Trump recebe veredito pela acusação de 34 crimes

O ex -presidente dos Estados Unidos Donald Trump, foi declarado ontem (30), responsável por 34 acusações envolvendo um pagamento de 130 mil dólares (aproximadamente 675 mil reais) a atriz pornô Stormy Daniels. Eles mantiveram um caso extraconjugal no ano de 2006, e Daniels recebeu esses valores 10 anos depois, em 2016, durante as eleições.

O pagamento foi feito no intuito de silenciar Daniels, já que poderia ser um dos motivos para que o republicano não fosse eleito. Contudo, para que acontecesse de forma discreta, foram constatadas fraudes contábeis entre o decorrer do ano de 2017.

O ex-advogado de Trump, Michael Cohen fez um trato com a atriz para que o caso não viesse a público, sendo o intermediador do pagamento realizado. O valor foi devolvido a Cohen após a eleição do ex-presidente.

Acusações

Falsificações em registros, fraudes financeiras e pagamentos ocultos somaram 34 acusações, sendo elas: 11 com falsos comprovantes de honorários ao ex-advogado, Michael Cohen e mais 11 de cheques emitidos para reembolsos realizados a ele, além de 12 a registros ligados a despesas legais.

Donald Trump enfrenta mais três processos criminais e um civil, ambos em tramitação com acusações de conspiração e manipulação de documentos confidenciais. Há 5 meses da eleição, o ex-presidente precisa ir além das campanhas e lidar com a justiça.


Trump na saída da Trump Towers pós coletiva com jornalistas para falar sobre seu julgamento (foto: reprodução/Michael M. Santiago/Getty Images)


Sentença definitiva

A sentença está prevista para acontecer no dia 11 de julho pelo juiz que assumiu o caso, Juan Merchan, podendo determinar até 4 anos de prisão a Trump.

O júri composto por 12 representantes, sendo sete homens e 5 mulheres, se reuniram durante dois dias em Manhattan para estudar o caso a fundo e chegar à decisão de inocência ou culpa do republicano, mas antes de anunciar o veredito, se reuniram a portas fechadas.

Segundo a opinião de especialistas americanos, é improvável que o candidato à presidência seja preso por questões como: Réu primário, idade e por já ter sido eleito anteriormente como presidente da república. Para eles, a condenação pode se transformar em liberdade condicional ou pagamento de multa.

Trump, que já havia feito declarações de que está passando por uma interferência eleitoral e reiterou aos jornalistas presentes do lado de fora do tribunal após o julgamento de ontem, que está sendo vítima de uma perseguição política. Ele acredita que querem impedir que ele seja reeleito o presidente dos Estados Unidos após sua vitória nas eleições de 2016.

Caso Trump: júri chega ao segundo dia de discussão para definir julgamento

Durante a manhã desta quinta-feira (30), os jurados do julgamento de Donald Trump retornarão para o tribunal com o objetivo de decidirem um veredito após serem apresentados aos depoimentos de testemunhas e provas. O julgamento do ex-presidente já dura cinco semanas, ele é suspeito de falsificar alguns documentos comerciais para encobrir pagamentos à estrela pornô Stormy Daniels em 2016. Ela alega ter tido um encontro com Trump, já o americano nega tudo. 

Jurados e veredito

Os julgamentos dos Estados Unidos estabelecem que qualquer audiência deve ter entre cerca de seis a doze jurados, se a sessão for de caráter federal, são obrigatoriamente escolhidos doze. A audiência enfrentada por Donald Trump contém os doze jurados e mais seis suplentes, mas eles não conseguiram chegar a um acordo após o primeiro dia, e segundo informações, os participantes pediram ao juiz a descrição dos depoimentos de Michael Cohen, ex-advogado de Trump, e de David Pecker, ex-editor do National Enquirer.


Donald Trump em audiência (Foto: reprodução/Jabin Botsford-Pool/Getty Images Embeed)


O juiz Juan Merchan também recebeu o pedido de que as instruções concedidas no primeiro dia de sessão fossem repetidas novamente para auxiliar na decisão das deliberações. O veredito deve ser uma escolha unânime dos jurados, se eles não chegarem a um acordo, Merchan deverá declarar o anulamento do julgamento.  

Depoimento

Michael Cohen trabalhou cerca de dez anos com Donald e seu depoimento é considerado um dos mais cruciais, pois ele foi um dos colaboradores envolvidos no caso. Cohen declarou que ele mesmo pagou os 130 mil dólares a Stormy para que ela não contasse sobre o encontro sexual, sendo que Trump teria concordado com a solução e elaborado um plano para reembolsar o advogado, utilizando parcelas disfarçadas de honorários.


Apoiadores de Trump protestando (Foto: reprodução/Spencer Platt/Getty Images Embeed)


A defesa do ex-presidente nega, afirmando que não se pode confiar em uma pessoa condenada e que possui um histórico de mentiras, os promotores do caso defendem que a presença de provas como e-mails e mensagens de voz confirmam o depoimento de Cohen. Ademais, segundo os promotores do procurador distrital de Manhattan, essa transação comercial secreta teria contribuído para a vitória de Donald em 2016, já que não foi revelada ao público. 

Declaração de Trump

Donald Trump durante todas as sessões ignorou os repórteres, mas em uma declaração rara para a imprensa, ele disse que tudo se trata de uma tentativa para impedi-lo de disputar as eleições americanas. Segundo o americano, ele está passando por um processo manipulador e mentiroso. Trump também enfrenta outros três processos que deverão ir a julgamento após as votações. 

A condenação não impediria o republicano de concorrer nas eleições, mas para diversas pesquisas, um resultado negativo contribuirá em um impacto na decisão dos eleitores que irão para as urnas no dia cinco de novembro.  

Defesa de Trump acusa ex-advogado de Stormy Daniels de extorsão

Aconteceu nesta quinta-feira (02) o julgamento penal do ex-presidente dos Estados Unidos, no qual ele enfrenta acusações por supostamente falsificar registros comerciais para ocultar um pagamento de $130 mil dólares feito à estrela de filmes adultos Stormy Daniels, pouco antes da eleição presidencial de 2016.

Trump está sendo alvo de uma investigação devido a suspeitas de ter realizado 34 transações contábeis fraudulentas para reembolsar o advogado pelo pagamento. O ex-presidente nega as acusações e refuta a afirmação de Daniels de que tiveram relações sexuais uma década antes.

O julgamento avançou com a presença de Keith Davidson, ex-advogado de Daniels, testemunhando no tribunal. Após ser questionado pela promotoria, o advogado de defesa de Trump, Emil Bove, procurou desafiá-lo.

No centro deste julgamento, onde um ex-presidente está sentado no banco dos réus pela primeira vez na história do país, está o pagamento feito a Daniels. A alegação é que o magnata tentou encobri-lo com despesas legais através de seu então advogado, Michael Cohen, que adiantou o dinheiro de seu próprio bolso.


Donald Trump e seus dois advogados Todd Blanche e Emil Bove em seu julgamento do dia 02/05 (Foto: reprodução/Bloomberg/getty Images Embed)


Acusação x Defesa

Depois que Davidson testemunhou que acertou um pagamento de $130.000 com Michael Cohen, advogado pessoal de Trump na época, Bove indagou sobre as alegadas tentativas de Davidson de obter dinheiro de Hulk Hogan em troca de um vídeo sexual envolvendo o ex-lutador. Ele também investigou Davidson sobre suas supostas tentativas de obter dinheiro com informações comprometedoras sobre celebridades.

O antigo advogado de Daniels contestou a utilização do termo “extorquir”, embora tenha admitido que foi objeto de investigação por autoridades federais e estaduais por suspeita de extorsão enquanto representava clientes que possuíam um vídeo sexual do ex-lutador profissional Hulk Hogan. No entanto, ele esclareceu que não foi formalmente acusado de nenhum crime.

Desacato e Penalidade

Os promotores estão buscando uma penalidade adicional para o ex-presidente dos Estados Unidos por desrespeitar uma ordem de silêncio que o impede de discutir testemunhas e jurados com a intenção de interferir nas investigações.

O valor de 4.000 dólares somaria à multa de 9 já recebida  pelo juiz do caso,na terça feira (30/04), que considerou que o ex-candidato presidencial republicano estaria violando a ordem do tribunal por conta de postagens nas redes sociais que levantavam dúvidas sobre o processo de seleção do júri e difamavam seu ex-advogado Michael Cohen, uma figura central no caso.

Fora das audiências, Trump declarou: “Não estou autorizado a testemunhar por causa de uma ordem de mordaça inconstitucional”, embora essa afirmação não seja precisa, já que a ordem de silêncio impõe proibições para testemunhar em seu julgamento

Em sua terceira campanha à presidência dos Estados Unidos, Trump está aproveitando a atenção da mídia (ainda que de forma negativa) para ressaltar que está sendo alvo de um “caça às bruxas” por todas as acusações que recebeu, afirmando ainda que seu julgamento atual é uma “interferência eleitoral”.