Versace em Londres: exposição celebra o legado do icônico estilista italiano

Quem estiver em Londres nos próximos meses terá a oportunidade de mergulhar na genialidade de Gianni Versace. Até 1º de Março a Arches London Bridge estará com a mostra de mais de 450 peças usadas por grandes ícones da moda nos anos 80 e 90, como Naomi Campbell, Kate Moss, Elton John e a eterna princesa Diana. Essa é a maior exposição dedicada ao estilista italiano no Reino Unido e os ingressos já estão disponíveis no site oficial do evento.

Legado na moda

A exposição celebra a influência de Versace na cultura visual e no empoderamento feminino, além de reviver os desfiles históricos da marca. Muitas das peças foram usadas por grandes nomes dos 80 e 90 em capas de revista e tapetes vermelhos, como o tailleur rosa-claro que Lady Di usou em sua primeira aparição pública após o divórcio com o príncipe Charles.


Diana usando Versace em 1996 (Foto: reprodução/ Tim Graham/ Getty Imagens Embed)


Multifacetado, profundo e ainda muito presente é o legado que Gianni Versace deixou no mundo da moda, ele criou um estilo marcante e ousado, que desafiava padrões e celebrava o corpo com sensualidade, usava estampas vibrantes, cortes justos, tecidos metálicos e ornamentos como alfinetes dourados, que até hoje é uma das marcas registradas da grife.

Ele introduziu uma moda de luxo que era ao mesmo tempo provocadora e glamurosa, sua visão era que a moda é uma forma de expressão poderosa, libertadora e ousada. Versace não apenas vestiu corpos, ele vestiu atitudes. 

História da grife italiana

Gianni Versace fundou a grife em 1978 em Milão Itália, com o apoio de seus irmãos Donatella e Santo, a primeira coleção feminina teve sua estréia no Museu de Arte Contemporânea de Milão, algo que rapidamente chamou a atenção da mídia e da elite da moda. O estilo ousado, sensual e colorido de Versace, combinava luxo e provocação como ninguém, com muita inspiração na cultura grego-romana (inclusive a logo da marca é a cabeça de Medusa), o estilista tinha olhar para moda que celebrava o corpo e a atitude.


Nicki Minaj usando Versace para o Grammy 2012 (Foto: Reprodução/ Jon Kopaloff/ Getty Imagens Embed)


Nos anos 1980, a marca teve sua expansão com linhas masculinas, acessórios, perfumes, alta-costura e até decoração. Já nos anos 90, a marca se consolidou no topo do mundo da moda internacional, com presença constante em tapetes vermelhos e capas de revista, Versace foi pioneiro em unir moda e celebridades, além de lançar as supermodelos como Naomi Campbell, Cindy Crawford e Claudia Schiffer. Seus desfiles eram verdadeiros shows que revolucionaram o mundo da moda, o estilista parecia antecipar o que hoje chamamos de cultura fashion-pop 

Mas apesar de toda fama e reconhecimento que Gianni Versace ganhou, aos 50 anos, ele foi assassinado na frente de sua mansão em Miami, sua morte chocou o mundo da moda e após isso para não deixar o legado de Versace morrer junto com ele, sua irmã Donatella, assumiu a direção criativa da grife. 

Donatella conseguiu manter a estética ousada de Gianni, apesar da grife ter sofridos altos e baixos ao longo dos anos 2000, ela conseguiu se reinventar e trazer a marca ao topo novamente, até que em 2018, foi vendida ao grupo norte-americano capri-Holdings, por cerca de U$ 2,1 Bilhões de dólares, Donatella continuou como diretora criativa da marca até se aposentar oficialmente em 13 de março de 2025, assumindo agora apenas funções filantrópicas e representativas. 

Seja como for, o legado de Gianni Versace ultrapassa o tempo, tornando-se  símbolo de uma moda que não pede desculpas por brilhar, que celebrou a individualidade, a ousadia, e o corpo em todas as suas formas. 

Donatella se despede da Versace com supermodelos em nova campanha

Na manhã desta quarta-feira (3), em Milão, na Itália, a última campanha de Donatella Versace como diretora criativa da Versace foi revelada nas redes sociais da grife. A ação foi criada como uma homenagem ao legado da estilista, que encerra seu ciclo após a aquisição da marca pelo Grupo Prada. Supermodelos históricas foram escaladas para representar esse marco: Claudia Schiffer, Kate Moss, Amber Valletta e Natasha Poly, entre outras.

A campanha foi produzida para simbolizar o encerramento de uma era iniciada com Gianni Versace e continuada por sua irmã Donatella, após o assassinato do estilista em 1997. Além de modelos que marcaram a história da moda nos anos 1990, também participaram nomes contemporâneos como Liu Wen, Anok Yai e Mica Argañaraz. A ideia foi mesclar passado e presente, reforçando o DNA da Versace: ousadia, sensualidade e poder feminino.

Mudança de comando marca novo ciclo da Versace

A Versace foi vendida ao Grupo Prada por US$ 1,4 bilhão. Com a transição, o estilista Dario Vitale foi anunciado como o novo diretor criativo da grife. Embora o futuro da marca esteja sendo redesenhado, a última campanha assinada por Donatella Versace foi interpretada como um encerramento emocional e simbólico.


Versace Outono-Inverno 2025 — Uma celebração de liberdade, força e poder (Foto: reprodução/Instagram/@versace)


Desde que assumiu a direção criativa da marca, Donatella Versace foi responsável por manter vivo o espírito ousado criado por seu irmão, modernizando suas criações e fortalecendo o nome da Versace no mercado global. A palavra-chave “Donatella Versace” tem sido constantemente mencionada nas redes desde a divulgação da campanha.

Supermodelos reforçam o legado da marca italiana

Ao lado de Gianni, muitas das modelos escaladas para essa campanha ajudaram a consolidar o conceito de “supermodelos” que dominou a cultura fashion dos anos 90. A decisão de convocá-las para esta despedida foi percebida como um gesto de respeito às origens e à história da casa italiana.

Apesar da mudança de direção, o nome de Donatella Versace continua sendo associado ao estilo marcante da grife e ao papel fundamental que desempenhou na construção de sua identidade visual nas últimas décadas.

Prada compra Versace e inicia nova era para a grife italiana

Em meio a uma onda de especulações, o Grupo Prada confirmou oficialmente nesta quinta-feira (10), a aquisição da Versace. A emblemática casa de moda italiana, até então sob controle da norte-americana Capri Holdings, foi comprada por € 1,25 bilhão. A transação marca um importante movimento no cenário do luxo europeu.

Patrizio Bertelli, presidente e CEO do grupo, declara “Estamos muito satisfeitos em receber a Versace no Grupo Prada e construir um novo capítulo para uma marca com a qual compartilhamos um forte compromisso com a criatividade, artesanato e herança”. O executivo ainda destacou o objetivo de “celebrar e reinterpretar a estética ousada e atemporal da Versace”, agora com suporte estrutural e financeiro mais sólido.

Reestruturação e mudança de comando criativo

A entrada da Versace no Grupo Prada acontece em um momento de renovação criativa. Em março, a grife anunciou a saída de Donatella Versace da direção criativa após quase três décadas à frente da marca. Ela assume agora o cargo simbólico de embaixadora-chefe. Em seu lugar, entra Dario Vitale, ex-Miu Miu.


Donatella Versace (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Taylor Hill)


Expansão e reposicionamento global

A compra da Versace representa mais que uma jogada comercial, ela demonstra uma mudança de postura. O grupo Prada volta a apostar em crescimento agressivo, diversificação e fortalecimento de marca. A Versace, por sua vez, pode viver uma nova fase sob direção italiana, alinhando tradição e inovação com a força de um grupo com mais experiencia.

A transação ainda será finalizada nos próximos meses, mas já coloca a moda italiana em um novo momento histórico.

Loja Versace em Fifth Avenue in Midtown Manhattan, New York City
(Foto: reprodução/Robert Alexander /Getty Images Embed)


Ao reativar uma das grifes mais icônicas do país para controle nacional, a Prada fortalece sua posição enquanto protagonista da moda europeia, reacendendo um sentimento de identidade cultural e criativa. A chegada de Dario Vitale, com bagagem sólida e visão contemporânea, somada ao papel institucional de Donatella, aponta para uma fase de renovação que respeita o legado sem abrir mão da inovação.