Um recente relatório de pesquisadores ligados ao Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK) revela que já ultrapassamos 7 dos 9 “limites planetários” considerados seguros para a manutenção do equilíbrio ecológico da Terra e a possibilidade de existência normal para os seres humanos. Esse dado é alarmante e cabe perguntar: por que isso está ocorrendo? E, mais importante, ainda há o que fazer para reverter este cenário?
As causas por trás do colapso gradual
A expansão da poluição em suas múltiplas formas é uma das linhas centrais que conectam os limites planetários que estão sendo rompidos. A queima desenfreada de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) é uma das principais responsáveis pelo avanço das mudanças climáticas e pelo aquecimento global. Em paralelo, o desmatamento em larga escala e o uso intensivo da terra (para agricultura, pecuária e urbanização) fragilizam ecossistemas, reduzem a biodiversidade, além de alterar ciclos naturais.
Outro vetor importante é a poluição química, a presença de microplásticos, substâncias tóxicas e outros compostos que escapam ao controle e se acumulam nos ecossistemas, afetando desde a saúde de organismos marinhos até a qualidade do solo e da água doce. A acidificação dos oceanos, por exemplo, avançou: desde o início da era industrial, o pH da superfície do mar caiu cerca de 0,1 unidade, o que representa um aumento de 30% a 40% na acidez das marés.
Vídeo da ONU explicando a degradação da garrafa no meio ambiente: (Vídeo/reprodução/Youtube/@ONUBrasil.)
Por que a terra pode deixar de ser segura?
Os limites planetários rompidos (como mudanças climáticas, uso de água, biodiversidade, poluição química, etc.) não são apenas conceitos acadêmicos: eles definem faixas dentro das quais as sociedades humanas conseguem operar sem provocar rupturas ecológicas graves. Ao ultrapassar esses limites, podemos entrar em zonas onde eventos extremos correlacionados com a movimentação de placas tectônicas (furacões, secas, inundações) se tornam mais frequentes, cadeias de produção colapsam e milhares de comunidades ficam vulneráveis. Em outras palavras: menos segurança para os seres humanos em acesso à água, alimentos, moradia e saúde.
A boa notícia, ainda que tardia, é que há precedentes positivos: a redução da poluição por aerossóis e a recuperação da camada de ozônio são citadas no relatório como exemplos de que o curso da trajetória ambiental pode ser revertido. Isso mostra que, embora o diagnóstico seja grave, ainda há margem de ação que possa reverter esse cenário ambiental.
Como evitar o colapso da Terra
Para reverter ou, ao menos, frear o avanço, são necessárias ações urgentes e conjuntas em múltiplas escalas, como, por exemplo, a transição energética, que consiste em migrar o uso de combustíveis fósseis para energias limpas (solar e eólica), diminuindo, dessa forma, as emissões de gás carbônico.
Outra maneira de evitar maiores danos é a proteção e o restauramento de ecossistemas. Investir em reflorestamento irá recuperar as áreas degradadas e proteger ecossistemas naturais, mantendo ciclos naturais e conservando a biodiversidade.
As políticas públicas e a cooperação global também são importantes neste processo, tendo em vista que os governos podem e devem criar marcos regulatórios rigorosos, além de incentivar economicamente a inovação ecológica, viabilizando as mudanças para uma menor taxa de poluição e, consequentemente, menor degradação do planeta Terra.
