Descontrole fiscal: governo central bate pior déficit de setembro desde 2020

O governo central terminou setembro no vermelho. O Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira (30) que o déficit primário chegou a R$ 14,497 bilhões, o pior resultado para o mês desde 2020. O dado indica que os gastos permanecem em alta, enquanto as receitas têm avanço reduzido.

Mesmo com o rombo vindo um pouco menor do que o previsto pelo mercado, o cenário apresenta desequilíbrio fiscal. As despesas aumentaram quase 6%, enquanto a arrecadação subiu apenas 0,6%. O ritmo de gastos permanece acima do crescimento da arrecadação.

Gastos fora de controle

Os números mostram aumento nas despesas discricionárias, aquelas que dependem da decisão direta do governo. Elas mais do que dobraram em relação a setembro do ano passado. O Ministério da Saúde respondeu por boa parte desse crescimento, com mais de R$ 10 bilhões em desembolsos, elevando o total de gastos para R$ 186,8 bilhões no mês, refletindo repasses principalmente a programas de saúde e ações emergenciais.


Dívida pública segue crescendo (Vídeo: reprodução/YouTube/Jornal da Record)


Na outra ponta, a arrecadação apresentou variações ao longo do período. O governo arrecadou mais com IOF e Previdência, mas houve queda na receita do IPI. O saldo final ficou negativo, e o cumprimento das metas fiscais segue condicionado ao desempenho das receitas e despesas, que pode sofrer impacto de fatores econômicos e conjunturais.

Tolerância ao rombo e confiança em queda

O discurso oficial mantém o tom de cautela. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que não há espaço para cortes adicionais e que o resultado está “dentro da margem de tolerância”. A meta de déficit zero em 2025 continua valendo, com folga de até 0,25% do PIB, equivalente à cerca de R$ 31 bilhões, permitindo algum ajuste futuro conforme o comportamento das receitas e despesas ao longo do ano.

Desde 2022, as metas são ajustadas periodicamente, considerando variações na arrecadação e nos gastos. O Tribunal de Contas da União autorizou que a meta seja cumprida pelo piso, e não pelo centro, ampliando a margem de manobra do governo e oferecendo maior flexibilidade na execução orçamentária.

Flamengo divulga análise financeira do segundo trimestre de 2024

O Flamengo apresentou seu relatório financeiro referente ao segundo trimestre de 2024, revelando um déficit de R$ 79,5 milhões em relação ao orçamento planejado até 30 de junho. Apesar do déficit, o clube manteve R$ 209,4 milhões em caixa, que inclui valores em conta corrente e investimentos em renda fixa.

Investimentos e gastos

Após o investimento de R$ 138,2 milhões na compra do terreno do Gasômetro, destinado à construção de seu novo estádio, o Flamengo ainda conta com R$ 71,2 milhões disponíveis. O valor gasto representa 66% de um montante em caixa.

O balancete financeiro do Flamengo para o primeiro trimestre de 2024 também mostrou um déficit de R$ 63 milhões, que aumentou para R$ 79,5 milhões no segundo trimestre. A diretoria do clube, liderada pelo presidente Rodolfo Landim, classificou o resultado negativo do primeiro semestre como uma situação esperada e dentro do previsto.

No relatório financeiro, o Flamengo ressaltou que, ao final de junho, seu caixa atingiu R$ 209,4 milhões, um aumento de R$ 74 milhões em comparação com o primeiro trimestre. Isso ocorreu mesmo após o clube ter desembolsado R$ 191 milhões em contratações no início do ano, incluindo luvas e taxas de intermediação. Além disso, o Flamengo informou ter liquidado todos os empréstimo bancários e não possui passivos onerosos registrados em seu balanço patrimonial.


Projeto do novo estádio do Flamengo (Foto: reprodução/Divulgação/Flamengo)

Compromissos financeiros

O Flamengo enfrenta compromissos financeiros de R$ 271,7 milhões referentes à aquisição de jogadores, com R$ 177,8 milhões vencendo no curto prazo (nos próximos 12 meses a partir de julho de 2024) e R$ 93,98 milhões a serem pagos  a partir de julho de 2025. Esses valores excedem os R$ 208,8 milhões que o clube espera receber de vendas realizadas, dos quais R$ 165,2 milhões são a curto prazo e R$ 43, 7 milhões a longo prazo.

Apesar dos compromissos financeiros, a diretoria do Flamengo afirma que, devido à robusta capacidade de geração de caixa operacional do clube e aos prazos prolongados para os pagamentos, a situação financeira apresentada no segundo trimestre de 2024 não exige a venda de jogadores em valores equivalentes nem a contratação de novos empréstimos.

Em julho, após o fechamento do balanço financeiro, o Flamengo recebeu aproximadamente R$ 84 milhões. Esse valor inclui parcelas de vendas de Matheus França (Crystal Palace, da Inglaterra), João Gomes (Wolverhampton, da Inglaterra) e André (Estrela da Amadora, de Portugal). Além de uma porcentagem da negociação do zagueiro Otávio, do Famalicão, para o Porto.