PF tem data para finalizar investigação contra Bolsonaro

A Polícia Federal informou que a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve terminar em julho. A PF apura o envolvimento do presidente com falsificações de certificados de vacina, jóias da Arábia Saudita e com a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2023. 

Defesa de Bolsonaro

De acordo com a coluna da Bela Megale, do jornal O Globo, os advogados do ex-presidente e o próprio Bolsonaro acreditam que essa investigação que reúne os três inquéritos é a única capaz de unir provas suficientes para prender o ex-presidente. No último depoimento à PF, no dia 22 de fevereiro, Bolsonaro se manteve em silêncio e sua defesa solicitou acesso à delação premiada de Mauro Cid, ex-braço direito do presidente.


Jair Bolsonaro indo embora de carro depois de depoimento à PF sobre as joias sauditas (foto: reprodução/ Sérgio Lima/ Poder 360)

Investigações sobre Bolsonaro

Em até quatro meses, a PF pretende apresentar ao ministro Alexandre Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) relatórios que tentarão comprovar a participação de Bolsonaro em três esquemas ilegais.

O primeiro inquérito deve ser referente à possível falsificação de certificados de vacinação da covid-19 do ex-presidente, familiares de Bolsonaro e ex-assessores. Em janeiro deste ano, a Corregedoria Geral da União (CGU) concluiu que o certificado de vacinação de Jair Bolsonaro foi fraudado e que, segundo a enfermeira que consta no certificado, ela não vacinou o ex-presidente. Além disso, documentos da Força Aérea Brasileira comprovaram que Bolsonaro não estava na unidade de saúde que indica no seu carteira de vacinação.

Os investigadores também querem esclarecer o caso das joias sauditas que entraram no Brasil ilegalmente como presente a Jair e Michelle Bolsonaro e foram posteriormente vendidas nos Estados Unidos. Segundo a PF, faltam alguns documentos da cooperação internacional firmada com o país norte-americano.

A relação do ex-presidente com a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2023 é apurada também pelos investigadores da PF. O objetivo é descobrir se Bolsonaro incentivou, junto de aliados, aos seus apoiadores a tentarem impedir a posse do presidente Lula e mantê-lo no poder.

Polícia Federal indicia Carla Zambelli e Delgatti por invadir site do CNJ 

Nesta quinta-feira (29), a Polícia Federal encerrou o inquérito aberto em janeiro de 2023 sobre a invasão no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na decisão, foram indiciados a deputada federal Carla Zambelli, do PL, e o hacker Walter Delgatti Neto, que está preso desde agosto de 2023 pelos crimes de invasão cibernético. A PF concluiu que o objetivo do ataque foi questionar a confiabilidade do Poder Judiciário. 


A deputada federal, Carla Zambelli, é uma das maiores apoiadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro (foto: reprodução/ Lula Marques/EBC/Agência Brasil)

Em novo depoimento, Delgatti confirmou que recebeu dinheiro em espécie de Zambelli para invadir o sistema.  

No hackeamento do sistema do CNJ, foram inseridos vários documentos falsos, incluindo uma ordem de Prisão para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os documentos analisados pela PF serão enviados para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que irá decidir de denúncia ou não a deputada ao STF. Se for adiante, o caso pode gerar uma ação penal que pode determinar a condenação ou absolvição. 

O que dizem os advogados de defesa 

Em entrevista ao Jornal Nacional, o advogado de Delgatti, Aroivaldo Moreira, disse que Walter está cooperando com a justiça desde o início das investigações, que o indiciamento de Carla só confirma a veracidade de seu depoimento e finaliza dizendo que, após o encerramento da investigação, irá reiterar o pedido para a libertação de Delgatti. 

Por nota, o advogado de Carla, Daniel Bialski, diz que a deputada não teria feito nenhum pedido de invasão ao hacker.

A defesa da deputada Carla Zambelli, conquanto ainda não tenha analisado minuciosamente os novos documentos e o relatório ofertado pela Polícia Federal, reforça que ela jamais fez qualquer tipo de pedido para que Walter Delgatti procedesse invasões ao sistema ou praticasse qualquer ilicitude”. 

Quais são os documentos inseridos no CNJ 

Mesmo que a PF não tenha encontrado mensagens entre Delgatti e Zambelli, em agosto de 2023, foram encontrados quatro documentos falsos inseridos por Walter ao sistema da CNJ. 

O primeiro é uma ordem de quebra de sigilo bancário para o ministro Alexandre de Moraes, gerada por Delgatti e enviada rapidamente para o celular da deputada federal. O segundo seria um recibo para bloquear os bens do ministro no valor de R$ 22,9 milhões, o mesmo valor da penalidade que Alexandre designou para o PL por contestarem a eleição.  

O terceiro é um falso mandado de prisão para Moraes, criado por Delgatti e enviado a Zambelli para ser divulgado na imprensa três horas depois. E por último, outro recibo de bloqueio de bens de Alexandre no valor de R$ 500 mil. 

Operação conjunta da PF e Ibama resgata animais traficados para África

No último sábado (24) a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais(Ibama) concluíram a repatriação de 12 araras-azuis-de-lear e 17 micos-leões-dourados apreendidos no país de Togo, pertencente à África. Os animais nativos da fauna brasileira foram localizados no dia 13 de fevereiro em Lomé, capital do Togo.

Os policiais locais da costa africana abordaram os criminosos que estavam em um barco em posse dos animais no dia 12 de fevereiro. O veleiro com bandeira brasileira era tripulado por quatro homens: um uruguaio, um surinamês, um brasileiro e um togolês. Todos foram presos em flagrante.

As araras-azuis-de-lear e os micos-leões-dourados ficaram na sede da Embaixada do Brasil, em Lomé. No dia 19 uma equipe de dois servidores do Ibama e uma veterinária foram ao Togo para garantir a sobrevivência dos animais. Três dias depois, policiais federais e funcionários do Ibama chegaram ao país para providenciar o retorno dos animais ao Brasil. 

O país de Togo é signatário da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites). Os animais já desembarcaram no Brasil. Os micos-leões ficaram no Rio de Janeiro, e as araras seguiram para São Paulo.


Araras-azuis-de-lear apreendidas no Togo e repatriadas para o Brasil (reprodução/Folha de São Paulo/Polícia Federal)

Operação Akpé

Segundo a Polícia Federal, os animais estavam debilitados, desnutridos, estressados, intoxicados e com óleo de motor na pelagem e nas penas. 

Após o resgate, o Ibama avalia a possibilidade de colocar anilhas para marcação das aves. Os micos receberão microchips.

O nome da operação, Akpé, significa obrigado na língua local, e foi escolhido como agradecimento às autoridades do Togo que cooperaram com a repatriação.

Outros casos recentes envolvendo araras e micos brasileiros

No dia 2 de fevereiro, duas ucranianas foram presas ao tentar sair do Brasil com ovos de arara-azul-de-lear. Os policiais encontraram com elas uma estufa contendo seis ovos intactos. 

Segundo a Polícia Rodoviária Federal(PRF), as mulheres admitiram que o destino dos ovos das aves nativas seria o Suriname, onde seriam vendidos.

Em julho do ano passado, outras 29 araras-azuis-de-lear e sete micos-leões-dourados foram apreendidos no Suriname. Porém, parte das aves foi roubada antes da repatriação. Apenas cinco araras junto com os sete micos foram trazidos de volta ao Brasil, após resgate realizado por uma equipe formada por veterinários e policiais federais.

Jair Bolsonaro fala em pacificação e não cita STF durante manifestação em São Paulo

Aconteceu neste domingo (25), durante a tarde, na Avenida Paulista, em São Paulo, uma manifestação em prol do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Presente em trio elétrico com apoiadores, Bolsonaro afirmou em discurso para eleitores, que “busca pacificação e deseja borracha no passado”, além de ressaltar que não houve tentativa de golpe no atentado de 8 de janeiro de 2023.

Durante as suas falas, Bolsonaro não citou o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes ou a Polícia Federal, e do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro disse: “Com essa fotografia, mostramos que podemos até ver um time de futebol sem torcida ser campeão, mas não conseguimos entender como existe um presidente sem povo ao teu lado”, sem mencionar os nomes dos concorrentes. Também pediu ao Congresso que faça nova análise para os “pobres coitados do 8 de janeiro”, avaliando que as penas contra aqueles que invadiram as sedes dos Três Poderes “fogem ao mínimo da razoabilidade”.

“Saí do Brasil e essa perseguição não terminou. É joia, é questão de importunação da baleia, dinheiro que teria mandado para fora, é tanta coisa que eles até mesmo acabam trabalhando contra si. O que eu busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado. É buscar uma maneira de continuarmos em paz. Não continuaremos sobressaltados”

Jair Bolsonaro em discurso na Avenida Paulista, em São Paulo

Revista Veja mostra a manifestação completa (Vídeo: reprodução/YouTube/vejapontocom)


No final da fala, o ex-presidente também pediu que os eleitores “caprichem no voto”, fazendo referência as eleições municipais de 2024. E falou aos apoiadores, também, sobre “nos prepararmos para 2026“, a qual Bolsonaro não poderá se candidatar pois foi considerado inelegível por oito anos.

Informações gerais do evento

A ideia do evento foi rebater todas as acusaões à Bolsonaro. O ex-presidente é investigado em um inquérito que apura suposto plano golpista para mantê-lo à frente do Palácio do Planalto após a derrota nas eleições de 2022 e em outros casos, como suposto desvio de jóias, a acusação de que ele teria participado de um plano de golpe de Estado nos atentados de 8 de janeiro de 2023, e a exaltação o estado democrático de direito. 

Apoiadores de Bolsonaro estiveram ao lado do ex-presidente

Dois trios elétricos foram alugados pelo pastor Silas Malafaia para que Bolsonaro e outras figuras políticas pudessem discursar. O evento começou com oração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), e seguiu com discursos dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), além do senador Magno Malta (PL-ES) e do pastor Silas Malafaia.

Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também estiveram presentes. Tarcício de Freitas, governador de São Paulo discursou: “Minha gente, quem eu era? Eu não era ninguém, e o presidente apostou em pessoas como eu. Como tantos outros que surgiram, que tiveram posição de destaque, que ele acreditou”.

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) também marcou presença, além de vários deputados distritais: o líder da bancada o PL na Câmara Legislativa, Joaquim Roriz Neto; Thiago Manzoni (PL); Iolando Almeida (MDB); Paula Belmonte (Cidadania); Pastor Daniel de Castro (PP); e Roosevelt Vilela (PL). Entre os deputados federais pelo DF, estavam: Bia Kicis, presidente do PL no DF, e Alberto Fraga (PL).

Matéria por Carol Aguilera (Lorena – R7)

Polícia Federal convoca Bolsonaro para depoimento

A Polícia Federal convocou Bolsonaro para testemunhar sobre a tentativa de subversão, estima-se que o ex-presidente será interrogado na quinta-feira (22). Essa informação foi confirmada pelo grupo jurídico de Bolsonaro.

Veja o dia do interrogatório

A Polícia Federal convocou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para dar seu depoimento no contexto da investigação que examina as conspirações golpistas envolvendo membros do governo e das Forças Armadas. Segundo as descobertas, a expectativa é de que o interrogatório aconteça no próximo dia 22.

O advogado Paulo Cunha Bueno, representante de Bolsonaro, ratificou essa informação. A PF encontrou, entre outras evidências, um vídeo de uma reunião na qual Bolsonaro instrui ministros a não esperarem pelo resultado das eleições para agir.

A defesa, contudo, afirma  que o ex-presidente nunca considerou a possibilidade de golpe. Além da gravação, apreendida no computador de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, a PF coletou outras evidências que colocam o ex-presidente no cerne da suposta conspiração golpista.


Jair Bolsonaro. (Foto: reprodução/thepolitica.uai)

A PF descobriu a gravação de uma reunião em julho de 2022, na qual Bolsonaro convoca seus ministros para discutir estratégias que evitem uma derrota nas eleições. Naquela época, Bolsonaro antevê a possibilidade de perder a eleição e pede aos ministros que acionem o “plano B”.

Na mesma reunião, um de seus assessores mais próximos, o general Augusto Heleno, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), argumenta que é necessário mudar de rumo logo, antes mesmo do resultado das eleições. A PF ainda encontrou, no escritório de Bolsonaro na sede do PL, um documento com teor golpista que mencionava a possibilidade de decretar um estado de sítio e impor a garantia da lei e da ordem no país.

Veja o que disse a defesa e os aliados de Bolsonaro

Os aliados do ex-presidente, no entanto, alegam que ele não especificou explicitamente sua intenção de golpe. Logo após a operação, a defesa do ex-presidente afirmou que Jair Bolsonaro não teria participado de qualquer movimento que tivesse como objetivo desestabilizar o Estado Democrático de Direito.

Polícia Federal investiga Bolsonaro e expõe vídeo com reunião controversa sobre as eleições

A Polícia Federal (PF) divulgou detalhes de uma reunião ocorrida em julho de 2022 entre a “alta cúpula” do governo Bolsonaro, que tem gerado repercussão pelas falas controversas e acusações de disseminação de desinformação e ataques à Justiça Eleitoral. O vídeo dessa reunião foi encontrado em um computador apreendido na casa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O encontro levanta questões sobre a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus auxiliares em relação ao processo eleitoral.

Reunião estratégica para minar adversários políticos

Segundo as investigações da PF, a reunião teve como objetivo principal cobrar dos presentes uma atuação ativa na promoção da desinformação e ataques à Justiça Eleitoral. Participaram da reunião o então presidente Jair Bolsonaro, Anderson Torres (na época ministro da Justiça), Augusto Heleno (ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Sérgio Nogueira (ministro da Defesa) e outros membros do governo.


Entenda a operação da Polícia Federal (vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)

Durante o encontro, Bolsonaro teria admitido a possibilidade de uma vitória de Lula no primeiro turno, reconhecendo a legitimidade das pesquisas eleitorais e contradizendo suas declarações anteriores de questionamento aos institutos de pesquisa. Além disso, ele discutiu a convocação de embaixadores para denunciar supostas fraudes no sistema eleitoral brasileiro, o que posteriormente contribuiu para sua inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030.

Bolsonaro também teria pressionado seus ministros a participarem ativamente na disseminação de informações fraudulentas, numa tentativa de reverter a situação desfavorável na disputa eleitoral. “Daqui pra frente, quero que todo ministro fale o que eu vou falar aqui“, teria afirmado o ex-presidente.

Manifestações de outros membros do governo

Augusto Heleno defendeu ações enérgicas antes das eleições e propôs medidas para minar instituições e indivíduos considerados adversários do grupo bolsonarista.

Anderson Torres utilizou o exemplo da Bolívia para justificar uma abordagem questionável por parte do governo e repetiu argumentos infundados sobre possíveis irregularidades nas urnas eletrônicas. Paulo Sérgio Nogueira classificou o TSE como “inimigo” e apoiou as acusações sem fundamento contra o órgão.

A divulgação desses detalhes pela Polícia Federal representa mais um capítulo na investigação sobre as ações do governo Bolsonaro em relação ao processo eleitoral de 2022, e deve gerar debates e análises sobre os limites éticos e legais da atuação dos líderes políticos durante campanhas eleitorais. Em entrevista cedida a jornalista Mônica Bergamo no dia de hoje, Bolsonaro revelou que tem 24 horas para entregar seu passaporte.