instagram)

Na última sexta-feira (14), Matteus se pronunciou nos stories do seu perfil no Instagram, afirmando que a inscrição foi feita por um terceiro que cometeu um erro ao selecionar a modalidade de cota racial, sem seu consentimento. Ele ressaltou que entende a importância da política de cotas no Brasil e lamenta qualquer impressão de que tentou se beneficiar indevidamente, algo que nunca foi sua intenção.

A importância das cotas e a punição para fraudes

Fraudar cota racial no Brasil é crime, tipificado como falsidade ideológica no Art. 299 do Código Penal. A política de cotas visa reparar desigualdades históricas e promover a inclusão de minorias no ensino superior e em concursos públicos. A fraude compromete a justiça e a equidade do sistema, prejudicando aqueles que realmente necessitam dessa ação afirmativa. Além de violar princípios éticos e morais, o infrator pode ser punido com reclusão de um a cinco anos, além de possíveis sanções administrativas e a anulação de benefícios obtidos ilegalmente.

MPF processa União por falta de cotas para pessoas trans no “Enem dos Concursos”

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública exigindo que a União pague uma indenização por danos morais no valor de R$ 5 milhões devido à ausência de reserva de vagas para pessoas transexuais e travestis no chamado “Enem dos concursos”. A ação refere-se especificamente ao cargo de auditor fiscal do trabalho, que ostenta o maior salário (R$ 22,9 mil) e o maior número de vagas no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), preenchendo 6.640 posições no serviço público.

Descumprimento de promessas ministeriais e justificativas contestadas

O Ministério Público Federal alega que tanto o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haviam declarado publicamente que implementariam cotas para pessoas trans no “Enem dos concursos”. No entanto, os editais foram divulgados sem essa reserva de vagas, levando o MPF a entrar com a ação.

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), responsável pela organização do concurso, afirmou que segue as cotas previstas em lei e que a União ainda não foi intimada sobre a ação. O MGI justificou a ausência das cotas alegando que, ao decidir participar do concurso unificado, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) teve que aceitar as regras comuns a todos os órgãos, que não contemplavam as cotas para pessoas trans. O MPF contesta essa posição, argumentando que houve quebra da expectativa de uma parcela da população que se beneficiaria dessa reserva de vagas.


Entenda o que é o Concurso Unificado e como participar (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Pedido de condenação e medidas compensatórias

O processo movido pelo MPF busca uma condenação por danos morais coletivos e solicita que a União destine R$ 5 milhões para a capacitação de gestores públicos, campanhas educativas sobre o mercado de trabalho para pessoas trans e cursos preparatórios para concursos voltados a esse público.

O “Enem dos concursos” centraliza, este ano, 6.640 vagas em 21 órgãos públicos, utilizando uma única prova para a seleção de servidores federais. As inscrições estão abertas até 9 de fevereiro, e as provas serão realizadas em maio deste ano em 220 cidades brasileiras. O concurso reserva 5% das vagas para pessoas com deficiência (PCDs), 20% para pessoas negras e, nos cargos da Funai, 30% para indígenas.