Pesquisa do Datafolha revela que 39% dos brasileiros se sentem inseguros nas ruas à noite 

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (28) mostra que a sensação de insegurança nas ruas entre os brasileiros tem aumentado. Conforme o Datafolha, quase 40% das pessoas entrevistadas dizem sentir muita insegurança nas ruas após escurecer. O levantamento do Datafolha ouviu 2.002 pessoas maiores de 16 anos, entre os dias 19 e 20 de março. 

Segurança nas cidades brasileiras 

Segundo a pesquisa Datafolha, 26% dizem sentir pouco de insegurança e 21% se sentem “mais ou menos seguras”, dando uma queda considerável em relação à última pesquisa que marcava 26%. Os que se sentem seguros são 14%, número que se mantém estável desde março de 2022. 


Imagem de Porto Alegre, representando a região Sul do Brasil, que tem o menor percentual de insegurança, registrando 32% (Foto: reprodução/ Paulo Hoeper/ Via Getty Images – Embed)


No Sudeste, temos o maior percentual de insegurança, chega a 45% o número de pessoas que se sentem muito inseguros pelas ruas. Em relação a gêneros, a diferença em relação à insegurança é 12%. Apenas 33% dos homens dizem se sentir inseguros nas ruas da sua cidade, já as mulheres chegam a 45%. 

Em termos de cor, os pretos são os que apresentam a maior taxa de percepção de insegurança, com 42%. Em seguida aparecem os brancos, com 40%, e os pardos, com 38%. 

Interior e metrópoles 

O Datafolha analisou também a percepção de insegurança nas cidades grandes é muito superior às regiões do interior. 52% dos entrevistados dizem se sentir muito inseguro, em contrapartida, no interior, 31% não têm sensação de segurança nas ruas. Nas metrópoles, apenas 7% se sentem seguros, no interior o percentual é mais que o dobro chegando a 19%.  

Situação econômica 

A pesquisa também detalha que a sensação de segurança para os brasileiros nas ruas está diretamente ligada a situação financeira. Entre as pessoas que consideram uma melhora na situação econômica, 27% se sentem inseguros nas ruas. Em compensação, para aqueles que tiveram uma piora na condição financeira o percentual passa da metade, chegando a 53% no grau de insegurança contra apenas 10% que se sentem seguros pela cidade após anoitecer. A margem de erro é de dois pontos percentuais, podendo variar para mais ou para menos. 

Alunos do Ensino Médio querem escolher o que estudar, aponta pesquisa do Datafolha

A ONG Todos Pela Educação publicou os resultados de uma pesquisa encomendada ao Datafolha, que aponta o desejo de estudantes do Novo Ensino Médio por autonomia no currículo, o que significa ter a possibilidade de escolher o que estudar.

A maioria dos estudantes ouvidos, entre 14 e 16 anos, não concorda com o modelo antigo do Ensino Médio, vigente até 2017, quando todos faziam as mesmas disciplinas.

Estudantes desejam currículo ‘flexível’

Segundo o levantamento mostrado no site do Todos pela Educação, 65% dos entrevistados desejam um currículo “flexível”. Isso, para eles, significa poder se aprofundar em temas de seu interesse, alinhados a seus projetos de vida.

Nesse grupo, 35% preferem uma escola que ofereça, em parte do tempo, as mesmas disciplinas para todos os alunos e, em outra, a possibilidade de aprofundar conhecimentos em disciplinas escolhidas por eles.

Outros 30% optariam por uma escola que combine uma parte com as mesmas disciplinas para todos os alunos e outra com a possibilidade de fazer um curso técnico profissional. E 35% defendem a manutenção do modelo pré-reforma do ensino médio: uma escola com as mesmas disciplinas para todos os alunos durante toda a etapa.


O novo ensino médio foi aprovado em 2017 e começou a ser implementado nas escolas em 2023 (Foto: reprodução/Senado Federal) 

Novo Ensino Médio sofre críticas

O formato do Novo Ensino Médio tem sido criticado por vários setores, desde especialistas e pesquisadores, a professores e estudantes. Alguns pedem sua revogação completa, outros grupos sugerem que a proposta deveria ser, pelo menos, ajustada.

Entre as críticas, está justamente o fato de que a parte flexível do currículo se afastou do aprofundamento das matérias que são cobradas na prova do Enem, que é realizada no terceiro ano do Ensino Médio.

Curso técnico sem perder foco no Enem

O Datafolha também perguntou para os jovens que mostraram interesse em fazer um curso técnico integrado ao ensino médio se eles desistiriam dessa opção, caso tivessem menos aulas de disciplinas que caem nas provas do Enem e de vestibulares. Para essa questão, 77% indicaram que ainda escolheriam fazer o técnico, e 21% disseram que abririam mão. Esses alunos também demonstraram, segundo a pesquisa, disposição em ficar mais horas na escola para fazer o curso técnico.