ONU alerta sobre impacto da IA em empregos no mundo todo

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que o mercado mundial de inteligência artificial (IA) deve atingir 4,8 trilhões de dólares (cerca de R$ 27 trilhões) até 2033. A ONU sinalizou que quase metade dos empregos globais podem ser afetados. A IA, apesar de alavancar economias, também apresenta riscos nocivos de favorecimento de desigualdades. A ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) explicou isso em novo relatório.

De acordo com o documento, a utilização da inteligência artificial, apesar de gerar ganhos de produtividade, tem a capacidade de afetar 40% dos empregos no mundo e traz preocupações sobre a automação e a perda de vagas de trabalho. À medida que ondas tecnológicas anteriores afetaram principalmente a classe operária, a UNCTAD salienta que com a IA, empregos que envolvem tarefas cognitivas estão mais propensos a sofrerem impactos

IA e tecnologia no futuro

Isso significa que a força de trabalho de economias maiores sofrerá, majoritariamente, mais consequências. No entanto, estas economias têm mais vantagem para aproveitar os benefícios da IA do que as emergentes. A ONU ainda afirma que a situação é parecida no caso da IA generativa. No entanto, de acordo com o relatório, a IA generativa “poderia oferecer um potencial maior de aumento da mão de obra do que a automação, especialmente em países de rendas baixa e média”.


O ChatGPT é uma das principais inteligências artificiais generativas (Foto: reprodução/Lionel Bonaventure/Getty Images Embed) 


Favorecimento do capital

A UNCTAD avalia que as vantagens da automação impulsionada pela inteligência artificial tendem a favorecer o capital em detrimento da mão de obra, o que pode “aumentar a desigualdade e reduzir a vantagem competitiva da mão de obra barata nas economias em desenvolvimento”.

 Rebeca Grynspan, secretária-geral da ONU Comércio e Desenvolvimento, solicita em nota, maior cooperação internacional para “desviar a atenção da tecnologia para as pessoas, permitindo aos países criarem conjuntamente um marco mundial de inteligência artificial” para que seu potencial seja explorado de forma que priorize o desenvolvimento sustentável. “A história demonstra que, embora o avanço tecnológico seja o motor do crescimento, por si só não pode garantir uma distribuição equitativa da renda, nem promover um desenvolvimento humano inclusivo”, aconselhou Grynspan no relatório.

Mercado tecnológico

As tecnologias avançadas representaram um mercado de 2,5 trilhões de dólares em 2023 (cerca de R$ 12 trilhões na cotação da época). É esperado que este valor seja seis vezes maior até 2033 e atinja US$ 16,4 trilhões (aproximadamente R$ 93 trilhões na atual cotação) de acordo com o relatório da ONU. A IA irá liderar o ranking deste mercado, com o valor de 4,8 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 27 trilhões), o que equivale aproximadamente à economia da Alemanha.

O relatório indica que os benefícios se concentrarão em poucas economias. 100 companhias, a maioria dos EUA e China, representam 40% dos gastos globais em pesquisa e desenvolvimento. O documento também afirma que o Brasil, China, Índia e Filipinas são os países emergentes com os melhores resultados quando se trata da preparação tecnológica.

A UNCTAD ressalta que a inteligência artificial é capaz de criar novas indústrias e dar autonomia aos trabalhadores “Investir em reciclagem, melhoria das qualificações e adaptação da mão de obra é essencial para garantir que a IA melhore as oportunidades de emprego ao invés de eliminá-las”, avalia o informe.

Agentes europeus e internacionais estão envolvidos nas tentativas de estabelecer uma governança da IA. A ONU, no entanto, lamenta que diversos países do sul global estejam de fora desses debates. “À medida que a regulação da IA e os marcos éticos tomam forma, os países em desenvolvimento devem ter um lugar na mesa para garantir que a IA sirva ao progresso global, não só aos interesses de alguns poucos”, declara a UNCTAD.

ONU concede ao Brasil área marítima do tamanho da Alemanha

A ampliação da área marítima brasileira foi reconhecida pela ONU e o direito à exploração dos recursos naturais foi atribuído ao Brasil. A decisão foi celebrada por especialistas e autoridades, pois a plataforma continental estendida, que equivale a aproximadamente 360 mil km², foi definida como a nova área marítima a ser explorada. Essa conquista foi marcada por sete anos de estudos e negociações, os quais foram conduzidos por técnicos da Marinha e peritos internacionais.

Decisão da ONU e ampliação do território

A proposta oficial foi apresentada em 2025 e a submissão da Margem Equatorial foi aprovada na 63ª Sessão da Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU. Desde 2017, o pleito foi sustentado por estudos que buscavam estender a Zona Econômica Exclusiva, atualmente delimitada pelas 200 milhas (aprox. 322 km) náuticas.

Assim, a nova área marítima abrange os estados do Amapá até o Rio Grande do Norte, ficando localizada na região da Margem Equatorial. Com isso, os recursos naturais presentes no leito marinho e no subsolo foram atribuídos ao país, garantindo o direito à exploração de petróleo e outros minerais.


Petrobras participou das discussões sobre o tema (Foto: reprodução/Donatas Dabravolskas/Shutterstock)

Além disso, a participação da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e de outras instituições foi considerada fundamental. Foram desenvolvidas parcerias e interações técnicas que permitiram o reconhecimento de que 95% do petróleo nacional é extraído em águas sob jurisdição brasileira. Por conseguinte, a ampliação da área marítima fortalece a soberania e a segurança energética do país, sendo reconhecida como uma importante conquista geopolítica e estratégica.

Implicações para a soberania nacional e exploração de recursos

A nova área marítima, definida como plataforma continental, foi considerada essencial para o acesso e a exploração dos recursos naturais presentes em seu leito e subsolo. Dessa forma, foi afirmado que o reconhecimento da área não só fortalece o direito do Brasil sobre a Amazônia Azul, mas também contribui para a diversificação da matriz energética nacional. Desse jeito, a decisão da ONU foi recebida com otimismo e expectativa, e os benefícios econômicos e estratégicos foram ressaltados por autoridades e técnicos envolvidos.

Brasil sobe oito posições no ranking da felicidade da ONU

Na última quarta-feira (19), a Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Universidade de Oxford e o Instituto Gallup publicou o Relatório Mundial da Felicidade. De acordo com o relatório, o Brasil subiu da 44ª para a 36ª posição.

À frente de países como Argentina e Chile, 42ª e 45ª posições respectivamente, o Brasil ficou atrás do Uruguai, 28ª posição. Se levarmos em consideração, apenas, os países sul americanos, o Brasil figura como o segundo país mais bem colocado da América do Sul. 

Em relação aos EUA, que neste ano ocupou a 24ª posição, teve o pior resultado desde 2012 quando o ranking foi criado. Em 2024 o país já havia saído do Top 20 do relatório. 

O topo do “ranking”  ficou com os países nórdicos: Finlândia, Dinamarca, Islândia e Suécia que ocuparam as quatro primeiras posições do ranking. 


Análise sobre o Relatório Mundial da Felicidade da ONU (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

Países mais e menos felizes 

A Finlândia foi classificada como o país mais feliz do mundo nos últimos oito anos. Para especialistas, o segredo do país nórdico é ter uma política forte aliada ao bem estar social e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. 

Para a diretora administrativa do Instituto Gallup, lana Ron-Levy, países nórdicos possuem programas de saúde, educação e apoio social que além de beneficiar a população, ainda, contribuem para a redução da desigualdade social. 

Ainda de acordo com o relatório, países como Líbano, Serra Leoa e Afeganistão estão entre os mais infelizes do mundo.


Publicação sobre o Relatório Mundial da Felicidade 2025 (Foto: reprodução/X/@Gallup)

Relatório

Para a realização do relatório são levados em conta fatores como: expectativa de vida saudável, apoio social, sentimento de generosidade e de liberdade, percepção da corrupção, além do PIB per capita. 

A pesquisa é feita com pessoas diversificadas em mais de 140 países, e leva em conta avaliações médias de vida nos três últimos anos.  Para este relatório foram levados em conta acontecimentos entre  2022 e 2024.


Rodrigo Duterte, ex-líder das Filipinas, é preso por mortes na “guerra das drogas”

O ex-presidente das Filipinas Rodrigo Duterte, que governou o país entre 2016 e 2022, foi preso na madrugada de terça-feira (11), marcando um avanço significativo na investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre supostos crimes contra a humanidade cometidos durante sua repressão antidrogas. A campanha, que resultou na morte de milhares de pessoas, gerou condenação internacional.

Duterte, de 79 anos, foi detido no aeroporto internacional de Manila após desembarcar de um voo vindo de Hong Kong. Horas depois, ele foi transferido para Haia, na Holanda, sede do TPI.

O atual presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., afirmou que a prisão seguiu os trâmites legais e negou qualquer interferência externa:

“Estou confiante de que a prisão foi adequada, correta e seguiu todos os procedimentos legais necessários. Não ajudamos o Tribunal Penal Internacional de forma alguma. A prisão foi realizada em conformidade com a Interpol.”

Ferdinand Marcos Jr.

Duterte e a “guerra às drogas”

Durante seu governo, Duterte comandou uma campanha brutal contra o tráfico de drogas, que resultou na morte de mais de 6.000 pessoas, segundo dados oficiais. No entanto, organizações de direitos humanos apontam que o número real pode ser muito maior, considerando execuções extrajudiciais realizadas por policiais e milícias.


Protesto em Quezon após a prisão de Duterte (Foto: Reprodução/Lisa Marie David/AP)

O Human Rights Watch classificou a prisão de Duterte como um momento histórico para o país e para toda a Ásia:

“Seria um eufemismo dizer que as vítimas se sentiram extasiadas com essa prisão. Isso é algo totalmente sem precedentes na história das Filipinas e até mesmo do Sudeste Asiático”
Carlos Conde, pesquisador da Human Rights Watch

Duterte consolidou sua popularidade como prefeito de Davao, onde governou por 22 anos e implementou políticas severas contra o crime. Ele se elegeu presidente em 2016, promovendo um discurso de tolerância zero contra o tráfico de drogas e prometendo eliminar criminosos.

Seus métodos, no entanto, foram amplamente criticados. Um relatório da ONU apontou que a maioria das vítimas eram jovens pobres, e que a polícia frequentemente realizava batidas sem mandado, forçando suspeitos a se autoincriminarem sob ameaça de morte.

O Tribunal de Haia e a investigação

O TPI começou a monitorar os supostos abusos em 2016 e abriu uma investigação formal em 2021. O caso cobre crimes cometidos entre novembro de 2011 — período em que Duterte ainda era prefeito de Davao — e março de 2019, antes da saída das Filipinas do tribunal.

Aliados de Duterte contestam a legitimidade da prisão, alegando que o país se retirou do Estatuto de Roma em 2019, o que, segundo eles, invalidaria a jurisdição do TPI. No entanto, o tribunal já esclareceu que mantém sua autoridade sobre crimes cometidos antes da saída oficial das Filipinas.

ONU alerta para possível aumento no número de mortes por AIDS e HIV

Nesta sexta-feira (07), a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou sobre um bloqueio no chamado Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR), devido à suspensão do envio de recursos, por parte do governo americano, anunciado por Donald Trump na semana passada.

Número alto de mortes é estimado

Caso o corte vá adiante, é estimado um cenário critico entre os pacientes que tratam das DSTs, podendo bater a marca de seis milhões de pessoas que seriam prejudicadas pela ausência de recursos para o ideal tratamento contra o quadro clínico.

O PEPFAR, órgão ameaçado pelos cortes anunciados pelo presidente Trump, é uma iniciativa não-governamental, que há mais de 20 anos tem sido fundamental para fornecer tratamento, prevenção e assistência a milhões de pessoas que lutam contra a doença ao redor do mundo.


Sede da PEPFAR localizada na embaixada americana de Uganda (Foto: reprodução/Chris Lubega/CDC Global/Flickr)

Desde sua criação, no início da década de 2000, o programa já ajudou a salvar mais de 25 milhões de vidas.

Entenda os cortes por parte do governo dos EUA

Foi anunciado na última semana, que o novo governo do país norte-americano, administrado por Donald Trump, adotará medidas rigidas, envolvendo cortes de gastos da União em importantes organizações ao redor do mundo, no intuito de diminuir eventuais despesas no orçamento. Desde o anúncio, diversos órgãos responsáveis por ajuda humanitária entraram em desespero, por conta de uma crise iminente devido à perda crucial em suas verbas.

O Secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Lammy, chegou a alertar sobre a atitude do presidente em entrevista, usando como exemplo, uma situação semelhante ocorrida nos países britânicos anos atrás.

Passamos anos desvendando esse erro estratégico. O desenvolvimento continua sendo uma ferramenta de soft power muito importante. Fomos extremamente críticos em relação à forma como o último governo lidou com a decisão. Portanto, eu aconselharia os amigos dos EUA a olharem de perto o que deu errado no Reino Unido enquanto navegam por essa decisão.


Secretário de Relações Exteriores do parlamento britânico, David Lammy (Foto: reprodução/Ihor Kuznietsov/Global Images Ukraine/Getty Images embed)


Devido às ações de Trump, um grupo de trabalhadores da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) entraram com um processo contra o presidente nesta quinta-feira (07), na tentativa de reverter a situação delicada.

Israel anuncia saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU

O ministro das Relações Exteriores israelenses, Gideon Saar, anunciou nesta quinta-feira (6), que Israel deixará o Conselho de Direitos Humanos da ONU. O anúncio veio logo após os Estados Unidos anunciar que também deixará o órgão.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU tem o objetivo de defender tópicos relacionados à liberdade de expressão e crenças, direitos das mulheres e da população LGBTQIAP+.


Israel sai do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN)

A declaração

Segundo o ministro, a decisão foi tomada devido ao preconceito institucional contínuo e implacável cometido contra Israel no Conselho e tem persistido desde a sua criação. Veja parte da carta enviada pelo ministro ao diretor do Conselho dos Direitos Humanos da ONU e publicada no X:

A decisão foi tomada à luz do preconceito institucional contínuo e implacável contra Israel no Conselho de Direitos Humanos, que tem sido persistente desde a sua criação em 2006”, disse o ministro em uma carta ao presidente do conselho, Jorg Lauber.

Decisão de Israel é criticada pela Relatora Especial das Nações Unidas

Diante do anúncio, Israel foi duramente criticado pela Relatora Especial das Nações Unidas, Francesa Albanese. Segundo ela, a decisão do país de se retirar da Organização é extremamente séria e evidência a arrogância e falta de percepção de suas próprias ações.

Isso mostra a arrogância e a falta de percepção do que eles [Israel] fizeram. Eles insistem na autojustiça, que não têm nada pelo que serem responsabilizados, e estão provando isso para toda a comunidade internacional”, declarou Francesca Albanese à Reuters.

Albaneses acusa Israel de genocídio e disse que teme a expansão deste conflito para a Cisjordânia. Israel, no entanto, negou tais acusações e afirma que está defendendo seus legítimos interesses de segurança na Cisjordânia e em Gaza.


EUA deixam Conselho de Direitos Humanos da ONU (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN)

Nesta terça-feira (4), Trump assinou uma série de decretos presidenciais na Casa Branca, dentre eles, o desligamento dos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Elon Musk anuncia fechamento da USaid com apoio de Trump

O bilionário Elon Musk afirmou nesta segunda-feira que a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USaid) será encerrada, o anúncio que não chegou a ser uma surpresa foi feito durante uma transmissão ao vivo na plataforma X (da qual Musk e dono), ao lado do ex-colega de governo Vivek Ramaswamy e dos senadores republicanos Joni Ernst e Mike Lee.

Musk, que lidera o Departamento de Redução de Gastos do governo Trump (DOGE, na sigla em inglês), justificou a decisão afirmando que a agência está “além de qualquer conserto”. “Ficou evidente que não se trata de uma maçã com um verme dentro, o que temos é simplesmente um ninho de vermes. Temos que nos livrar de tudo”, declarou ainda segundo ele, o próprio presidente Donald Trump concorda com a medida.


Organização fechada a pedido de Musk tem como principal foco a ajuda humanitária em países mais pobres (Foto: reprodução/AFP/CLARENS SIFFROY/Getty Images Embed)


A USaid é o maior doador individual de ajuda humanitária do mundo. Em 2023, a agência distribuiu cerca de US$ 72 bilhões para projetos voltados à saúde, segurança energética e combate à corrupção. Em 2024, a instituição foi responsável por 42% da assistência humanitária rastreada pela ONU, além de ajudar vários projetos sócias em áreas que são afetadas principalmente pela pobreza.

Interferência no funcionamento da agência

Desde o sábado, o site da USaid está fora do ar, e sua conta no Instagram, com mais de 400 mil seguidores, foi suspensa, junto a isso no ultimo fim de semana, dois altos funcionários da agência foram demitidos após tentarem barrar o acesso de representantes do DOGE a áreas restritas do prédio, sendo que logo após o episódio, Musk chamou a USaid de “organização criminosa” em uma postagem no X.

Trump congela fundos de ajuda internacional

O fechamento da USaid ocorre após Trump determinar o congelamento da maioria dos fundos de assistência externa dos EUA, como parte de sua política “América em primeiro lugar”. A medida pode impactar hospitais de campanha, ações de remoção de minas terrestres e o fornecimento de medicamentos para portadores de HIV, principalmente em países da africa

Musk afirmou que a economia gerada pode reduzir o déficit norte-americano em US$ 1 trilhão no próximo ano, mas não apresentou dados que sustentem sua previsão, no entanto mais medidas como essa são esperadas principalmente durante esse primeiro do governo Trump.

OIM informa que Brasil é retirado da liberação de verba humanitária por Trump

Nesta sexta-feira (31), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU responsável por questões envolvendo imigração, anunciou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, removeu o Brasil da lista de países que recebem recursos humanitários, destinados a programas de assistência social. A decisão gerou preocupação entre autoridades brasileiras, em especial os responsáveis pelo projeto conhecido como “Operação Acolhida”, que oferece apoio e suporte a imigrantes em situação de vulnerabilidade.

Nova política de Trump motivou a remoção

A administração de Donald Trump, que reassumiu a presidência dos EUA após vencer as eleições de 2024, tem adotado uma política mais severa quanto a questões humanitárias, em especial no campo da imigração. Segundo informações divulgadas pelo G1, ao longo desta semana, foi observado que o governo norte-americano retomou o financiamento de algumas ações humanitárias, porém não para o Brasil.


Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: reprodução/Bonnie Cash/UPI/Bloomberg/Getty Images Embed)


O Brasil vinha recebendo recursos internacionais para projetos voltados à segurança alimentar, combate à pobreza e ações emergenciais em áreas vulneráveis. Estima-se que o governo americano é responsável por cerca de 60% da verba que a OIM dispõe, o que imediatamente comprometeria a continuidade dessas iniciativas. A informação é de que agora o apoio estadunidense será destinada apenas aos países como Iraque, Síria, além da região da Faixa de Gaza.

Desafios gerados pela atitude norte-americana

Em meio ao escândalo, tanto governo brasileiro quanto o presidente Lula ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a decisão de Trump, porém já foi anunciado que devido à situação emergencial, a Polícia Federal terá supostamente de usar cerca de 40 agentes terceirizados, substituindo os funcionários da organização humanitária que atuavam na fronteira.


Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: reprodução/Ton Molina/NurPhoto/Getty Images Embed)


Enquanto isso, a ONU seguirá monitorando os impactos da decisão e informou que tentará buscar alternativas para minimizar o impacto causado, e auxiliar no apoio aos projetos humanitários aqui presentes.

Chefe da ONU exige evacuação de 2.500 crianças Gaza por ‘risco iminente’ da morte

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu nesta quinta-feira (30) que 2.500 crianças sejam imediatamente evacuadas de Gaza para tratamento médico. A UNRWA, agência de ajuda humanitária da ONU, segue prestando assistência na Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, apesar da proibição imposta por Israel.

O que aconteceu

O secretário-geral da ONU, António Guterres, solicitou a retirada urgente de 2.500 crianças de Gaza para tratamento médico, após uma reunião com médicos dos Estados Unidos, que alertaram para o risco iminente de morte nas próximas semanas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 12 mil pacientes aguardavam por transferências médicas, e a entidade esperava que as evacuações aumentassem com a entrada em vigor do cessar-fogo iniciado em 19 de janeiro. “Algumas crianças estão morrendo agora, outras correm risco iminente de morte nas próximas semanas”, afirmou Feroze Sidhwa, cirurgião de trauma da Califórnia que trabalhou em Gaza de 25 de março a 8 de abril do ano passado, após encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Sidhwa explicou que as atuais restrições de segurança dificultam a evacuação, com as famílias sendo forçadas a fazer escolhas dolorosas. “Uma tia tem que decidir entre levar suas duas sobrinhas ou ficar com o bebê que amamenta.” O cirurgião também ressaltou que muitas crianças necessitam de cuidados simples, como o caso de um garoto de 3 anos com queimaduras no braço, que corre risco de amputação devido a complicações. A médica Ayesha Khan, que esteve em Gaza entre novembro e janeiro, destacou ainda o alto número de amputações entre crianças, muitas sem acesso a próteses ou reabilitação.

A situação em Gaza

Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, a situação em Gaza se deteriorou de forma dramática. A ofensiva desencadeou uma resposta militar de Israel, conhecida como “Operação Espada de Ferro”, resultando em intensos bombardeios na Faixa de Gaza. Mais de 2 milhões de pessoas, já em condições precárias, foram afetadas por esse bloqueio severo, com milhares de mortos e feridos, e uma infraestrutura destruída, especialmente no setor de saúde.

A violência, que já se estende por mais de um ano, causou a morte de mais de 25 mil pessoas em Gaza, a maioria civis. Organizações humanitárias, como a UNRWA, enfrentam grandes desafios para fornecer assistência, com hospitais superlotados e falta de suprimentos básicos. A escassez de alimentos, medicamentos e água agrava ainda mais a crise humanitária, enquanto o sistema de saúde local continua a colapsar.

Em 19 de janeiro de 2024, um cessar-fogo temporário foi implementado, oferecendo uma breve pausa nas hostilidades e permitindo algumas operações de ajuda. Contudo, a situação permanece crítica, com as evacuações e o fornecimento de assistência humanitária ainda enfrentando sérias limitações.


Notícia sobre o cessar-fogo em Gaza (Video:reprodução/Youtube/@bandjornalismo)


A comunidade internacional segue pressionando por um acesso mais amplo para ajuda e uma solução diplomática que traga fim ao sofrimento da população de Gaza.

ONU: mudanças climáticas intensificam crise alimentar na América Latina

Em relatório divulgado na última segunda-feira (27), pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), e outras agências da ONU, foram divulgados os desafios quanto às questões relacionadas à alimentação e nutrição enfrentados pelos países da América Latina e Caribe.

Segundo o documento intitulado “Panorama Regional de Segurança Alimentar e Nutrição 2024”, eventos climáticos como tempestades e secas afetam diretamente a produção agrícola das regiões e, consequentemente, ocasionam o aumento nos preços dos alimentos, expandindo a insegurança alimentar da população. 

O dado gera preocupação para os países da América Latina e o Caribe, uma vez que 74% da região está exposta a crises climáticas.

Apesar do alerta, o relatório registrou uma queda significativa na insegurança alimentar dos países da América Latina, sendo o único local do mundo com essa tendência. De 2022 para 2023, 2,9 milhões de pessoas deixaram de passar fome.

O Caribe, ainda que tenha diminuído o número de pessoas em situação de desnutrição, ainda apresenta números críticos. No relatório divulgado em 2023, 52% da população da região não tinha meios para acessar uma alimentação saudável.

Preocupação com colapso climático

No final de 2024, o secretário-geral da ONU, António Guterres, em sua mensagem de Ano Novo, chamou atenção para o “colapso climático” que o mundo está enfrentando. Guterres disse que os dez anos mais quentes registrados na terra ocorreram na última década.

Guterres também alertou sobre a importância de proteger as pessoas afetadas com os desastres climáticos, criando um sistema de alerta precoce. 

Durante sua presença no G20, ocorrido no Rio de Janeiro, o secretário-geral realçou a urgência de agir para impedir que as temperaturas do mundo passem de 1,5 graus Celsius. Ele também pediu para as empresas iniciassem o processo de transição para combustíveis renováveis.


Secretário-geral da ONU, António Guterres, no G20 (Foto: reprodução/Tânia Rêgo/Agência Brasil)

COP30

Preocupado com as questões ambientais, O Brasil irá receber a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, em novembro deste ano. O evento irá ser realizado pela primeira vez no país e reunirá líderes mundiais para discutir ações que frear a crise climática enfrentada atualmente.

O embaixador André Aranha Corrêa foi selecionado para ser o presidente da conferência. O evento é visto como um passo primordial para demonstrar a influência do Brasil debate mundial.