Chuva ajuda a evitar incêndios no Pantanal

A alteração no tempo tem ajudado no combate ao fogo em Corumbá no Mato Grosso do Sul. O frio é de 14 graus, o céu se encontra nublado e a chuva é fraca. Apesar das condições climáticas, esse foco de chuva tem auxiliado bastante a evitar incêndios na região próxima ao Pantanal. 

O meteorologista da região informou que o tempo permanecerá seco e a previsão é de chuva isolada e com pouca intensidade para quarta-feira (10). 

Em caso de chuva, a chuva pode amenizar ou diminuir a ocorrência de focos de calor. O mais provável para o Pantanal é o aumento da nebulosidade, a diminuição significativa das temperaturas e a possibilidade de chuva fraca, com períodos de chuviscos.

explica o meteorologista. 

De acordo com os bombeiros, a chuva tímida não destrói o solo, e nem apaga o fogo, mas impede que ele se propague. A promessa da chuva, é um alívio para aqueles que atuam há 39 dias nos dois principais focos de incêndio nas regiões do Paraguai-Mirim e da Nhecolândia no Mato Grosso do Sul. 

Aqueles que estão na linha de frente, combatendo o fogo, precisam ser orientados. É da sala de controle em Campo Grande que saem as informações que abastecem o quartel do Corpo de Bombeiros em Corumbá. São 18 militares que mantêm uma vigilância permanente sobre elas, 24 horas por dia. As imagens de satélite permitem analisar a previsão do tempo, a velocidade do vento e os focos de calor.

“Quando percebemos um incêndio, acionamos as guarnições que estão distribuídas, tanto nas unidades operacionais quanto nas bases avançadas. Dessa forma, temos o máximo de informações, como coordenadas geográficas e como está o andamento daquele evento”, explica Tatiane Inoue, do Corpo de Bombeiros de MS.

O espaço das Forças de Segurança do estado começou a ser usado para monitorar o Pantanal devido à gravidade dos incêndios.

Aqui está o planejamento de toda a estrutura distribuída pelo Pantanal. Desde a manutenção de equipamentos até o custeio de novos materiais

explica Tatiane Inoue.

Corpo de Bombeiros trabalhando contra o fogo — (Foto: Reprodução/Bruno Rezende/Comunicação Governo de MS)

Pantanal sob ameaça

Os estudos do Cemtec e da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Inovação) mostram que, no Pantanal, o risco de incêndio está entre o “moderado” e o “extremo”, sendo o mais crítico nas regiões norte, noroeste e nordeste.

Os trabalhos de combate aos focos de incêndio são realizados por meio de terra, água e ar, tanto no combate quanto na prevenção. As equipes do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul atuam na região desde 2 de abril de 2024 e, desde então, já foram empregados 446 militares nas ações de prevenção, preparação e combate aos incêndios florestais.

As ministras Marina Silva e Simone Tebet estiveram presentes em Corumbá no dia 28 de junho para uma reunião técnica com o governador do Estado, Eduardo Riedel, para discutir a situação no bioma.

Ao final da apresentação técnica, o governador solicitou às ministras um projeto de 50 milhões de reais para o combate aos incêndios.

Os governos estaduais determinaram a proibição total do uso de fogo até o final do ano, inclusive para atividades de renovação de pastagem.


Fogo no Pantanal em 2024. — (Foto: Reprodução/João Paulo Gonçalves/Comunicação Governo de MS)

Desde janeiro até agora, o incêndio no Pantanal já destruiu 763 mil hectares.

PF instala comitê de crise para apurar origem dos incêndios no Pantanal 

Devido aos fortes incêndios que assolam a região pantaneira, foi montado pela Polícia Federal um gabinete de crise capaz de investigar a origem dos constantes incêndios. Neste ano, o fogo que corrompe o bioma já chegou a destruir o equivalente a 684 mil campos de futebol.

Crise Pantaneira

Nesta última quinta-feira (27), integrantes da Força Nacional, parte do gabinete de crise criado pela PF, chegaram na região afetada pelo fogo. A situação se encontra cada dia mais tensa, deixando o bioma completamente vulnerável e fraco. A intensidade do fogo permite que o cenário apresentado àqueles na região seja de uma noite pintada de vermelho. 

De acordo com o subtenente do Corpo de Bombeiros do MS, Edraudino Lúcio, o combate em cima de alguns focos contou com o apoio de fazendeiros locais somado a ajuda de tanques de água e uma motobomba puxada por trator. Ele também conta que o combate foi feito 500 metros à frente do local afetado para que o fogo fosse apagado linearmente na volta. Militares também estão na ativa, caminhando sob a vegetação queimada, dando suporte aos combates dos bombeiros e brigadistas.  


Combates à incêndios no Pantanal (Foto: reprodução/ Bruno Rezende/ G1)

“E assim a gente está continuando o combate, até a extinção total desse fogo”, conta o subtenente. A guarnição do Corpo de Bombeiros é responsável pela aplicação de técnicas de combate além de verificar a progressão do incêndio.  

“Isso aqui é um cupim, que nós debelamos o incêndio, extinguimos. Mas, quando abrimos, descobrimos que ele estava em chamas”, conta o tenente do Corpo de Bombeiros de MS, Tatiane Inoue. Abafadores, sopradores e bombas costais também são usadas como apoio na luta contra o fogaréu alastrante. Segundos os bombeiros, um dos aparelhos, o soprador, potencializa a ação antes efetuada com o abafador.  

Preparação da força-tarefa

A maior estratégia dos responsáveis contra o incidente é combater as chamas longe da luz solar, controlando os incêndios no período noturno. Segundo o coordenador do Prevfogo/MS, Márcio Yule, trabalhar durante a noite desgasta menos os combatentes além de ter uma temperatura mais tranquila assim como menos vento, facilitando o controle da força-tarefa.  

Bombeiros, Marinha e Ibama/Prevfogo — um dos braços do Ibama que também está recebendo apoio — concentraram o maior número de militares e brigadistas no Pantanal. As instituições já contam com cerca de 260 pessoas e espera-se que o número aumente pelos próximos dias. Nesta quinta-feira, quarenta militares da Força Nacional chegaram na região de Corumbá.  

“As guarnições que forem para combate vão estar reforçando essa linha de frente, e alguns militares da Força Nacional também vão ficar aqui nos auxílios aqui na região de Corumbá, que é o nosso centro de comando de incidentes”, comenta Gabriel Lopes, capitão dos Bombeiros de MS.  

O comitê de gerenciamento da Policia Federal foi montado em Ladário, no Pantanal. A polícia receberá apoio de peritos brasilienses e de outros estados, assim como mais combatentes para atuar na região. Segundo informações, a polícia quer identificar e responsabilizar possíveis autores de crimes ambientais.  

Nova onda de calor: Mato Grosso do Sul e Paraná podem chegar até 35ºC

O Climatempo alerta para a quarta onda de calor do ano, que deve afetar principalmente Mato Grosso do Sul, Paraná, centro e oeste de São Paulo, Triângulo Mineiro e sul de Goiás. Nessas regiões, os termômetros podem registrar até 35°C, intensificando o calor já persistente.

Sistema de alta pressão atmosférica bloqueia frentes frias e intensifica o calor. Segundo os meteorologistas, a formação da onda de calor se deve a um sistema de alta pressão atmosférica que impede a chegada de frentes frias e intensifica o calor na região. Essa massa de ar quente e seco, característica do Centro-Oeste, deve permanecer sobre a região no final de abril, influenciando todo o país.

Apesar do início do outono, as altas temperaturas persistem, configurando um cenário de “verão prolongado”. Segundo o meteorologista Fábio Luengo, do Climatempo, essa situação é comum no início da estação, que representa uma transição entre as estações.


Infográfico sobre a nova onda de calor (Foto: reprodução/Arte G1/Kayan Albertin)


O que são ondas de calor?

Ondas de calor são fenômenos climáticos caracterizados por temperaturas elevadas que persistem por um período prolongado, geralmente cinco dias ou mais. Para ser considerada uma onda de calor, a temperatura deve estar pelo menos 5°C acima da média para a região naquele período do ano.

Uma onda de calor se forma quando uma massa de ar quente fica bloqueada na atmosfera, geralmente devido a sistemas de alta pressão que impedem a chegada de frentes frias e intensificam o calor.

Além disso, o El Niño desempenha um papel importante no surgimento das ondas de calor, aquecendo a atmosfera e intensificando as altas temperaturas. As mudanças climáticas também estão contribuindo para a ocorrência de eventos climáticos extremos, como as ondas de calor, tornando-as mais frequentes e intensas.

Locais que serão afetados pela onda de calor

Segundo a Climatempo, o calor intenso continuará nos próximos dias no Centro-Sul do Brasil, especialmente em áreas como Mato Grosso do Sul, Paraná e oeste de São Paulo, devido ao fluxo de ar quente.

A quarta onda de calor em quatro meses se intensifica gradualmente, resultado do sistema de alta pressão atmosférica que inibe a formação de nuvens e intensifica o calor, impedindo também a ocorrência de chuvas.

Apesar de algumas regiões serem mais impactadas, o Climatempo alerta que a maioria dos brasileiros deve se preparar para temperaturas excessivamente altas. Hidratação constante e cuidados com a saúde são essenciais para enfrentar esse período de calor intenso.

Enquanto isso, em regiões como Minas Gerais, leste de São Paulo, Goiás e Distrito Federal, as temperaturas mínimas podem registrar valores mais baixos devido à presença de ar seco. Esse padrão climático deve persistir até pelo menos 2 de maio, podendo estender-se até a primeira semana do próximo mês.