O diretor esportivo do Barcelona, Deco, abordou a diferença de nível técnico entre clubes europeus e sul-americanos em entrevista exclusiva ao “Lance!”. Questionado sobre o tema após o Mundial de Clubes, o ex-meio-campista analisou o desempenho recente das equipes brasileiras, que chamaram a atenção do cenário internacional com resultados expressivos.
Deco fala do futebol brasileiro
Para Deco, a disparidade não está necessariamente no talento dos jogadores, mas no poder financeiro e na forma como os clubes administram seus recursos. O dirigente citou Flamengo e Palmeiras como exemplos de times que, mesmo atuando no Brasil, possuem estrutura e orçamento comparáveis a diversos clubes tradicionais do futebol europeu. Segundo ele, o aumento do investimento e a evolução dos treinadores têm elevado o patamar do futebol brasileiro, que hoje domina a América do Sul, com presenças constantes em finais e semifinais da Libertadores.
“O Flamengo já consegue manter jogadores importantes sem necessidade de vender, enquanto o Palmeiras contrata atletas vindos até do Barcelona e mantém um treinador por anos”, destacou Deco. Ele acrescentou que nem todos os clubes europeus estão em patamar superior e que a Premier League é praticamente a única liga capaz de reunir várias equipes com poder de investimento milionário. “É um mito pensar que todos os europeus estão muito à frente. O Flamengo talvez invista mais que alguns clubes espanhóis, e o Palmeiras tem orçamento superior ao de equipes históricas do continente”, afirmou.
Taça da Copa do Mundo de Clubes (Foto: reprodução/Bryn Lennon/Getty Images Embed)
Futebol Sul-Americano está se adaptando
Deco reforçou ainda que o futebol sul-americano vive um momento de aprendizado e adaptação às novas exigências do mercado. Para ele, clubes como Flamengo e Palmeiras provam que uma gestão sólida, aliada a investimentos estratégicos, pode reduzir o abismo em relação às potências europeias. O dirigente acredita que, se essa tendência for mantida, os times brasileiros terão condições reais de competir em igualdade de condições nos próximos Mundiais de Clubes, especialmente diante do novo formato da competição.
O dirigente também comentou o novo formato do Mundial de Clubes, do qual o Barcelona não participou. Para Deco, o torneio foi positivo e trouxe visibilidade ao futebol sul-americano, mas ele alertou para os desafios do calendário. “O formato foi bacana, mas complica a pré-temporada das equipes europeias e exige um esforço maior na gestão do elenco”, disse ele.
Fora da última edição, o Barcelona agora mira uma vaga no Mundial de 2029. Para garantir presença, o clube precisa conquistar a Liga dos Campeões ou se classificar pelo ranking da Uefa, atualmente ocupado pelo Atlético de Madrid.
