Minimalismo em queda: a temporada de Milão consagra o maximalismo como a nova linguagem da moda

A Semana de Moda de Milão deixou claro: o minimalismo perdeu espaço. Em seu lugar, uma explosão de cores, brilhos e formas maximalistas tomou conta das passarelas, sinalizando não apenas uma tendência estética, mas também um posicionamento político e cultural. Se antes a sobriedade era associada ao bom gosto, agora ocupar espaço com intensidade parece ser o recado da temporada primavera/verão 2026.

Cores como resistência

Desde a pandemia, quando coleções luminosas simbolizavam um respiro em meio ao caos, não se via tantas cores reunidas em Milão. Quatro anos depois, a moda responde a um mundo mais conservador com a contramão do excesso. Gucci, Fendi e Prada foram algumas das marcas que transformaram suas passarelas em manifestos visuais, onde a liberdade cromática virou linguagem de resistência.

Maximalismo em alta

Na Gucci, Demna apostou em referências à história da maison, misturando storytelling com cinema em sua pré-estreia criativa. A coleção “La Famiglia” trouxe símbolos da família Gucci, acessórios icônicos repaginados e até um curta-metragem estrelado por Demi Moore para traduzir a nova fase da grife.


Coleção primavera/verão 2026 da Gucci (Foto: reprodução/Instagram/@gucci)


Na Fendi, Silvia Venturini Fendi levou leveza às peças urbanas e florais, explorando estampas botânicas, conjuntinhos lúdicos e acessórios que mais pareciam brinquedos. A proposta foi criar uma moda descontraída, colorida e fresca, em sintonia com um novo ciclo da marca.


Coleção primavera/verão 2026 da Fendi (Foto: reprodução/Instagram/@fendi)


Já a Prada assinou um desfile que questionou a rigidez da moda tradicional, propondo roupas mutáveis, quase vivas. Com Miuccia Prada e Raf Simons à frente, a coleção “Body of Composition” apostou em cores vibrantes, silhuetas em constante transformação e um manifesto visual sobre liberdade estética e expressão pessoal.


Coleção primavera/verão 2026 da Prada (Foto: reprodução/Instagram/@prada)


Na Bottega Veneta, Louise Trotter estreou como diretora criativa com uma coleção que uniu quiet luxury, tradição artesanal e frescor contemporâneo. Alfaiataria moderna, couro intrecciato reinterpretado e acessórios icônicos repaginados marcaram uma estreia sofisticada e funcional, voltada para a mulher real.


Coleção primavera/verão 2026 da Bottega Veneta (Vídeo: reprodução/Instagram/@newbottega)


Na Roberto Cavalli, Fausto Puglisi apresentou uma coleção inteiramente dourada, inspirada no ouro e na Antiguidade. Tecidos preciosos, efeitos espelhados e silhuetas fluidas transformaram a passarela em um espetáculo cintilante, vibrante e maximalista.


Coleção primavera/verão 2026 da Roberto Cavalli (Foto: reprodução/Instagram/@roberto_cavalli)


Já a Versace, sob o comando de Dario Vitale, trouxe de volta o maximalismo oitentista em um desfile ousado e sensual. Peças coloridas, cintilantes e cheias de sobreposições resgataram o espírito de Gianni Versace, mostrando que a marca mantém sua identidade vibrante mesmo em novas mãos.


Coleção primavera/verão 2026 da Versace (Foto: reprodução/Instagram/@versace)


Uma moda que reage

Milão decretou o fim do minimalismo com um recado claro: a moda não é apenas sobre roupas, mas sobre a forma como nos posicionamos no mundo. Se o contexto pede contenção, os desfiles respondem com intensidade. Brilho, cor e excesso não são apenas tendências passageiras, mas expressões de liberdade e resistência diante de tempos em que tudo parece querer ser reduzido ao preto e branco.

Simone Bellotti reinterpreta o minimalismo na estreia da Jil Sander em Milão

A estreia de Simone Bellotti à frente da Jil Sander, apresentada nesta terça-feira (24), durante o segundo dia da Milão Fashion Week, partiu da reflexão sobre como inserir sua identidade em uma marca conhecida por reduzir e subtrair. Essa resposta se materializou em roupas que, embora respeitem o legado da fundadora, trazem nuances pessoais e contemporâneas.

O legado de Jil e a herança purista

Jil Sander nunca quis ser rotulada como “rainha do minimalismo”. Preferia ser chamada de “purista”, enfatizando a forma, a técnica e a matéria-prima, e não apenas o efeito final. Essa busca pela essência continua sendo a espinha dorsal da marca — e foi justamente esse vocabulário que Bellotti escolheu como base para sua estreia. Em vez de se afastar do passado, o designer italiano decidiu revisitá-lo, adicionando camadas que ampliam a narrativa original.

Bellotti partiu desse vocabulário para construir sua coleção: linhas limpas, silhuetas estruturadas e uma alfaiataria aparentemente simples, mas repleta de detalhes arquitetônicos. Uma saia lápis ganha interesse nas pequenas ancas pontiagudas dos quadris; um vestido básico se reinventa com recortes laterais; e uma malha cropped traduz ausência e subtração. O desfile se apresentou quase como uma aula de matemática — onde equações se transformam em roupas.


Desfile da marca Jil Sander (Foto: reprodução/Gamma-Rapho/Victor VIRGILE/Getty Imagens Embed)


Traços esportivos na alfaiataria

A herança esportiva da marca também esteve presente, sugerindo movimento e energia urbana. Mas Bellotti acrescentou delicadeza e emoção, numa clara lembrança da passagem de Raf Simons pela grife. Silhuetas que acentuam a cintura, tecidos que insinuam romance e uma cartela de cores que equilibra cinzas e pretos com laranja, azul-anil e roxo-berinjela reforçam essa dualidade entre rigor e sentimento. Essa mistura mostra que o essencial pode ser ao mesmo tempo racional e afetivo, trazendo sofisticação e humanidade à coleção.


Desfile da marca Jil Sander (Foto: reprodução/Vittorio Zunino Celotto/Getty Imagens Embed)


Minimalismo como escape

Talvez o gesto mais simbólico tenha sido a inclusão do jeans, tratado não como elemento casual, mas como peça carregada de significado. Em um mundo saturado de estímulos visuais, vestir-se de forma elementar soa como um ato de resistência. O minimalismo, aqui, não é apenas estética, mas uma proposta de escape, um retorno ao que realmente importa. Bellotti parece compreender que a moda contemporânea precisa oferecer espaço para respirar — e a Jil Sander, sob sua condução, se posiciona como refúgio de clareza em meio ao excesso.


Desfile da marca Jil Sander (Foto: reprodução/Vittorio Zunino Celotto/Getty Imagens Embed)


O futuro da Jil Sander sob a visão de Bellotti

A estreia de Simone Bellotti não foi apenas um exercício de continuidade, mas um gesto estratégico que aponta para onde a marca pode caminhar nos próximos anos. Ao mesmo tempo em que honra o legado purista de Jil, baseado na precisão técnica e na obsessão pela forma, Bellotti insere uma camada de emoção e humanidade que reposiciona a grife diante de um cenário global cada vez mais acelerado.

Essa leitura contemporânea do minimalismo sugere uma ruptura sutil, mas poderosa: se nos anos 1990 a simplicidade era um manifesto de disciplina, hoje ela se transforma em ferramenta de escape, um antídoto contra o excesso de estímulos visuais e tendências descartáveis. Bellotti entende que a clareza não precisa ser fria, que a pureza pode ser também afetiva, e que a moda essencial tem espaço para narrativa, romance e movimento.

Ao unir rigor arquitetônico e delicadeza emocional, o designer sinaliza um novo capítulo para a marca alemã — um minimalismo que dialoga com o caos do presente, oferecendo refúgio, sofisticação e relevância. Nesse sentido, a estreia de Bellotti não apenas reforça a identidade da Jil Sander como também a reposiciona no mapa global da moda.

NYFW Dia 6: Ousadia, minimalismo e raízes tropicais marcam a temporada

No sexto dia da New York Fashion Week, a moda reafirmou sua capacidade de ser múltipla, contraditória e, acima de tudo, emocionante. Da exuberância maximalista ao silêncio refinado do minimalismo, os desfiles de LaQuan Smith, Bevza, Lii e PatBO provaram que os opostos não apenas coexistem — eles se potencializam.

Em um momento em que o público busca autenticidade e personalidade, a semana de moda nova-iorquina se fortalece justamente nas diferenças que cada criador imprime em suas coleções.

LaQuan Smith: Sedução com sofisticação

Conhecido por seu domínio do glamour noturno, LaQuan Smith trouxe uma nova camada de sofisticação à sua estética sensual e poderosa. Inspirado por uma figura feminina que mescla força e vulnerabilidade, o estilista apresentou uma coleção que equilibra o artesanal e o audacioso seguido por peças que exploram contrastes materiais: chiffon etéreo ao lado de couro croco, organza com brilho frente ao peso da camurça sintética.


Desfile da LaQuan Smith (Foto: reprodução/Instagram/@style__echo)

Destaque para os conjuntos em couro entrelaçado e a ousada releitura da camisa oversized em organza. A novidade da temporada ficou por conta da introdução de elementos de alfaiataria como calças cigarrete e blazers de risca de giz que, mesmo dentro de uma proposta mais pragmática, mantiveram a assinatura provocativa da marca.

Bevza: Modernismo Ucraniano como ato de resistência

Em uma apresentação profundamente pessoal, Bevza mergulhou nas raízes ucranianas para criar uma coleção marcada pelo rigor geométrico e pela força simbólica. Inspirada pelo modernismo de Kazimir Malevich, a designer explorou o minimalismo com densidade emocional, destacando elementos como o trigo símbolo de fertilidade.


Apresentação da Bevza na NYFW (Vídeo: reprodução/Instagram/@bevza)


Vivendo em Londres desde 2023 por conta da guerra, Bevza fez da passarela um espaço de pertencimento e resistência, celebrando a próxima abertura de sua loja em Kyiv como um símbolo de renascimento. A coleção, ao mesmo tempo austera e poética, reafirma o papel da moda como ferramenta de expressão política e cultural.

Lii por Jiané Li: A força do silêncio

Com sua estreia solo em Nova York, Jiané Li trouxe uma aula de minimalismo inventivo com a marca Lii, mostrando que simplicidade e inovação caminham juntas. Inspirada pelo filme Memoria, de Apichatpong Weerasethakul, Li traduziu a ideia de memória sonora em peças que exploram o movimento e a estrutura de forma surpreendente.

Desfile da Lii na NYFW (Foto: reprodução/Instagram/@l__i_i)

Entre os destaques, uma saia lápis azul que se abria em um quadrado verde esmeralda. A colaboração com a Nike trouxe ainda mais camadas à coleção, como um parka feito do material das bolsas de golfe da marca e jaquetas cropped com modelagem arredondada. Lii reafirma que o futuro do minimalismo passa por precisão, conceito e emoção.


PatBO: O Brasil em festa

Encerrando o dia em clima de celebração, a PatBO transformou a passarela em um jardim tropical com sua coleção Verão 2026, intitulada Latin Soul. Sob a direção criativa de Patricia Bonaldi, a marca reafirmou o poder do design brasileiro com uma proposta que mescla romantismo, sensualidade e exuberância.

Desfile de PatBO na NYFW (Foto: reprodução/Instagram/@patbo)

Os bordados marca registrada da grife ganharam protagonismo absoluto, com pétalas de tecido e cristais formando flores e penas sobre biquínis, vestidos e saias. O balonê voltou com força, ao lado de babados, crochês e estampas em petit poá. A estreia da linha de calçados trouxe ainda mais impacto visual, com saltos metálicos, plumas e plataformas que completaram o show e os looks de convidadas como Sofi Tukker e Ingrid Guimarães.

A NYFW Dia 6 deixou uma mensagem clara: a moda vive um momento de pluralidade criativa, onde não há espaço para fórmulas prontas. O que une essas vozes tão distintas é a coragem de ser autêntico. Seja nas noites sensuais de LaQuan Smith, na sobriedade engajada de Bevza, na elegância silenciosa de Jiané Li ou na exuberância tropical da PatBO, a semana de moda nova-iorquina prova que o verdadeiro luxo é ter ponto de vista.

Minimalismo urbano da MNMAL estreia na SPFW N59

A marca MNMAL, do estilista Flavio Gamaum, fez sua estreia na passarela da São Paulo Fashion Week N59 nessa quinta-feira (10), levando, assim como revela seu acrônimo, o minimalismo contemporâneo à semana de moda. Fundada em 2022, a MNMAL nasceu da experiência de Flavio no varejo e atacado da moda brasileira, trajetória que começou em Maringá, no Paraná, onde cresceu acima da loja de máquinas de costura da família.

Flavio desenvolveu seu olhar criativo na prática, trabalhando em multimarcas e como gerente comercial, função essa que exerceu por quase uma década, com marcas como Coach, Forum, Animale, Osklen e Farm. A MNMAL surgiu visando criar peças essenciais para compor looks completos, apostando em bons básicos urbanos, sem logomanias ou excessos.

Proposta de cores e materiais

Com incentivo de amigos e clientes, Flavio investiu na construção da marca, que mantém uma loja na Rua Mateus Grou, em São Paulo. O début na passarela trouxe uma coleção trabalhada na malha, no jeans e com leve inspiração na alfaiataria, reafirmando a identidade minimalista da marca.

A paleta de cores transita por tons sóbrios como creme, bege, preto, azul, cinza e um toque de roxo para quebrar a sobriedade do minimalismo. As peças, com pegada urbana e esportiva, revelam influências do estilo estudante e workwear. Trazendo moletons, conjuntos de denim, blazers sem lapela, camisas xadrez, jaquetas bomber e até underwear: a moda que veste o cotidiano.

O denim, aliás, é uma das matérias-primas centrais da MNMAL e aparece em casacos, blazers, bermudas, macacões, bolsas e muitas outras peças. Outra aposta da marca é o algodão regenerativo cultivado em sistema de sequeiro, que reduz o consumo de água na produção têxtil, reforçando um compromisso com sustentabilidade na moda.



Versatilidade

A coleção transita com fluidez entre os gêneros, apresentando versatilidade e novos contornos, com espaço para calças retas de moletom, jeans em lavagens claras, xadrezes tradicionais e náilons com acabamento refinado.



O minimalismo deixou de ser algo visto como o rival das tendências para se transformar, efetivamente, em uma verdadeira tendência de moda. Essa é nossa verdade na MNMAL, em todas as nossas coleções, em cada peça, desde o nascimento da marca”, afirma Flavio Gamaum no material de divulgação.

MNMAL desfilou nas passarelas do SPFW um minimalismo cheio de identidade, que serve ao cotidiano e às diversas situações que pedem originalidade e estilo.

Minimalismo digno de prêmio: confira o look de Fernanda Torres para o Globo de Ouro 2025

Mais de 20 anos depois da primeira indicação brasileira para a categoria de Melhor Atriz de Drama (que, inclusive, foi de sua mãe), Fernanda Torres caminhou pelo tapete vermelho da 82ª Edição do Globo de Ouro carregando sua primeira nomeação e a expectativa de um país inteiro. A armadura usada para enfrentar essa gloriosa batalha foi um vestido orgânico e linear do estilista belga Olivier Theyskens. 


Fernanda Torres veste Olivier Theyskens para Globo de Ouro (Foto: reprodução/Instagram/@antoniofrajado) 

A peça couture foi adaptada para as medidas da atriz. O stylist responsável é Antonio Frajado, carioca que vem comandando todas as produções da atriz para a divulgação do filme “Ainda Estou Aqui”, e para as próximas etapas da temporada de premiações de 2025. 

As joias que adornavam Fernanda, e adicionaram ainda mais elegância para o vestido que contava com um decote oval nas costas, eram do também brasileiro Fernando Jorge. 


Fernanda Torres aposta em joias brasileiras para Globo de Ouro (Foto: reprodução/Instagram/@antoniofrajado)

O contato entre a equipe de Fernanda e o designer belga aconteceu por intermédio da atriz Alexia Niedzielski. Olivier, que já vestiu outras estrelas, como Madonna, Nicole Kidman e Cate Blanchett, relançou sua marca homônima em 2016, após passar como diretor criativo por diversas casas – Rochas (2002 a 2006), da Nina Ricci (2007 a 2009) e da Azzaro (nomeado em 2020). 

Se consagrando vitoriosa, em um cenário de extrema surpresa para atriz, Fernanda Torres comemorou, para além de seu prêmio, o que a estatueta refletia para o cinema brasileiro. Com sua performance em “Ainda Estou Aqui”, longa-metragem que adapta para as telas a obra de Marcelo Rubens Paiva, com direção de Walter Salles, a atriz concorreu na categoria com um seleto grupo de grandes nomes, entre Angelina Jolie e Demi Moore, e fez história ao ser a primeira brasileira a ganhar.

Styling e estética

A tarefa de vestir Fernanda recaiu ao carioca Antonio Frajado a mais de 20 anos. A parceria duradoura não é por acaso, mas o stylist afirma que os últimos meses têm sido os mais difíceis de sua carreira. 

Em entrevista ao Splash Uol, Frajado comentou: “Foi uma das coisas mais difíceis da minha trajetória, porque não é apenas escolher um look bonito, mas ele precisa ser adequado com o tapete vermelho e, ao mesmo tempo, coerente com a narrativa do filme e da Fernanda.”. O longa “Ainda Estou Aqui” conta a história de Eunice Paiva e de sua família afligida pelos horrores da ditadura militar no Brasil, e por ser um tema extremamente denso, a preocupação de atriz e equipe sempre foi manter a sobriedade, sem abandonar a elegância, de uma maneira que equalizasse os horrores do período retratado no filme.


Fernanda Torres veste Olivier Theyskens para Globo de Ouro (Foto: reprodução/ROBYN BECK/Getty Images Embed)


Segundo Frajado, Fernanda também não permite muitos exageros e possui uma alma minimalista. Para o stylist, a roupa nunca vem antes da atriz, que não gosta muito de cores, então sempre acaba por optar por looks mais neutros ou em tons de preto. 

Apelo internacional

Ao longo das últimas semanas do ano de 2024, e dos poucos dias que deram início a 2025, Fernanda Torres alcançou prestígio para além da mídia brasileira. A atriz foi destaque em publicações internacionais, como a americana W, o The New York Times e a Vanity Fair. Em meio a essas aparições constantes, a brasileira, em conjunto com seu stylist, tiveram a difícil (mas prazerosa) função de administrar seu trabalho de imagem. “Tenho que ser fiel à Eunice. Ela foi uma mulher discreta, estou ali para honrar sua história e representar o filme.”, afirmou a atriz em entrevista para a Vogue Brasil, logo após o lançamento da obra nos cinemas brasileiros.

Com aposta em looks minimalistas e sofisticados, que mesclam entre marcas internacionais e nacionais, Fernanda Torres está deixando a marca de seu nome e de sua arte no glamuroso mundo da sétima arte.

Tendência: bege monocromático é a aposta para 2025

Se há uma cor que promete reinar absoluta no mundo da moda em 2025, é o bege monocromático. Destaque nas passarelas de Paris, Milão e Nova York, a tonalidade minimalista deixou de ser temida para se transformar no queridinho das fashionistas. Elegante e versátil, o bege surge como aposta certeira para quem deseja produções sofisticadas, modernas e descomplicadas.

Motivos para apostar no bege monocromático

A graça do bege está na sua versatilidade e atemporalidade. Em looks totalmente monocromáticos, a cor assume protagonismo em peças como suéteres, casacos, calças e acessórios, criando visuais impecáveis da cabeça aos pés. A chave está em misturar tons e texturas, criando combinações que exalam sofisticação sem perder a simplicidade.


Misture texturas em tons monocromáticos (Foto: reprodução/Instagram/@nnennaechem)

Peças claras, como coletes e saias longas, são perfeitas para looks frescos e elegantes em dias ensolarados. Já no inverno, tricôs e overcoats em tons mais escuros de bege garantem um visual confortável e chique. Para ocasiões mais formais, camisas de alfaiataria combinadas com calças amplas são escolhas certeiras, especialmente se acompanhadas de acessórios em tons de camelo.

Como reinventar o minimalismo com criatividade

Se você está receosa de mergulhar de vez nessa tendência, pode começar aos poucos, apostando em calçados ou acessórios bege para complementar o visual. Um truque para sair do óbvio é brincar com modelagens e misturar peças inusitadas, como uma blusa ombro a ombro com saia longa. Outra alternativa é inserir texturas e estampas discretas, como o animal print nos pés, para adicionar um toque de personalidade ao look monocromático.


O Bege promete ser a tendência de 2025 (Foto: reprodução/Instagram/@linhniller)

Em 2025, o bege prova que minimalismo e criatividade podem andar de mãos dadas. A paleta neutra abraça a diversidade de estilos e momentos, reafirmando que elegância também pode ser descomplicada. Então, está na hora de deixar o preconceito de lado e se render ao tom que já conquistou o coração das fashionistas ao redor do mundo. Afinal, o bege monocromático chegou para dominar.

Veja 5 modelos de sapatos dos anos 90 que voltaram com tudo em 2024

A moda dos anos 90 está fazendo um retorno, não só nas roupas minimalistas, mas também nos calçados. As passarelas estão repletas de sandálias de plataforma, coturnos e mocassins, revivendo a estética marcante dessa época e destacando sua influência na atualidade.

Assim, a nostalgia se mistura com as duas principais tendências de moda para 2024: o minimalismo, regularmente chamado de “quiet luxury”, e o estilo mais audacioso, impulsionado pelo álbum “BRAT”, de Charli XCX.

Mocassins

As supermodelos pioneiras se destacavam com uma estética simples, que se mantinham elegantes até em seus momentos de descanso, com os looks “off duty”. O segredo está em usar peças clássicas que valorizam qualquer visual. Itens como blazers de couro e mocassins eram indispensáveis.


Gucci Primavera/Verão 2024 (Foto: reprodução/Gabriel Bouys/Getty Images Embed)

Dado que mocassins e Gucci estão associados, não é de se estranhar que, neste ano, a grife italiana tenha reinventado o clássico. Com um design de plataforma e uma combinação slip dress com sobretudo, a marca apresentou um look de despojado que também pode ser prontamente adaptado para o ambiente de trabalho.

Tênis com cano alto

Os tênis com cano alto evoluíram bastante ao longo dos anos. Em 1994, eles ainda eram uma novidade para quem queria ousar e transformar seus looks. Naquele ano, a passarela de Jean Paul Gaultier apresentou esses tênis em sua coleção, oferecendo uma nova forma de expressar personalidade.


Desfile da Schiaparelli Primavera/Verão 2024 (Foto: reprodução/Schiaparelli)

Hoje em dia, esse modelo continua a dominar o cenário da moda, sendo incorporado a visuais sofisticados e variados, como demonstrado no desfile da Schiaparelli em 2024.

Mary Janes

Os Mary Janes se tornaram um sucesso desde o ano passado, especialmente após serem amplamente promovidos no TikTok, conquistando o gosto das mulheres globalmente. No entanto, sua popularidade não é uma novidade; eles já eram destaque nas coleções de 1994 de designers como Anna Sui e Calvin Klein.


Loewe Primavera/Verão 2024 (Foto: reprodução/Vogue)

Nos desfiles de verão de 2024, a elegância atemporal dos Mary Jane foi revisitada por marcas como Bally e Antonio Marras, que combinaram esses modelos com saias e camisas. Em contraste, Loewe e Zimmermann preferiram os modelos “T Bar” para usar com jeans, ao longo que Paul & Joe e Nina Ricci optaram por versões com salto para complementar vestidos mais elaborados.

Sapatilhas

Desde que foram lançadas em 1940, as sapatilhas têm sido uma peça fundamental no vestuário feminino. Criadas para unir elegância e conforto, elas brilharam particularmente durante a década de 90.


Sapatilha inspirada na The Row (Foto: reprodução/Instagram/@josefinehj)

Na atualidade, as sapatilhas ainda representam uma espécie de sofisticação, mas os modelos de malha, inspirados pelo design icônico da The Row em 2019, têm causado grande impacto. Marcas como 3.1 Phillip Lim e Simone Rocha seguiram a tendência, trazendo suas próprias interpretações.

Coturnos

É fato que os coturnos ganharam relevância no cenário da moda com o movimento punk dos anos 70, contudo, foi na década de 90, com a influência do grunge, que eles retornaram com força. Hoje, em 2024, os coturnos estão mais em alta do que nunca, como evidenciado pelos looks da cantora Olivia Rodrigo.


Olivia Rodrigo usando coturno (Foto: reprodução/Jenny Anderson/Instagram)

As escolhas são inúmeras, abrangendo desde o estilo casual tradicional, com jeans, camisetas e jaquetas de couro, até looks mais elegantes, como os vestidos volumosos.

Fendi volta aos anos 80 na Semana de Moda de Milão

A Semana de Moda de Milão começou e o diretor criativo da Fendi, Kim Jones, fez um retorno às criações da marca de 1984 no desfile que aconteceu nesta terça-feira (20). Ele também se inspirou em elementos de sua vida pessoal para dar vida à coleção, com modelos revivendo tailleurs, couro com acabamento em vinil, silhuetas orientais e botas de cano longo.

Workwear e minimalismo

Para a concepção da coleção, Kim Jones foi direto à famigerada década de 80 e misturou as criações oitentistas da marca com suas memórias pessoais da época:

“Eu estava olhando os arquivos de 1984 da Fendi e os croquis me lembraram Londres neste período: a banda Blitz Kids, o movimento extravagante New Romantics, a adoção da ‘roupa de trabalho”, o estilo japonês …”

Kim Jones

E o resultado na passarela foram peças de workwear com combinações hiper sóbrias e elegantes nos tons mais clássicos para se trabalhar num escritório: azul marinho, marrom, cinza e preto. Esse visual foi baseado no livro “Mulheres vestidas para o sucesso”, de John Molloy, um best-seller de 1975 nos Estados Unidos. O autor ajudou a instaurar o novo paradigma de como se vestir no mundo corporativo, trocando peças que não combinavam entre si por tailleurs e terninhos sóbrios.


Moda workwear e minimalista da Fendi, coleção Inverno 2024 (Foto: reprodução/Getty Images/Marie Claire/Montagem por Fernanda Eirão)

Já as peças com inspirações mais orientais de Jones revelaram blazers meio kimonos, silhueta “arredondada” e gola Mao, que se assemelha à farda usada por Mao Tsé-Tung. A influência veio de estilistas como Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto na moda ocidental, em especial a francesa dos anos 80.

Sexy e exuberante

A moda da década de 80 é uma que pode ser reconhecida quase que imediatamente. O revival nostálgico da época na cultura pop ajudou a popularizar esse visual novamente. Estrelas oitentistas como Madonna, David Bowie e Grace Jones eram fotografados em festas com visuais singulares e exagerados. Esse excesso foi o que inspirou Jones.


Moda sexy e extravagante inspirada nos anos 80 (Foto: reprodução/Getty Images/Marie Claire/Montagem por Fernanda Eirão)

As botas over the knee de couro envernizado, os casacos e golas de pelo e as estampas feitas de em organza e tules transparentes foram um show à parte, um visual indicado para uma festa. Se a trilha sonora tiver faixas de bandas como Blitz Kids e Queen, então a escolha irá cair como uma luva.