União Europeia anuncia 2,3 bilhões de euros para reconstrução da Ucrânia

Comissão Europeia anunciou nesta quinta-feira (10) um pacote de apoio financeiro de 2,3 bilhões de euros à Ucrânia, com o objetivo de impulsionar os esforços de reconstrução do país diante da devastação provocada pela guerra em curso com a Rússia. A iniciativa foi apresentada durante uma conferência internacional realizada em Roma, que reuniu líderes e representantes de diversas nações para debater estratégias de recuperação para o território ucraniano

Orçamento de reconstrução

Do total anunciado, 1,8 bilhão de euros será disponibilizado por meio de garantias de empréstimos, enquanto os 580 milhões restantes serão repassados como doações por instituições financeiras públicas internacionais e bilaterais. A medida integra o Quadro de Investimentos para a Ucrânia, um plano mais amplo que busca atrair até 10 bilhões de euros em aportes para reconstruir infraestruturas, reativar a economia e restaurar serviços essenciais no país.

O anúncio ocorre em meio à intensificação dos ataques russos, com Kiev sendo alvo de bombardeios consecutivos nos últimos dias. Nesta quinta-feira, centenas de drones e dezenas de mísseis atingiram a capital ucraniana, resultando em novas mortes e aumentando a urgência por ajuda internacional. Esse cenário reforça a necessidade de apoio contínuo por parte dos aliados ocidentais para sustentar a resistência ucraniana e permitir a retomada da normalidade em regiões fortemente atingidas.


Vista interna do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França (Foto: reprodução/Christopher Furlong/Getty Images Embed)


Fundo de apoio internacional

Além dos recursos diretos, a Comissão Europeia também revelou a criação de um fundo de ações dedicado à reconstrução, com participação inicial do Banco Europeu de Investimento e dos governos da França, Alemanha, Itália e Polônia. Com capital inicial de 220 milhões de euros, a expectativa é de que o fundo mobilize até 500 milhões de euros até 2026, canalizando investimentos para projetos sustentáveis e estratégicos de longo prazo.

A movimentação da União Europeia reforça o comprometimento do bloco com a estabilidade da Ucrânia e com a preservação da ordem democrática na região. Embora o conflito ainda persista, as ações voltadas à reconstrução demonstram um esforço conjunto para garantir que o país tenha os meios necessários para superar os danos da guerra e retomar seu desenvolvimento econômico e social.

Ipea mostra que 92% dos empregos nos municípios mais atingidos pela enchente foram abalados 

Dois meses após o período conturbado das grandes enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul, os aspectos diferentes e a volta ao dia-a-dia costumeiro encontram-se na realidade. Entretanto, os prejuízos causados pela força da natureza ainda faz parte da preocupação dos habitantes da região.  

Abalo nos empregos

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os municípios mais afetados pelas enchentes de dois meses atrás tiveram cerca de 92% dos postos de trabalho abalados. A estimativa divulgada nesta quarta-feira (3) levou em consideração os municípios de Eldorado do Sul, Roca Sales e Muçum.  

Os estabelecimentos privados também foram impactados, provocando um prejuízo em cerca de 82% deles. Em Porto Alegre, capital do estado, 27% das casas comerciais e 38% dos postos de trabalho foram comprometidos diretamente.  

Nos 418 municípios em estado de calamidade ou emergência, 334,6 mil postos foram prejudicados e já somam um valor equivalente a 13,7% dos empregos das cidades. Ainda dentro deste cenário, o número de estabelecimentos afetados chegou a 23,2 mil, praticamente 9,5% do geral.  

“O impacto de eventos climáticos extremos como o ocorrido no RS é mais amplo do que o reportado neste estudo. Isso porque mesmo estabelecimentos indiretamente atingidos também devem ter sofrido consequências — já que seus fornecedores, consumidores, ou infraestrutura de escoamento podem ter sido afetados“, disse o Ipea em comunicado.

Como está o Rio Grande do Sul

Apesar da destruição e das dores causadas pela perda, o povo gaúcho está mais unido do que nunca, movidos pela esperança na busca de uma reconstrução para o estado. A cada dia, suavemente, algo volta para seu lugar de origem ou é reconstruído e se torna mais um símbolo da nova fase. A entrega de Centros Humanitários de Acolhimento está a todo vapor, com projetos de Cidades Provisórias prontas para ser entregues.


Cidade provisória em Canoas, Rio Grande do Sul (Foto: reprodução/ TV Globo/ Governo do Rio Grande do Sul)

O Rio Grande do Sul ainda está em processo de recuperação e estima-se que leve mais alguns meses para que exista um erguimento total. Até lá, o estado retorna aos poucos para o que um dia foi.  

Reconstrução das áreas afetadas do Rio Grande de Sul pode levar até um ano

Para auxílio na visualização das manchas de inundação, é utilizado drones e imagens de satélite por todo o estado.

Segundo o tenente Rafael Luft, este diagnóstico para identificação das casas, escolas, creches e UBS’s atingidas, apesar de tratar-se de um enorme desafio, estabelece minimamente um tamanho do desastre que ocorreu no estado.


Exemplo do uso de imagens de satélite no Rio Grande do Sul (Foto: reprodução/X/@sbtrs)

O que é útil não apenas para registro, mas também para se ter uma ideia de onde a reconstrução deverá iniciar, e o que será necessário para tal.

Após esta identificação, os dados são cruzados por técnicos com as informações das bases oficiais, em conjunto com o IBGE, CadÚnico (dados do governo federal) e os cadastros de programas estaduais.

Até o momento, dos 469 municípios atingidos, 224 já foram mapeados. E nestes locais, 267 mil residências e 109 mil empresas foram atingidos diretamente.

Início de uma nova etapa para o estado

Alguns desses municípios foram visitados pelo governador Eduardo Leite no sábado (25) de manhã e, em conversa com o Jornal Nacional, estipulou um prazo para a reconstrução.

Nesta conversa, fora dito que as famílias de baixa renda que perderam suas residências, estão sendo encaminhadas para a construção de casas definitivas, “em modos construtivos rápidos”, os que podem ser, por exemplo, blocos de concreto.

Estas residências são construídos em locais que foram previamente analisados, pois, não podem ter sido atingidos pelas inundações. Não apenas para evitar acidentes, e para garantir uma estrutura segura para a construção, mas também para “respeitar as novas condições climáticas, o novo patamar que o rio alcançou”, diz Eduardo.

Em conjunto com a fala de Eduardo, o ministro Paulo Pimenta, comandante da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, relatou que o governo federal ajudará na recuperação de escolas, UBS e rodovias, além de entrar em prática um programa para reconstrução das casas dos que possuem renda de até R$ 4,4 mil.

Para tal, as prefeituras realizam um cadastro, e destinam o terreno, e o governo federal é responsável em conseguir o valor para comprar o imóvel usado. Além da compra de imóveis usados, foi requisitado que fizesse parte do programa todos os imóveis que estavam para leilão na Caixa Federal e no Banco do Brasil. Ademais, fora indicado que será adquirido os imóveis da iniciativa privada que estão sendo construindo e se adequam nesta faixa de valor.

As universidades também auxiliam, como a professora Alexandra Passuello, que liderou equipes responsáveis pelo mapeamento das áreas vulneráveis a inundações e deslizamentos em determinados pontos do estado.

Segundo a professora, há territórios em que a reconstrução não será possível, enquanto em outros a reconstrução deverá ocorrer seguindo diretrizes de como torná-las mais resistentes; tanto para não haver danos físicos, quanto para que o salvamento ocorra de forma segura e em bom tempo.

Auxílio na reconstrução

É indicado que, nesta jornada de restauração, as ações de solidariedade e apoio imediato às famílias atingidas será imprescindível. Como a ação de parceria que ocorreu neste sábado em uma comunidade de Porto Alegre, entre organizações locais e movimentos voluntários com doações de empresas e pessoas físicas, que levou alimento para muitas pessoas.

A presidente do Mistura Aí, Mara Nunes, informa que não conseguiria colocar a cabeça no travesseiro sabendo que há pessoas lá fora que necessitam de ajuda. Ela conclui dizendo acreditar que a pessoa do outro lado precisa pensar da mesma forma.

Desde setembro do ano passado, quando houve uma grande chuva, essa rede de apoio atua na ajuda ao Rio Grande do Sul, na entrega de kits de higiene, colchões e cobertores, além do fornecimento de mais de um milhão de refeições.

Segundo o voluntário Vitor Brandão, após a água abaixar, a instituição terá diversas etapas pela frente, como limpeza e reconstrução. Ele frisa que, por mais que seja um cenário que dura mais de três semanas, o Rio Grande do Sul ainda precisa e precisará de muita ajuda.

Ministro Pimenta estabelece prazo de seis meses para aprovação de projetos de reconstrução no RS

O Ministro da Secretaria Extraordinária para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta, enfatizou a necessidade de aprovar rapidamente todos os projetos destinados à reconstrução das cidades afetadas pelas recentes enchentes no estado. Além disso, ressaltou a importância de implementar medidas preventivas para evitar futuros desastres.

Esse é o prazo que estou estabelecendo. Eu quero um prazo de quatro a seis meses para que todos os projetos em todas as áreas estejam aprovados e, com isso, eu possa voltar para assumir definitivamente a Secretaria de Comunicação Social da Presidência e aí cada ministério acompanhar a parte da execução em todas as áreas”, destaca Pimenta.

Pimenta, além disso, definiu um prazo máximo de seis meses para a aprovação de todos os projetos relacionados à reconstrução e prevenção de desastres. Ele expressou sua determinação em garantir que essas iniciativas sejam efetivadas dentro desse período.

Atuação do ministério

O ministro destacou que a função principal do ministério não será executar projetos, mas sim coordenar, formular e articular ações governamentais em conjunto com outros órgãos e ministérios.

Não é um ministério executor, é um ministério de coordenação, formulação e articulação das ações do governo”, afirma o novo ministro

Uma medida provisória emitida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece a existência da nova pasta até fevereiro do próximo ano.

Pimenta delineou duas áreas prioritárias de atuação para o ministério: uma centrada no auxílio emergencial e na reconstrução das cidades afetadas, e outra voltada para a prevenção, visando evitar a repetição de tragédias semelhantes.

O presidente Lula quer fazer um grande estudo para um projeto definitivo para que essa situação nunca mais se repita. Vou coordenar também a contratação desse estudo definitivo para uma solução estrutural“, ilustra.

Primeiras ações

Na primeira agenda como novo ministro, Pimenta participou de reuniões estratégicas com autoridades locais e representantes das regiões afetadas para discutir um plano emergencial de ação.


Paulo Pimenta lidera ministério com duas frentes de atuação para reconstruir e prevenir o RS de novas enchentes (Fotografia: reprodução/Lucas Leffa/Secom/Agência Brasil)

Para alcançar os objetivos, ele liderará o diálogo com as prefeituras, o governo estadual e diversos setores da sociedade civil, além de selecionar projetos e demandas e articular com todos os ministérios, abrangendo áreas como o setor empresarial, agropecuário, de saúde e educação, entre outros.

Sua primeira agenda como novo ministro da reconstrução do Rio Grande do Sul foi realizada no dia de sua nomeação. Após o retorno do presidente Lula a Brasília, Pimenta e o ministro Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional, voaram até o maior navio da América Latina, o porta-helicóptero “Atlântico”, onde jantaram com o comandante da Marinha e todo o comando envolvido na Operação Taquari II.

Compromisso com a reconstrução

O compromisso do governo com a reconstrução e prevenção de desastres no Rio Grande do Sul é evidente, com o Ministro Paulo Pimenta liderando os esforços para garantir uma resposta eficaz e coordenada diante dos desafios enfrentados pelo estado.

O rombo da catástrofe climática já é de meio bilhão de reais no Sul do país

A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) divulgou nesta terça-feira (6) o prejuízo de meio bilhão acumulado pelos municípios do estado do Rio Grande do Sul, no período de 29 de abril a 5 de maio. Além disso, já são registrados 276 feridos, 111 desaparecidos e 83 mortos.

No entanto, ainda de acordo com a CNM, o número do prejuízo está subestimado. Apenas 19 municípios já levantaram e disponibilizaram os dados reacionados aos danos. 336 municípios no total foram atingidos em algum nível pelas chuvas.

Há apenas 6 meses de outro evento

A tragédia que assola o sul do país é um segundo tempo de eventos extremos relacionados às mudanças climáticas. Em setembro de 2023, um ciclone extratropical atingiu o estado, deixando um rastro de destruição com um prejuízo financeiro de mais de R$ 3 bilhões de reais e 51 mortes. 

Na ocasião, o governo federal prometeu R$ 741 milhões referentes a recursos aos municípios para combate de eventos extremos, de acordo com informações da CNM. No entanto, foram repassados apenas R$ 81 milhões.

A agricultura sempre leva a pior

O evento de 2023 não atingiu somente o sul, mas também várias localidades em todo o país. O montante do prejuízo foi cerca de R$ 105,4 milhões de reais. A maior parcela das perdas foi na agricultura, contabilizando cerca de R$ 53 bilhões. Veja as demais áreas:

  1. Agricultura: R$ 53,6 bilhões em prejuízos (50,8%)
  2. Pecuária: R$ 15,3 bilhões (14,5%)
  3. Sistema de transportes: R$ 10,9 bilhões (10,3%)
  4. Abastecimento de água potável: R$ 10,8 bilhões (10,2%)
  5. Obras de Infraestrutura: R$ 3,9 bilhões (3,7%)
  6. Habitação: R$ 3,5 bilhões (3,3%)
  7. Comércios locais: R$ 1,7 bilhão (1,7%)
  8. Indústria: R$ 1,6 bilhão (1,6%)

Presidente Lula e comitiva em reunião com governadaor Eduardo Leite (Foto reprodução/instagran/@estadao)

Nesta segunda-feira (6), o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional deram início a várias reuniões com participação de lideranças partidárias, com o objetivo de articular medidas emergenciais para auxiliar a assistência e reconstrução do estado. Pretende-se criar um “orçamento de guerra” como em 2020, por ocasião da pandemia da Covid.

Lula visita Rio Grande do Sul e promete apoio para reconstruir estradas e infraestrutura

No último domingo (5), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi até Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, severamente afetado pelas chuvas desde a semana passada. Em sua visita, foi realizada uma avaliação dos danos causados pela catástrofe, especialmente em relação à infraestrutura das regiões afetadas. Juntamente de uma comitiva de ministros e autoridades, o presidente disse que haverá apoio do governo federal para que o estado possa reconstruir as estradas e toda a infraestrutura afetada e destruída com o ocorrido.


Imagens da destruição no Rio Grande do Sul (Foto: reprodução/Gustavo Ghisleni/Getty Images Embed)


Ajuda do Ministério dos Transportes

O Ministério dos Transportes será o responsável em auxiliar o governo estadual do Rio Grande do Sul na recuperação das estradas estaduais danificadas. “Eu sei que o estado tem uma situação financeira difícil”, afirmou Lula. Ainda sobre o governador do estado,  Eduardo Leite (PSDB):  “(…) não fique preocupado, que o governo federal, através do Ministério do Transporte, vai ajudar você a recuperar as estradas estaduais, porque é da nossa repressão”, disse o presidente.

Além disso, Lula falou sobre a presença de vários ministros em sua comitiva para auxiliar em ações de reconstrução de diferentes áreas afetadas: educação, saúde, assistência social e habitação. Ademais, o presidente pediu a colaboração dos deputados federais riograndenses na liberação das emendas parlamentares destinadas ao estado, para que os recursos possam ser obtidos de imediato para que então as obras de recuperação comecem mais rápido.

Prioridades

Lula já havia visitado o Rio Grande do Sul desde o início das enchentes. Na última quinta-feira (2), ele havia ido até Santa Maria acompanhar os trabalhos de resgate e socorro às vítimas. O ministro da Integração Nacional, Waldez Góes, disse durante a reunião que os governos federal e estadual devem começar a trabalhar com as prefeituras de regiões como o Vale do Taquari, para restabelecer serviços onde os rios começam a recuar. Mas no momento o mesmo esclareceu que a prioridade continuará sendo o resgate das pessoas ilhadas.