Presidente Daniel Noboa questiona primeiro turno das eleições no Equador

O presidente do Equador, Daniel Noboa, lançou dúvidas sobre o resultado da recente eleição presidencial no país, alegando possíveis “irregularidades” na contagem dos votos no primeiro turno.

Na terça-feira (11), em entrevista à Rádio Centro do Equador, Noboa manifestou ceticismo quanto aos números divulgados, embora não tenha apresentado provas concretas.

“Houve muitas irregularidades e estamos contando e ainda verificando certas províncias onde os resultados não batem”

Daniel Noboa


Trecho da entrevista do atual Presidente do Equador (Vídeo: Reprodução/Youtube/CLARIN)

Reação internacional

Entretanto, observadores eleitorais internacionais rapidamente refutaram as alegações, afirmando que não há indícios de fraudes ou discrepâncias na contagem dos votos.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou uma missão para monitorar as eleições, e seus dados confirmaram os resultados oficiais dentro da margem de erro esperada.

Outro grupo de transparência eleitoral, enviado pela União Europeia, também se manifestou sobre o caso.

“Não temos um único elemento objetivo que indique qualquer tipo de fraude”, afirmou Gabriel Mato, membro do Parlamento Europeu envolvido no acompanhamento das eleições no Equador.

Disputa presidencial

O Equador definirá seu próximo presidente em um segundo turno entre Daniel Noboa, atual mandatário de viés conservador, e Luisa González, advogada ligada à esquerda em abril deste ano. Ambos disputam um mandato completo de quatro anos.


Adeptos de Noboa em Guayaquil (Reprodução/Getty Images embed/Franklin Jacome)

A segurança pública é um dos temas centrais da campanha. O país enfrenta um aumento significativo da violência, impulsionado pelo tráfico de cocaína produzida na Colômbia e no Peru.

O impacto do crime organizado na vida cotidiana dos equatorianos tem sido um fator determinante para os eleitores, que decidirão entre dar continuidade à gestão de Noboa ou apostar em uma mudança com González.

Governo Noboa

O curto período de Noboa no poder tem sido marcado por críticas de especialistas, ONGs e opositores, que o acusam de desrespeitar regras democráticas. Além disso, o presidente equatoriano conta com apoio internacional de figuras como Donald Trump.

“Noboa não segue regras internacionais, nem regras constitucionais, nem regras eleitorais”, afirma Manuel Macías Balda, chefe do departamento de ciência política da Universidade de Guayaquil.

Noboa já derrotou González anteriormente no segundo turno das eleições de outubro de 2023, após o então presidente Guillermo Lasso dissolver a Assembleia Nacional, encurtando seu próprio mandato e antecipando novas eleições.

Presidente do Equador declara suspensão de atividades profissionais após crise elétrica

Por meio de um decreto executivo, o governo equatoriano informou que as atividades profissionais estarão suspensas nesta quinta-feira (18) e na sexta-feira (19). Esta paralisação se deve ao corte de fornecimento de energia e ao estado de emergência do setor energético. O presidente do país atribuiu este acontecimento à sabotagem.

Investigação do caso e manutenção

De acordo com o governo, serão feitas manutenções nos setores elétricos e por isso, haverá racionamento de energia nos horários programados pelo Ministério de energia.

O governo comunicou também que após investigação preliminar feita pelo Ministério da Energia, conclui que funcionários em cargos altos na empresa de energia, incluindo Andrea Arrobo, que foi demitida nesta terça-feira (16) do cargo de ministro, teriam ocultado informações importantes sobre o funcionamento do sistema energético nacional. 

O presidente fez a seguinte declaração sobre o ocorrido:

“Os cortes de energia não responderam apenas às circunstâncias ambientais, mas também a atos de corrupção e negligência sem precedentes”.

A presidência informou também que a diversas centrais de hidrelétricas do país estão em más condições e possui um déficit histórico na vazão da central Coco Codo Sinclair.

O governo comentou sobre este déficit histórico, afirmando o seguinte:

“As análises do Cenace (operador elétrico nacional) indicam que esta situação supera os recordes históricos; e alertou que o déficit energético que o país enfrentaria a partir de Abril seria entre 22 e 27 Gigawatt-hora (GWh) por dia”

Sabotadores foram denunciados pelo governo 

De acordo com a presidência, o governo apresentou uma queixa por paralisação do serviço público, apontando 22 suspeitos de sabotagem na energia elétrica do país. 

“O governo reitera o seu compromisso de combater a corrupção de frente, especialmente no setor energético, que, como é do conhecimento público, tem sido utilizado por responsáveis ​​de administrações anteriores para obter benefícios pessoais”, comunicou o governo 

Na terça-feira (16), Daniel Noboa fez uma denúncia sobre uma alegada interferência no sistema de energia, apontando que essa ação ocorreu em consonância com a proximidade da consulta popular e do referendo agendado para o próximo domingo (21). Ele busca obter respaldo para suas propostas de reforma legal, visando revisar o papel das Forças Armadas na segurança interna do país.

“Não vamos permitir que isso aconteça e, na última semana, eles ficaram infelizes antes da consulta popular porque sabem que vão perder. Esta investigação não vai parar. Já apresentamos ao Ministério Público e o Centro de Inteligência Estratégica (CIES) já está trabalhando nisso. Qualquer pessoa envolvida será considerada um traidor do país, mas uma ameaça à segurança nacional”, afirmou o presidente na terça-feira. 


Daniel Noboa fazendo pronunciamento em janeiro de 2024 (Foto: reprodução/X/@DanielNoboaOk)

Os cidadãos estão preocupados com a falta de energia, principalmente nas empresas e nas ruas. 

Em fevereiro deste ano, o governo havia encerrado o racionamento de energia, afirmando que a estação de seca havia passado, porém os apagões voltaram em diversas partes do país.