Astrofotógrafo registra imagem em alta definição da “galáxia do coração”

Uma imagem de tirar o fôlego registrada por Ronald Brecher mostra com impressionante definição a chamada Nebulosa do Coração (Heart Nebula). O registro revela detalhes magníficos da estrutura da formação cósmica, localizada na constelação Cassiopeia, ao lado de outras nebulosas.

O fotógrafo Ronald Brecher, responsável pela captura inovadora, divulgou a imagem através de uma postagem em seu site, onde também explicou o processo. Ele utilizou duas paletas de cores, chamadas de Hubble e Foraxx, para chegar ao resultado que divulgou. Segundo Brecher, ele nunca havia fotografado a nebulosa de forma completa utilizando uma paleta de cores de banda estreita, apelidando o trabalho de “divertido de processar”.

A fotografia

Brecher ainda divulgou que para produzir essa imagem utilizou a câmera astronômica QHY367C junto ao telescópio Sky-Watcher Esprit 70 EDX, em um processo que demorou mais de 40 horas para ser finalizado. O astrofotógrafo conduziu o trabalho durante setembro deste ano, no Canadá.

O desenvolvimento do pré-processamento da captura incluiu o uso de filtros, redução de ruído e ajustes de contraste, além do uso das paletas de cores para processamento de dados. Esse meticuloso trabalho feito por Ronald Brecher foi capaz de mostrar ao resto do mundo estruturas evidenciadas nunca vistas antes da Nebulosa do Coração, sendo um avanço extremamente importante para os estudos das galáxias.


A região destacada em vermelho mostra a região da Nebulosa do Coração, próxima da constelação de Cassiopeia (Foto: reprodução/Instagram/@astronomia_na_escola)

Nebulosa do Coração

A nuvem de gás é identificada através do código IC 1805, para a diferenciar tecnicamente de outras nebulosas. Localizada a aproximadamente 7.500 anos-luz do nosso planeta, ela está inserida na constelação Cassiopeia, em uma região chamada de Braço do Perseu. Essa região cósmica ainda abriga outras nebulosas, como a Nebulosa da Alma (IC 1848) e a Nebulosa Cabeça de Peixe (IC 1795). Além disso, milhares de estrelas relativamente jovens também estão inseridas nesta região, devido a forte emissão de gases cósmicos que acontece por ali.

Por ser uma área fácil de fotografar, não é necessário equipamentos extremamente tecnológicos, como os usados pela Nasa. A partir de telescópios amadores na Terra, é possível que astrofotógrafos registrem essa região do espaço, entretanto, a observação não será tão nítida.

Planeta Terra pode estar dentro de um “vazio” cósmico

Um estudo sobre o Planeta Terra foi recentemente apresentado por cientistas da Universidade de Portsmouth. A princípio, ele sugere que a Terra está localizada em uma região imensurável e menos densa do que o restante do universo conhecido. 

Astrônomos acreditam que uma bolha menos densa ao redor da Terra pode explicar divergências sobre a expansão do universo. Essa área, denominada de “vazio cósmico”, pode ser uma explicação para um dos maiores enigmas da cosmologia: a tensão do telescópio Hubble.

Porém, esse impasse envolve duas formas de medir a expansão do universo. De um lado, galáxias próximas indicam um ritmo acelerado. De outro, a radiação do universo primitivo aponta uma expansão mais lenta.

Hipóteses e discrepância dos dados

Assim, a hipótese propõe que a luz das galáxias chegue distorcida, já que estamos dentro de um vazio. Ocasionalmente, isso nos dá a impressão de que o universo está se expandindo mais rápido do que realmente está. 

Indranil Banik é pesquisador e diz que o modelo do vazio tem forte compatibilidade com os dados atuais, mas vem deixando menos significativo o modelo tradicional usado pelo satélite Planck.

Essa conclusão se deu com base nas oscilações acústicas de bárions (BAOs), ou seja, as marcas antigas do Big Bang e que funcionam como réguas cósmicas. Os cientistas compararam as ondas com o desvio para o vermelho das galáxias e perceberam padrões que sustentam a hipótese do vazio.


— Superfície lunar com a Terra distante e um campo estelar (Foto: reprodução/Xia Yuan/Getty Images Embed)


Cosmos pode ser diferente

Com a teoria sendo legalmente comprovada, o entendimento sobre a idade e a origem do universo terá uma mudança significativa. Isso também poderá ajustar a estimativa atual de 13,8 bilhões de anos para uma nova idade.

Os cientistas afirmam que o próximo passo será confrontar esse modelo com dados de cronômetros cósmicos, que são galáxias antigas que já não formam estrelas. Os cientistas também aguardam dados dos telescópios SPHEREx e PUNCH. Os telescópios foram enviados ao espaço pela NASA e ajudam a investigar a formação do universo e o comportamento do sol.

Dessa forma, a hipótese do vazio questiona o modelo padrão da cosmologia e propõe novas formas de compreender o universo como um todo. Ela também oferece explicações alternativas sobre a evolução do cosmos e reposiciona a Terra no cenário galáctico.

Hubble registra galáxia espiral rara em foto de tirar o fôlego

O Telescópio Espacial Hubble, fruto de uma parceria entre a NASA e a Agência Espacial Europeia, fez um registro incrível de uma galáxia espiral rara, vista de lado. A galáxia está localizada a 150 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Serpens, e a imagem foi montada com dados capturados em 2000 e 2023.

Uma galáxia como você nunca viu

Na imagem, que foi observada pela lateral pelo telescópio espacial Hubble, vemos uma linha que corta o espaço, com faixas escuras de poeira ao redor. Esse efeito acontece porque estamos vendo a galáxia “de lado”, como se fosse uma panqueca observada na borda. Além disso, o centro da galáxia brilha intensamente, com uma área cheia de estrelas girando rapidamente em torno de si.

Esse tipo de registro é raro e ajuda os cientistas a entenderem mais sobre como as galáxias funcionam e o que existe dentro delas, permitindo que eles estudem as características que normalmente seriam difíceis de observar em outros ângulos. Para quem olha de fora, parece até uma obra de arte no espaço.


Telescópio Hubble na órbita da Terra (Foto: reprodução/NASA/Getty Images Embed)


Um registro do telescópio Hubble que viaja no tempo

O que torna essa foto ainda mais especial, é fato dela combinar dois registros feitos com 23 anos de diferença: um em 2000 e outro agora, em 2023. Cada uma das fotos capturou detalhes em diferentes comprimentos de ondas de luz, e, juntas, revelam uma visão completa e detalhada da galáxia, como em outras fotografias icônicas do Hubble.

Mesmo após mais de 30 anos de operação, o Hubble continua provando seu valor ao desvendar os mistérios de galáxias distantes e registrar imagens únicas do nosso universo. Nos dando uma chance de ver e analisar a luz de algo que aconteceu a milhões de anos atrás, sendo uma janela para o passado e um lembrete do quanto ainda temos para explorar no universo.