O Broadcast, podcast apresentado pelo jornal Estadão, discutiu nas últimas semanas a desvalorização que o dólar está passando diante da economia global, que tem se intensificado devido aos processos políticos anteriores e as medidas tarifárias aplicadas pelo presidente Donald Trump.
O Podcast questionou se o reinado que a moeda ocupava no mercado ainda se mantém e o que prejudicou a posição do dólar como líder do mercado.
Decisões políticas aceleraram o processo
O reinado do dólar como principal moeda global vem sendo prejudicado desde a queda do Império Britânico, sendo resultado da queda das âncoras estruturais que davam suporte para a hegemonia da divisa. Por outro lado, a trajetória de fiscalização nos EUA nos últimos anos fez com que o dólar mantivesse sua posição, obtendo índices estáveis de inflação.
No entanto, algumas decisões políticas contribuíram para a desvalorização do dólar, como Washington usando a moeda como instrumento para punir transgressões na área geopolítica, com sanções a Rússia e China, durante o governo de Joe Biden.
Dólares em espécie (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)
Além disso, o estrategista global de câmbio e juros do australiano Macquarie Group, Thierry Wizman, afirmou que o futuro da globalização, que teve o dólar como um indiscutível protagonista, está sendo ameaçado por conta da ofensiva tarifária aplicada por Trump. Wizman argumenta que o uso do dólar tende a diminuir conforme os EUA se afastam da globalização e não mais considerados os precursores desse sistema.
A queda do dólar durante o primeiro semestre fez os questionamentos sobre o assunto se intensificarem. No entanto, conforme informou o estrategista – chefe de investimento na América Latina da BlackRock, Axel Christensen, o dólar ainda é considerado soberano, e mesmo que haja um risco dentro de sua gestão, ainda é cedo para questionar se o papel que a moeda exerce no sistema monetário internacional não é mais eficiente como antes.
Especialistas estudam medidas futuras
Ao mesmo tempo, em que o dólar enfrenta um momento instável, alguns economistas tem avaliado algumas medidas, como a ação dos investidores em cobrar um preço alto para pagar a dívida americana pelos Treasuries.
Pensando em outra alternativa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, considera que é um bom momento para que o euro seja um protagonista da reserva global, defendendo a abertura comercial em oposição com o protecionismo do presidente Trump. Mas algumas medidas impedem que os planos avancem, como as lacunas no mercado da União Europeia, que ainda dificultam o progresso da divisa europeia, e o bloqueio do yuan chinês causado pelo fechamento da China.
Mesmo com algumas medidas sendo estudadas, o ex-presidente do Fed de St. Louis James Bullard afirma que a decisão final sobre a designação da reserva global vai ser do mercado, pois se trata de uma decisão complexa, que deve ser analisada por milhões de pessoas no mundo, com muitos argumentos sobre qual moeda deve ser usada, e reforça que o dólar é considerado a moeda mais líquida para uso em transações internacionais atualmente.
