Carla Zambelli mantém atividade no Instagram após ter contas suspensas por Moraes

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), foragida da Justiça brasileira, reapareceu nas redes sociais na semana passada, 10 de julho. O retorno público se deu por meio de um novo perfil após o Superior Tribunal Federal determinar que as redes oficiais de Zambelli fossem retiradas do ar.

Página pessoal veicula o discurso de Zambelli sobre os fatos recentes da história política brasileira

Criada em 5 de maio deste ano, a nova conta de Carla Zambelli teve seu primeiro post em 13 de junho, cerca de 10 dias após a cassação do perfil original da ex-deputada. Desde então, Zambelli mantém um contato contínuo com seus apoiadores através da plataforma. Seu perfil conta com mais de 4.800 seguidores.

Ao longo de 21 publicações, a figura pública lamenta comemorar o aniversário longe da família devido a supostas arbitrariedades do Judiciário brasileiro e recebe o apoio de colegas como o Secretário de Segurança e Defesa Civil de Bragança Paulista, Coronel Américo, e o deputado federal Helio Lopes. 


Carla Zambelli se comunica com eleitores pelo Instagram em vídeo publicado em 10 de julho (Vídeo: reprodução/Instagram/@carlazambellireserva)


No vídeo publicado em 10 de julho, Zambelli expõe sua versão sobre o motivo das taxas que o presidente americano, Donald Trump, impôs ao Brasil, atribuindo-as a uma represália frente a um suposto excesso do ministro Alexandre de Moraes.

Carla Zambelli estaria na Itália

A ex-deputada deixou o Brasil após ser condenada a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), juntamente do hacker Walter Delgatti Neto. 

Com a decretação, por Alexandre de Moraes, de sua prisão preventiva, sob risco de continuidade delitiva, Zambelli, que já estava fora do país, entrou na lista de difusão vermelha da Interpol.

Embora o Estado brasileiro ainda não tenha identificado o exato paradeiro de Zambelli, estima-se que a ex-deputada passou por Buenos Aires (Argentina) e Fort Lauderdale (Estados Unidos) antes de embarcar definitivamente para Roma (Itália), onde, é pensado, permanece até hoje.

Manifestações contra a extrema-direita na França mobilizam milhares de pessoas

Milhares de pessoas protestaram neste sábado (22), em Paris e em outras cidades da França, contra o racismo e a ascensão da extrema-direita. Segundo o Ministério do Interior, foram contabilizados cerca de 91 mil manifestantes que agitaram bandeiras da Palestina e cartazes contra o governo de Donald Trump nos Estados Unidos. 


Contexto do avanço da extrema-direita na França (Vídeo: Reprodução/YouTube/G1 Globo)

As manifestações acontecem no contexto da guinada para a direita na política francesa. Os protestos ocorreram como uma resposta às promessas do governo em endurecer as políticas migratórias e aumentar o controle nas fronteiras. 

Protestos nas diferentes cidades da França 

Em Paris, capital do país, foram registradas 21 mil pessoas e as manifestações resultaram em momentos de confronto entre manifestantes e agentes das forças de segurança. 

Em Marselha, cidade da região da Provence, no sul da França, a polícia divulgou que o número de pessoas nas manifestações era de 3.300, enquanto que o sindicato CGT contabilizou 10 mil manifestantes. No norte, a cidade de Lille, de acordo com a polícia, contou com 2.600 pessoas nos protestos. 

Extrema-direita na Europa e nos EUA 

A maior parte dos manifestantes destacou a tendência de discursos e práticas de políticas reacionárias na Europa e nos Estados Unidos. Muitos cartazes denunciavam a islamofobia promovida pelo Estado e apontavam a proximidade da política americana e francesa com o fascismo. 

Aurélie Trouvé, deputada do partido de esquerda França Insubmissa (LFI na sigla em francês) apontou para o crescimento e adesão do discurso de extrema-direita pela popularidade do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional (RN na sigla em francês), da líder da direita radical francesa Marine Le Pen. 

Além da França, países como Portugal, Espanha e Alemanha, que possuem um histórico de atuação social e ideologia humanista, também se encontram no contexto de maior adesão da extrema-direita. De acordo com o jornalista Jamil Chade, a onda da extrema-direita na Europa reflete uma “crise existencial” no continente, decorrente da crise financeira de 2008.






Eleições na França: extrema direita é favorita pelas pesquisas

Nesta quinta-feira (20), foram divulgadas duas pesquisas eleitorais, as quais mostram o partido do atual presidente em terceiro lugar e o favoritismo da extrema direita.

Duas pesquisas mostram a mesma tendência

A pesquisa da Pollster IFOP, que foi encomendada pelo grupo de radiodifusão TF1 e o Le Figaro, mostrou que o União Nacional levaria 34% dos votos, 29% seria da Frente Popular, partido de esquerda; o bloco Juntos por Macron ficaria em terceiro lugar, com 22%.

A outra pesquisa foi da Harris Interactive, encomendada pela rádio RTL, M6 TV e Challenges Magazine. Essa traz 33% dos votos para o partido de extrema direita, a esquerda com 26% e 21% para a coalizão de Macron.


Emmanuel Macron, presidente da França (Foto: reprodução/Chesnot/Getty Images embed)


Semana agitada para os futuros parlamentares franceses

A campanha oficial para as eleições legislativas antecipadas na França alavancou após uma semana de reviravoltas. Já são conhecidos os candidatos que irão disputar os 577 lugares na Assembleia Nacional. Macron antecipou as eleições no intuito de que os demais partidos tivessem pouco tempo para se prepararem.

O formato da votação é feito através de um sistema maioritário que acontece em dois momentos de escrutínio. Os eleitores irão às urnas nos dias 30 de junho e 7 de julho para eleger os deputados.

Alianças e manifestações

Intensas negociações para formar alianças e manifestações contra a extrema-direita marcaram essa semana. Os partidos de esquerda se reuniram sob a bandeira da Frente Popular; os Republicanos e o Rassemblement National (RN) fizeram uma aliança e os tribunais suspenderam temporariamente a exclusão de Éric Ciotti do partido Les Républicains, logo após o acordo com o RN.

A incerteza política provocou uma onda de venda de títulos e ações francesas, logo que as eleições foram convocadas inesperadamente por Macron. Seus aliados manifestaram receio de que uma vitória da extrema direita ou da esquerda poderia criar uma crise financeira. De acordo com o primeiro-ministro, Gabriel Attal, a vitória de qualquer um deles seria catastrófica para a França.