Presidente do Irã está pronto para resolver impasse nuclear com as potências mundiais

Nesta terça-feira, 24, Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, fez seu primeiro discurso geral na Assembleia-Geral da ONU desde que se tornou presidente e afirmou estar pronto para “se envolver” no acordo nuclear e conversar com as potências mundiais. Pediu também que os Estados Unidos inicie uma nova era de relacionamento seu país.

Pezeshkian disse que o Irã deseja estabilidade e segurança para todos, mas que a segurança e os interesses de nenhum país podem ser alcançados à custa da segurança dos outros. Ele fez um apelo para que os países que estão em impasse nuclear abandonem políticas de confronto e restaurem a confiança.

Estamos prontos para nos engajar com os participantes do JCPOA (acordo nuclear iraniano) se os compromissos forem implementados integralmente e de boa-fé – disse o presidente.

Pacto nuclear

O iraniano falou sobre a retirada dos Estados Unidos do acordo em 2018. O ex-presidente Donald Trump abandonou o pacto nuclear de Teerã em 2018 e voltou a colocar duras sanções ao Irã, que também foram criticadas no discurso de Pezeshkian.


Donald Trump (Foto: reprodução/Poo/Getty Images News Embed)


Ele também afirmou que as sanções definidas foram uma “estratégia de coerção”, e que elas agravaram a crise no país, pois atingiram a economia iraniana e a população. “A nova era começa com o reconhecimento das preocupações de segurança do Irã.”, disse.

Crítica às guerras

Irã é o principal aliado do grupo terrorista Hamas e do Hezbollah, que está em guerra contra Israel. O presidente do Irã criticou a guerra e o derramamento de sangue, pedindo para cessar a violência em Gaza e no Líbano o mais rápido possível.

 Parar com a brutalidade insana de Israel no Líbano antes que coloque a região e o mundo em chamas” – pediu o líder.

Além disso, ele acusou Israel de crimes contra a humanidade, afirmando que o mundo tem visto o “verdadeiro regime israelense”. Caracterizou as atitudes de Israel como “genocídio, assassinato de crianças e terrorismo de Estado”, afirmando que a única solução para o conflito no Oriente Médio é dar aos palestinos o direito de decidir o seu próprio futuro.

Por fim, o líder iraniano deixou claro que não apoia a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e apoia a solução pacífica e o discurso como solução para o seu fim.

Trump é alertado pelo serviço de inteligência dos EUA sobre ameaças de assassinato por parte do Irã

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou recentemente ter sido informado pelo Serviço de Inteligência dos EUA sobre ameaças reais e concretas de assassinato feitas pelo governo iraniano. De acordo com a equipe de campanha de Trump para 2024, essas ameaças fazem parte de uma tentativa do Irã de desestabilizar o cenário político norte-americano e vingarem a morte do general Qassem Soleimani, em 2020.

As tensões entre os EUA e o Irã permanecem em alta desde o ataque que matou Soleimani, um dos principais comandantes militares iranianos. A recente declaração de Trump reabre o debate sobre a influência iraniana nas políticas internacionais e os riscos que ele, como figura pública, enfrenta.


Alertas de ameaças vindas do Irã à Trump — (Vídeo: Reprodução/YouTube/UOL)

Ameaças reais e específicas

Segundo informações divulgadas pela campanha de Trump, o ex-presidente foi informado pela Direção Nacional de Inteligência dos EUA (ODNI) de que existem ameaças específicas contra sua vida, supostamente orquestradas por Teerã.

O Irã já fez movimentos que falharam, mas eles tentarão novamente“, afirmou Trump em sua rede social, X. Ele complementou dizendo estar cercado por “mais homens, armas e munição do que jamais viu antes“.

A inteligência americana, no entanto, não revelou maiores detalhes sobre os supostos planos de ataque, embora essas ameaças estejam ligadas à retaliação pela morte de Soleimani. O general iraniano foi morto em um ataque aéreo ordenado por Trump em janeiro de 2020, durante sua presidência, gerando uma escalada de tensões entre os dois países.


Soleimani, general iraniano (Foto: Reprodução/ Office of the Iranian Supreme Leader / AP / g1)

Irã e a instabilidade geopolítica

Especialistas apontam que essa postura do Irã, especialmente voltada para ex-autoridades americanas, faz parte de uma tentativa maior de desestabilizar a política dos EUA, especialmente em anos eleitorais. Além disso, relatos de que o Irã tem utilizado hackers para interferir em eleições norte-americanas sugerem que o país está explorando várias frentes de ataque.

Em setembro de 2024, Trump mencionou que estava sendo alvo de outra tentativa de assassinato em seu resort na Flórida, embora ainda não se tenha vinculado diretamente o Irã a esse incidente específico.

Conexões e outras tentativas de assassinato

O caso mais recente não é o único relacionado ao Irã. Um cidadão paquistanês com supostos vínculos com o regime iraniano foi acusado de planejar o assassinato de um político americano em resposta à morte de Soleimani. Apesar de Trump ter sido mencionado como alvo potencial, o suspeito negou que o plano envolvia a morte do ex-presidente.

Em 2023, houve relatos de que hackers iranianos tentaram influenciar as eleições nos EUA, enviando e-mails de campanha roubados de Trump e Biden para manipular eleitores.

Além disso, um homem foi preso em setembro após realizar disparos nas proximidades de um campo de golfe frequentado por Trump, na Flórida. Identificado como Ryan Wesley Routh, o atirador estava em posse de um fuzil AK-47 e uma câmera. Ele foi formalmente acusado de tentativa de assassinato, elevando ainda mais a preocupação com a segurança do ex-presidente.


Ryan Wesley Routh — (Foto: Reprodução/Hédi Aouidj/AP/ny1)

As autoridades dos Estados Unidos estão em alerta máximo, especialmente com a aproximação das eleições de 2024, temendo que os ataques possam interferir no processo eleitoral. Hackers iranianos, por exemplo, já foram acusados de realizar operações cibernéticas contra campanhas presidenciais anteriores, inclusive de Joe Biden, em 2020. Embora o Irã negue consistentemente as acusações, a preocupação sobre interferências externas permanece alta.


Trump imediatamente após uma tentativa de assassinato (Foto: Reprodução/Photo/Evan Vucci / BBC News Brasil)

Com essas novas ameaças, a equipe de campanha de Trump afirma que está tomando todas as medidas necessárias para garantir a proteção do ex-presidente, sem deixar que a intimidação afete o andamento das eleições.

Chefe do Pentágono declara que os EUA “não vão tolerar” ataques no Oriente Médio

O chefe do Pentágono, Lloyd J. Austin, anunciou nesta terça-feira (06) que os Estados Unidos não irão compactuar com ataques às suas tropas localizadas em países no Oriente Médio. O pronunciamento vem após o ataque sofrido no Iraque na segunda-feira (05), segundo notícia da Associated Press.  A autoria do ataque foi assumida pela Resistência Islâmica no Iraque, termo usado para grupos insurgentes islamistas xiitas pró-Irã no Iraque.  A região está passando por um aumento nas tensões  devido à guerra em Gaza, que completou dez meses, e ainda há a possibilidade de retaliação do Irã pela morte de membros do Hamas e do Hezbollah.

Pronunciamento americano

Durante coletiva de imprensa em Annapolis, no estado de Maryland, o secretário de Defesa dos EUA declarou que o país não vai tolerar ataques contra o seu pessoal na região.  O ataque foi assumido pela Resistência Islâmica no Iraque, que disse em comunicado que os ataques continuarão “até que o último soldado americano deixe o Iraque”.  O grupo faz parte do chamado “Eixo de Resistência”, que é formado por grupos apoiados pelo governo do Irã e que atacam Israel.

Houve uma escalada nos conflitos desde o assassinato de chefes dos grupos terroristas Hamas e Hezbollah, que são aliados do Irã. Tanto os Estados Unidos quanto Israel esperam um ataque de retaliação iraniano, o que pode desencadear novo conflito em uma região já assolada por tensões. Israel negou responsabilidade pela morte de Ismail Hanyeh, que agia como uma espécie de diplomata internacional do Hamas.


A região do Oriente Médio tem visto escalada nas tensões, com ataques  desferidos em vários países da região (Foto: reprodução/Omar Al-Qattaa/AFP/Getty Images embed)


As autoridades americanas ainda estão avaliando os feridos e os danos à base aérea de Al-Asad, de acordo com informações da Reuters.  Uma fonte de segurança disse que dois foguetes Katyusha foram disparados e que ambos caíram dentro da base. Ainda não se sabe qual será a resposta dos EUA ao ataque à base americana e qual será a repercussão na região.

Declaração do Iraque

Também na terça-feira (06), o exército iraquiano disse condenar as “ações imprudentes” contra bases em seu território. “Rejeitamos todas as ações e práticas imprudentes que visem bases iraquianas, missões diplomáticas e os locais dos conselheiros da coalizão internacional, e tudo o que possa aumentar a tensão na região”. O exército não confirmou que funcionários americanos tenham sido feridos, segundo informação cedida à Reuters. 

O exército iraquiano também apreendeu um pequeno caminhão com um lançador de foguetes fixo na parte de trás. Oito foguetes não disparados foram desmontados e as forças de segurança afirmaram que obtiveram informações importantes sobre os responsáveis e que eles serão levados à Justiça.

Compromisso com a ética: Fabricante do ChatGPT faz ação contra desinformação

Cinco operações secretas focadas em tentativas de influência foram desmanteladas pela OpenAI nos últimos três meses em países como Rússia, China, Irã e Israel. Os produtos de Inteligência Artificial descendentes do fabricante do Chat GPT eram usados com má conduta. 

Relatórios

Após a descoberta do uso indevido de inteligência artificial por países estrangeiros, a OpenAI chegou a bloquear cerca de cinco operações que tinham como objetivo a manipulação de opinião pública ou molde de resultados políticos, dissimulando verdadeiras identidades.  

Com novo relatório do fabricante do famoso chat de inteligência artificial, Chat GPT, a preocupação relacionada ao uso autônomo de plataformas de tecnologias inteligentes ganha mais força, especialmente com o possível papel que tais tecnologias podem desempenhar nas eleições globais programadas para este ano. De acordo com a empresa, foram listadas várias maneiras nas quais usaram ferramentas para enganar pessoas com mais eficácia, todas elas utilizadas por grandes redes de influência. 

São exemplos de tais crimes, o uso de IA na geração de textos e imagens em grandes quantidades e com mínima aparição de erros na linguagem do que aconteceria se fossem escritos apenas por humanos. Apesar do cenário devastador, a empresa ressaltou o equívoco das campanhas relatando não terem conseguindo aumentar de forma significativa seus resultados com os serviços da OpenAI.  


Foto em em Mulhouse, leste francês, onde expõe figuras ao lado do logotipo do ChatGPT (Foto: reprodução/ SEBASTIEN BOZON/ AFP)

As cinco redes encontradas pela empresa incluíam grupos, redes e operações, respectivamente como “Doppelganger” (pró-Rússia), “Spamouflage” (pró-China) e a União Internacional de Mídia Virtual (IUVM). Outras redes também foram apontadas pela OpenAI, a empresa as identificou como vindas da Rússia e de Israel. O novo grupo russo apelidado de “Bad Grammar” pela startup usou modelos de IA da empresa assim como outros, por exemplo o Telegram, em configuração de canal de spam de conteúdo. O grupo anteriormente secreto usou modelos de inteligência artificial para livrar códigos direcionados a automatização de postagens no aplicativo e ainda gerou comentários em russo e inglês para responder tais postagens usando inúmeras contas. Uma delas foi citada pela OpenAI expelindo comentários contra o apoio dos Estados Unidos a Ucrânia: 

Estou farto e cansado desses idiotas com danos cerebrais brincando enquanto os americanos sofrem”, explicitava o texto. “Washington precisa definir suas prioridades ou sentirá a força total do Texas!” 

A OpenAI identificou o uso de inteligência artificial após notar erros comuns de IAs em mensagens, como: “como modelo de linguagem de IA, estou aqui para ajudar”. A startup também salientou o uso de ferramentas próprias para identificar e se defender contra tais campanhas.  

“A história mostra que as operações de influência que passaram anos sem chegar a algum lugar podem de repente despontar se ninguém estiver procurando por elas”, disse Bem Nimmo, pesquisador principal da equipe de Inteligência e Investigações da OpenAI. Ele também reconheceu que podem existir grupos que usem ferramentas que a empresa ainda não tem conhecimento. Plataformas como a Meta Platforms Inc, fizeram divulgações parecidas tempos atrás. A OpenAI também afirmou o compartilhamento de ameaças com colegas do setor e que é parte do seu objetivo realizar trabalhos de detecção.  

O possível perigo das IA’s

Muitas questões sobre o uso de inteligência artificial generativa foram levantadas no último ano e meio, de acordo com BEN Nimmo. Ele ainda acrescentou que com os relatórios entregues sobre a situação atual, lacunas seriam preenchidas.  

O formato de utilizar a tecnologia de ponta para operações de influência onde há tentativas de manipular a opinião pública e resultados políticos se tornou um alvo da startup, considerando seu objetivo inicial com o lançamento das plataformas e ferramentas de IA. Ainda segundo Nimmo, os grupos são diferentes das famosas e frequentes redes de desinformação vinculadas a fake news, pois, muitas vezes promovem informações corretas mas de forma inverídica.  

Por mais que propagandas usem plataformas de mídias sociais há bastante tempo, as ferramentas de IA generativa são novas. A empresa expressou que as operações feitas tiveram ajuda de formatos tradicionais, como textos escritos de forma manual ou até uso de memes nas principais redes de mídia. Algumas redes de influência também utilizaram produtos da empresa para aumentar sua produtividade. 

Nível de urânio enriquecido no Irã é próximo ao de armas nucleares

A Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA, órgão da ONU, publicou nesta segunda-feira (27), que o Irã tem enriquecido e armazenado urânio nos moldes da fabricação de armas nucleares. A morte do presidente Ebrahim Raisi interrompeu o diálogo entre a agência e o país.

Entenda o enriquecimento do urânio

De acordo com a AIEA, aproximadamente 42 kg de urânio enriquecido a 60% são suficientes para confeccionar uma arma nuclear. Tecnicamente falando, é muito simples alcançar uma pureza de 90%, para o que já está em 60%. O urânio enriquecido a 90% de pureza é usado para fabricar armas mais potentes.

Em fevereiro, o país tinha 122 kg de urânio enriquecido a 60%. Atualmente, já são 142kg. A quantidade do elemento enriquecido a níveis inferiores a 60% é maior. Eram 5.525,5 kg no início do ano, e 6.201,3 na atualidade. Com base no acordo nuclear de 2015, as quantias excedem o limite autorizado.


Negociações sobre o Acordo Nuclear com o Irã, Viena – Áustria (Foto: reprodução/Anadolu Agency/Getty Images embed)


Acordo nuclear de 2015

Durante a gestão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi firmado um acordo entre o governo da República Islâmica e um grupo de potências internacionais, liderado pelos EUA. Esse grupo aceitara encerrar as sanções ligadas ao programa nuclear iraniano. Em contra- partida, o país prosseguiria seu programa para fins comerciais, médicos e industriais. Donald Trump não deu continuidade nesse acordo.

O Irã continua divulgando que o programa nuclear é pacífico, mas impede que inspetores da AIEA o monitore. Rafael Mariano Grossi, presidente da agência, afirmou que, nesse ritmo, o país tem know-how suficiente para fabricar certos tipos de bombas nucleares.

Um outro fator que, também, vem dificultando as inspeções da AIEA é o clima tenso no Oriente Médio, provocado pelo conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas. Não tem como garantir que as centrífugas não estão sendo usadas para um programa clandestino de enriquecimento. As negociações entre ONU e Irã, por hora, são apenas para aumentar as inspeções do programa atômico.

Dinâmica da sucessão presidencial no Irã

De acordo com a Constituição Iraniana, quando o presidente morre, o primeiro vice-presidente assume os poderes e funções do presidente de forma interina e com a aprovação do Líder Supremo. O vice-presidente, o presidente do parlamento e o chefe do poder judiciário devem providenciar, no período de 50 dias, uma eleição para escolher um novo líder.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, é quem dá a palavra final para o vice-presidente assumir o cargo. Com esse poder de intervenção nos assuntos internos e externos na República Islâmica, o líder supremo ofusca os poderes do presidente no país.

Quem decide é o líder supremo

Khamenei, ao declarar cinco dias de luto, anunciou que Mohammad Mokhber irá assumir a presidência de forma interina, respeitando a Constituição Iraniana. Segundo analistas, a realização do pleito não deve mudar os rumos políticos do Irã. A expectativa é de que a linha-dura ligada aos setores religiosos permaneça no poder.


Líder Supremo do Irã: aiatolá Ali Khamenei (Foto: reprodução/ Majid Saeedi/Getty Images embed)


Não há expectativas de mudanças significtivas

Ebrahim Raisi, diferente de seu antecessor, fez uma aliança estreita com Ali Khamenei. Muitas pessoas acreditavam que ele seria o líder supremo quando Khamenei morresse. Gregory Brew, analista do Eurasia Group, fez suas considerações:

É muito provável que a liderança do regime, incluindo Khamenei, trabalhe para realizar uma eleição presidencial para garantir que um substituto adequado suceda Raisi, ao mesmo tempo que mantém fora candidatos reformistas ou moderados, como tem sido a prática desde 2021. 

Gregory Brew

Ainda de acordo com Brew, o clérigo Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, estaria sendo apontado como possível sucessor no cargo de líder supremo. Porém, essa nomeação iria contra uma tradição da Revolução Islâmica, que fundou o regime atual em 1979. Ela se opõe a qualquer sistema que se assemelhe à monarquia, derrubada pela revolução.

O acidente aéreo que vitimou Ebrahim Raisi no último domingo está sendo realmente um golpe para a linha-dura do regime teocrático de Teerã.

Líder Supremo do Irã tenta tranquilizar o país após queda do helicóptero do presidente

Após a queda do helicóptero que transportava o presidente Ebrahim Raisi e seu ministro das Relações Exteriores, do Irã, que aconteceu neste domingo (19), o líder supremo Ali Khamenei se pronunciou. Ele buscou tranquilizar a população do país, dizendo que não haveria interrupção nos assuntos de Estado.

Gostaria de pontuar um incidente perturbador que aconteceu esta noite ao honorável presidente e aos seus companheiros. Esperamos que o Todo-Poderoso traga o nosso querido presidente e os seus companheiros de volta à nação com boa saúde. Mas, nosso querido povo, quer vocês estejam aqui presentes ou aqueles que ouvirão minha mensagem mais tarde, tenham certeza de que não haverá interrupção no trabalho do país”, afirmou Khamenei em seu pronunciamento.

Até dado o momento do pronunciamento, ainda não havia notícias do paradeiro do helicóptero caído. Segundo o ministro do Interior do Irã, Ahmad Vaihidi, o motivo do atraso com as equipes de resgate, era devido às más condições meteorológicas e ao nevoeiro na área. “Levará tempo para chegar ao local”, pontuou. 

Queda do helicóptero

Segundo a imprensa oficial iraniana, o helicóptero teria caído em uma região montanhosa do Irã, devido às más condições climáticas durante o voo. A aeronave transportava Raisi e outras autoridades que voltavam do Azerbaijão, como o chanceler Hossein Amir-Abdollahian, o governador da província do Azerbaijão Oriental e outros funcionários e guarda-costas. A BBC informou que os outros dois helicópteros do comboio, que viajavam juntos, conseguiu pousar em segurança. 


Imagem do helicóptero que estava o Ebrahim Raisi caído na floresta (Foto: reprodução/Instagram/@astronomiaum)


A viagem do presidente Raisi pela província iraniana do Azerbaijão Oriental, tinha como propósito visitar o projeto de barragem, a inauguração de um projeto conjunto com o Azerbaijão na fronteira compartilhada. Raisi estava na inauguração no domingo, ao lado do presidente azerbaijano, Ilham Aliyev, da terceira barragem que as duas nações construíram no rio Aras, horas antes do incidente. 

Mohammad Mokhber pode assumir presidência do Irã após morte de Ebrahim Raisi

O primeiro-vice-presidente Mohammad Mokhber deve assumir o governo do Irã após a morte do presidente Ebrahim Raisi em uma queda de helicóptero que aconteceu neste domingo (19). Raisi tinha mandato até 2025.

Contudo, a sucessão só poderá acontecer com a aprovação do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que decide todos os assuntos de Estado. O governo do vice é transitório, já que a Constituição do Irã determina que novas eleições devem ser organizadas em até 50 dias. 

Mohammad Mokhber

Mohammad Mokhber, de 69 anos, nasceu na cidade Dezful, localizada a cerca de 680 km da capital iraniana, Teerã, em 26 de junho de 1955.

Ele trabalhou no corpo médico durante a Guerra Irã-Iraque, através do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. Mokhber já foi chefe da Execução da Ordem do Imam Khomeini (EIKO), uma paraestatal que atua em quase todos os setores da economia do Irã, e presidente do conselho do Banco Sina, onde foi acusado de corrupção.

Antes da eleição, em 2021, o vice foi alvo de sanções internacionais pela sua participação na Eiko. Para os Estados Unidos, a entidade viola os direitos de alguns grupos, como minorias religiosas, iranianos exilados e dissidentes políticos, por meio de confiscos de bens. Já Mokhber acredita que a Eiko serve para promover uma economia de resistência no Irã.

Ebrahim Raisi


Ebrahim Raisi (Foto: reprodução/Getty Images Embed/AFP/Atta Kenare)


Ebrahim Raisi tinha 63 anos e havia sido eleito em 2021 para um mandato que duraria 4 anos. Ele venceu no primeiro turno, em 18 de junho, com abstenção recorde e muitos adversários foram impedidos de participar pelo Conselho de Guardiães da Constituição.

O presidente era considerado um ultraconservador e se declarava partidário do regime atual do país. Raisi era visto como um protegido do líder supremo Ali Khamenei e tinha fortes chances de suceder o aiatolá.

Raisi participou das comissões da morte, na década de 1980, que causaram a execução de 5 mil militantes que eram opositores ao regime dos aiatolás. 

Durante o seu governo, em 2022, cerca de 500 manifestantes foram executados em um protesto realizado pela morte da jovem Mahsa Amini, presa por não usar o véu em local público, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (Hrana). 

Tensões entre Irã e Israel

Em 1° de abril deste ano, 7 membros da Guarda Revolucionária foram mortos durante um ataque à embaixada iraniana na Síria promovido por Israel. O Irã realizou ataques aéreos com mísseis direcionados para Israel, no dia 13 de abril, que respondeu ao ataque cinco dias depois.

Presidente do Irã ameaça dilacerar Israel em caso de novo ataque

O conflito entre Israel e Palestina se intensifica e agora um novo líder entra no ramo das ameaças por incitação: Ebrahim Raisi, após declarações feitas nesta terça-feira (23) à agência oficial de notícias IRNA, demonstrou que há mais poder de fogo no Irã do que ele se propõe a usar. 

Declarações 

Conforme Raisi, presidente do Irã, um ataque ao seu território traria drásticas mudanças ao cenário de guerra, uma vez que, caso Israel ataque o Irã, nada restaria do “regime sionista”. Imperando uma ameaça de suposto poder de fogo disponível à nação iraniana. 

Uma tentativa de reacender laços antigos queimados pelo fogo da guerra é efetuada entre Paquistão e Irã, que começou nesta segunda-feira (22) com uma visita de Raisi ao país vizinho. Na viagem, o presidente do Irã prometeu impulsionar o comércio entre as nações vizinhas em US $10 bilhões ao ano.

As relações vizinhas estão mais fragilizadas do que nunca, uma vez que a retaliação constante – como a de 13 de abril, pelo suposto ataque Israelense em 1° de abril – míngua a força do elo já distante por conflitos antigos e históricos, tornando a relação entre os países ainda mais complicada e sensível.


Carcaça de míssil iraniano interceptado por Israel no ataque de 13 de Abril (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Raise, em seu discurso, acrescentou que a República Islâmica do Irã manterá seu apoio à resistência palestina, honrosamente. 

Novo ataque, nova movimentação 

Nesta sexta-feira (19) um ataque áreo atingiu a região central do Irã como resposta as perigososas retaliações entre o país islâmico e Israel, demonstrando uma movimentação perigosa entre ambos os países, principalmente após a última declaração de Raisi, presidente do Irã, nesta terça-feira (23). 

Conforme informações de um oficial dos Estados Unidos através da CNN, o ataque é de raíz israelense, o que estreita ainda mais a relação entre as nações e ainda traz a luz uma guerra que antes acontecia por baixo dos panos, aflorando o receio público de um possível conflito regional mais amplo e marcado por retaliações.

Segundo informações de um oficial de Teerã, capital iraniana, às defesas aéreas contaram três drones após avisos de explosões nas proximidades de uma base militar, na região central do país. 

O ataque foi negado através da rede social ‘X’, onde Hossei Delirian, porta-voz do Centro Nacional de Ciberespaço do Irã se manifestou, afirmando que nenhum míssil foi reportado. 

Contribuindo a narrativa, um comandante militar sênior do Irã afirmou que o forte estrondo foi causado por sistemas de defesas aéreas disparadas contra um objeto suspeito. Não houve danos ou incidentes, conforme dito por ele através de informações da agência de notícias Tasnim, aliada do governo iraniano. 

As autoridades iranianas têm se empenhado em amenizar o seguimento do acontecimento, agora tido como incidente, o que não descarta a possibilidade da nomenclatura evoluir para uma retaliação direta. Israel também não aderiu às responsabilidades pelo incidente.

Estados Unidos avança na aprovação de um pacote de ajuda para Ucrânia e Israel

Nesta sexta-feira (19), a Câmara dos Estados Unidos avançou o projeto de ajuda externa para Ucrânia e Israel. Com valor elevado, o assunto vem há tempo sido debatido entre Democratas e Republicanos, e deve ter a votação de um pacote nesse sábado (20).

Sabemos que o mundo está nos observando para ver como reagimos”, disse Mike Johnson, o presidente republicano da Câmara. “Eles estão nos observando para ver se os Estados Unidos defenderão seus aliados e nossos próprios interesses em todo o mundo. E nós o faremos.

O pacote de ajuda externa a ser entregue teria o valor de US$ 61 bilhões (R$ 305 bilhões), e entrou em consideração após um voto que teve a aprovação de 165 Democratas e 151 Republicanos. Somado com outros projetos de lei a serem avaliados no sábado, o montante final pode ser de até US$ 95 bilhões (R$ 475 bilhões).


Cartaz político do Irã (Foto:Reprodução/Anadolu/Getty Images)

Israel e Irã

A votação final deve ocorreu no “início de sábado”, avaliando três projetos de assistência econômica aos países aliados dos Estados Unidos, e mais um que deve determinar sanções econômicas sobre o Irã, o novo inimigo que Israel trouxe ao conflito após o bombardeio do consulado israelense na Síria.

No entanto, ao que tudo indica, o conflito entre os dois países deve recuar, com uma desescalada causada pela pressão internacional – o aumento da guerra poderia envolver todo o Oriente Médio, causando uma crise de proporções globais, o que os aliados de Israel estão pressionando para que seja evitada.

Ucrânia e Rússia

Já a Ucrânia, que esteve em conflito aberto por ainda mais tempo, continua com a requisição de sistemas de defesa aérea para poder interceptar mísseis russos – bem como o Domo de Ferro atua em Israel.

Ainda continua a forte discussão na União Europeia sobre a questão do apoio à Ucrânia, devido a sentimentos nacionalistas priorizando os próprios fazendeiros, que sofrem da competição mais barata dos ucranianos. Em grande parte, as eleições europeias de junho devem estabelecer a posição da Europa nesse conflito.