Do governo chinês para a nuvem americana: como o algoritmo do TikTok será reinstaurado sob supervisão dos EUA

O TikTok nos EUA passa por uma transformação inédita, com investidores americanos liderados pela Oracle e pela família Murdoch prestes a assumir 80% das operações, enquanto a ByteDance manterá apenas uma participação minoritária. A Oracle vai supervisionar e treinar novamente o algoritmo da plataforma usando dados americanos armazenados em servidores locais, visando reduzir a influência do governo chinês. O acordo ainda precisa da aprovação das autoridades dos EUA e da China e inclui uma taxa multibilionária ao governo americano.

Controle do TikTok e algoritmo americano

O acordo coloca a Oracle no comando do algoritmo, responsável por determinar quais vídeos aparecem para os usuários. Por isso, a empresa vai ajustar o sistema com base em dados americanos, garantindo armazenamento seguro e monitoramento ativo pelos investidores locais. A medida busca aumentar a autonomia nacional e, ao mesmo tempo, responder às preocupações de segurança relacionadas à influência estrangeira na plataforma.


Declaração da ByteDance sobre o TikTok nos EUA (Foto: reprodução/X/@Política do TikTok)

Desafios regulatórios e participação da ByteDance

Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta barreiras regulatórias. O presidente Donald Trump declarou que Xi Jinping concordou com a estrutura, porém, Pequim ainda não confirmou oficialmente. A ByteDance vai licenciar o algoritmo para a nova entidade americana, o que gera dúvidas sobre quanto controle ainda terá. Além disso, especialistas questionam quem definirá os critérios de recomendação e a supervisão do conteúdo, levantando debates sobre privacidade e possíveis influências políticas.


Trump e Xi Jinping negociam acordo sobre TikTok nos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/Band Jornalismo)

Impactos para usuários e criadores de conteúdo do TikTok nos EUA

Para os 170 milhões de usuários americanos, a experiência no aplicativo deve continuar estável. No entanto, mudanças no algoritmo podem alterar gradualmente os vídeos exibidos, afetando criadores e anunciantes que dependem do alcance orgânico. Por outro lado, pesquisadores alertam que armazenar dados nos EUA não elimina todas as incertezas sobre acesso e filtragem de conteúdo, e reforçam que a influência política americana ainda pode afetar recomendações e visibilidade do TikTok nos EUA.

O acordo demonstra a complexa interseção entre tecnologia, negócios globais e segurança nacional. Assim, à medida que negociações e aprovações avançam, o resultado terá impacto direto sobre usuários, criadores e a governança digital em uma das plataformas mais populares do mundo.

Estátua de Trump e Epstein surge em frente ao Capitólio dos EUA

Uma estátua polêmica representando o presidente norte-americano, Donald Trump, e Jeffrey Epstein apareceu na manhã desta terça-feira (23), em frente ao Capitólio, em Washington D.C. O objeto trouxe mais força ao debate sobre a relação entre os dois, após a divulgação de documentos que ligam Trump a Epstein.

A estátua que apareceu na manhã de ontem retrata Trump e Epstein de mãos dadas e se olhando com expressões de satisfação, com placas abaixo dos dois. Entretanto, não se tem informações ainda sobre quem foi o responsável pelo objeto que está em frente ao Congresso dos EUA.

Estátua provocativa

O objeto trouxe à tona a relação entre o presidente dos EUA e o falecido empresário, que foi acusado de crimes sexuais e tráfico sexual de menores de idade. No topo, se observa Trump e Epstein de mãos dadas, se encarando e com as pernas levantadas, em uma posição cômica. No pé da estátua, se encontra uma placa que ironiza os dois, escrito: “Em honra ao mês da amizade”, com um coração. Abaixo do título, a placa insinua estar celebrando uma longa amizade entre o Presidente Donald J. Trump e seu “amigo próximo”, Jeffrey Epstein.”.

Nos pés dos dois, há mais duas placas, cada uma contendo palavras da suposta carga divulgada pelo Partido Democrata, onde contém o desenho de uma mulher nua e um diálogo escrito entre Trump e Epstein. 


Vídeo mostra pessoas parando para fotografar e filmar a escultura (Mídia: reprodução/X/@Metropoles)


A imagem atraiu uma multidão de transeuntes que passavam pela área, com muitos parando para tirar fotos e realizar gravações. O governo americano ainda não comentou sobre a estátua e nem quem pode ter sido o responsável por colocá-la em frente ao Congresso.  

Carta e documentos divulgados

Além da repercussão da polêmica estátua, a aproximação entre Trump e Epstein já estava em jogo nos debates, sendo uma crise do atual governo norte-americano. Anteriormente, no dia 8 de setembro, o Partido Democrata divulgou nas redes sociais uma carta com o desenho de uma mulher nua. O que mais chamou a atenção foi a assinatura, que foi alegada ser do presidente dos EUA. Posteriormente, Trump negou que a assinatura fosse dele e afirmou que o linguajar da carta não é o mesmo que o seu.

O conteúdo dessa carta já havia sido divulgado pelo jornal The Wall Street Journal, em julho, mas sem reproduzir o desenho. Trump negou a autoria da carta na época e processou o veículo em US$10 bilhões. De acordo com o jornal, a carta faz parte de um álbum criado por Ghislaine Maxwell, parceira de Epstein, para comemorar seus 50 anos. A situação da escultura em conjunto com os documentos e a carta vem reforçando a discussão sobre Trump e Epstein, já que muitos americanos, incluindo apoiadores do presidente, pedem que os documentos ligados ao bilionário sejam publicados. 

Conversa entre Lula e Trump deve ser a distância

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23) que se encontrou rapidamente com Lula e que os dois concordaram em conversar na próxima semana. O Governo Brasileiro, que confirmou a fala de Trump, entende que a reunião deve ocorrer de forma remota, por telefone ou videoconferência. 

Química excelente 

De acordo com Trump, o encontro com o líder brasileiro ocorreu pouco antes de seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente americano afirmou que eles se abraçaram e que houve uma “química excelente”, além disso, combinaram de se encontrar na próxima semana. Dentre os temas da reunião, devem estar: o tarifaço de 50% e as sanções aplicadas pelos EUA aos membros do judiciário brasileiro. O governo Trump se posiciona de forma contrária ao processo que culminou na condenação de Jair Messias Bolsonaro e outros 7 réus, membros do “núcleo crucial” da trama golpista. 


O presidente americano, Donald Trump, falando sobre o rápido encontro com Lula
(Vídeo: reprodução/YouTube/CartaCapital)

Amanda Robertson, porta-voz do Governo Americano, afirmou em entrevistas a canais brasileiros de televisão que a relação comercial entre os dois países deve ser reavaliada no futuro encontro dos presidentes. Robertson destacou que essas reuniões de “alto nível” são organizadas pelos diplomatas. 

Cautela do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, enxerga a situação com cautela. A preocupação é para não se repetir os recentes episódios constrangedores de líderes mundiais na Casa Branca. Em fevereiro deste ano, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, discutiu com Donald Trump e, segundo Lula, “foi humilhado” pelo americano. Em maio, Cyril Ramaphosa, da África do Sul, passou por cena parecida quando foi acusado de “limpeza étnica’’ no Salão Oval da sede do governo americano.


Lula falando sobre o bate-boca de Zelensky com Trump na Casa Branca
(Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)

Caso se confirme, será a primeira reunião entre Lula e Trump. Em seu discurso na ONU, o presidente brasileiro, que tradicionalmente abre a assembleia, reafirmou a soberania nacional, a defesa da democracia e condenou os ataques ao judiciário. Ele ainda se posicionou contra qualquer forma de anistia para aqueles que tentem abolir o Estado Democrático de Direto brasileiro. 


Jair Bolsonaro pede fim de prisão domiciliar ao STF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta terça-feira (23) um pedido de revisão da prisão domiciliar e de outras medidas cautelares ao STF (Supremo Tribunal Federal). A justificativa seria a falta do nome de Bolsonaro na denúncia feita pela PGR (Procuradoria Geral da República) contra o seu filho e deputado licenciado, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e o jornalista, Paulo Figueiredo, por coação no processo, em parceria com os Estados Unidos. 

Denúncia da PGR 

Nesta segunda-feira (22), a PGR denunciou, ao STF, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo por coação no curso do processo. A cúpula do Ministério Público Federal baseia a denúncia nas articulações dos brasileiros com o governo dos Estados Unidos, em busca de sanções contra o país e membros do STF, como o ministro Alexandre de Moraes. De acordo com o procurador, Paulo Gonet, o deputado e o jornalista se apresentavam como articuladores e patrocinadores dessas ações, que tinham como objetivo impedir a condenação de Jair Bolsonaro. 


A denúncia de Eduardo Bolsonaro pela PGR (Vídeo: reprodução/x/bbcbrasil)

No mesmo dia da denúncia da PGR, o governo de Donald Trump sancionou Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com a Lei Magnitsky. O ministro do STF é alvo da lei desde julho. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Viviane era a rede de apoio financeiro do marido. A Lei Magnitsky Global proíbe que organizações americanas ofereçam serviços aos sancionados, dificultando ações financeiras, uso de cartões de crédito e redes digitais.  

Situação de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro (PL), está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto. Decretadas por Alexandre de Moraes, o ex-presidente teve que cumprir outras medidas cautelares como: uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de falar com embaixadores e se aproximar de consulados, além da restrição no uso das redes sociais. Essas medidas fazem parte do inquérito que investigava Eduardo e Paulo Figueiredo. Como o nome de Jair Bolsonaro não apareceu na denúncia de Gonet, seus advogados defendem o fim das determinações.


O ex-presidente Bolsonaro já em prisão domiciliar, no dia 27 de agosto (Foto: reprodução/x/gabrielabilo1)

No dia 11 de setembro, Jair Messias Bolsonaro foi condenado pelo STF a uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão, em decorrência dos crimes de: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave, além de deterioração de patrimônio tombado. 




Trump critica ONU e questiona eficácia da diplomacia internacional

Durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso contundente criticando a atuação da ONU, apontando o que considera falhas na eficácia da organização em lidar com conflitos globais. Segundo Trump, embora a ONU tenha “muito potencial”, muitas vezes suas ações se limitam a palavras sem efeito prático.

Crítica direta à ONU e à diplomacia simbólica

“Na maior parte do tempo, ela parece ter palavras vazias e seguir uma carta apenas com palavras vazias. Elas não resolvem uma guerra, a única coisa que resolve uma guerra é uma ação”, disse o presidente, reforçando a necessidade de medidas concretas para a manutenção da paz internacional.

Trump aproveitou o discurso para destacar sua própria atuação, afirmando que, nos primeiros sete meses de seu segundo mandato, conseguiu encerrar sete conflitos internacionais. Ele enfatizou que a liderança dos Estados Unidos está disponível para colaborar com qualquer país disposto a agir de forma prática e decisiva para tornar o mundo “mais seguro e mais próspero”.


Discurso do presidente Trump (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

Alianças estratégicas e responsabilidade global

O discurso, marcado por um tom crítico, também incluiu menções à importância de alianças estratégicas e à responsabilidade de países poderosos em assumir papéis ativos na resolução de crises globais. Trump sugeriu que a ONU muitas vezes falha por depender apenas de declarações diplomáticas e resoluções que não são seguidas de ações concretas, e defendeu que o caminho para a paz exige comprometimento real e medidas efetivas.

Além de críticas à ONU, Trump também ressaltou a necessidade de cooperação entre países para enfrentar desafios globais, incluindo segurança internacional, comércio e tecnologia. Segundo ele, a postura norte-americana é oferecer parceria e liderança, mas sempre com foco em resultados concretos, e não apenas em discursos ou promessas.

Perspectiva internacional e análises de especialistas

Analistas internacionais observaram que o discurso de Trump reflete uma visão pragmática e unilateral dos Estados Unidos, priorizando resultados tangíveis sobre protocolos diplomáticos formais. Especialistas apontam que, ao enfatizar a ação direta, Trump busca reforçar a imagem de liderança americana, especialmente em um momento em que a ONU enfrenta críticas por sua lentidão em lidar com crises em diferentes regiões, como Oriente Médio, África e Ásia.

O discurso chamou atenção por sua clareza em diferenciar o que Trump considera diplomacia efetiva e diplomacia simbólica. Ao longo da fala, ele reiterou que a ONU deve ser mais do que um fórum de discussões: deve ser um espaço de decisões e ações que realmente impactam a vida das pessoas e a estabilidade mundial.






Lula na ONU: soberania, clima e denúncia de genocídio em Gaza

Em discurso proferido na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra o que chamou de crescente desrespeito à soberania dos países, especialmente manifestado por meio de sanções unilaterais e intervenções arbitrárias. Para Lula, tais medidas não são exceção, mas vêm se tornando uma “regra” no cenário internacional.

“Desordem internacional” e a importância das instituições democráticas

O presidente afirmou que os princípios que regem a criação da ONU estão sob ameaça. Criticando o uso do poder em escala global como instrumento de imposição, ele disse que atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais se intensificaram, corroendo a ordem internacional.

Lula também defendeu o julgamento de Jair Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe após perder a eleição de 2022 — ressaltando que todo o processo respeitou o direito ao contraditório e à ampla defesa. Esse ponto aparece como central para mostrar que a democracia brasileira funciona, inclusive nos momentos em que determinados atores externos buscam questionar decisões judiciais ou interferir politicamente.

Rejeição a sanções externas e apelo por autonomia

Sem citar nomes específicos, o presidente criticou medidas adotadas por outros países, especialmente sanções econômicas, restrições de vistos e tarifas comerciais voltadas ao Brasil. Ele classificou essas ações como arbitrárias — uma forma de intimidação diplomática que ameaça a integridade institucional do país.

Uma das mensagens mais fortes do discurso foi a afirmação de que “nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”. Essa declaração sinaliza que o Brasil, sob seu governo, não aceitará interferências externas que busquem fragilizar ou condicionar sua atuação institucional.


Discurso do presidente Lula (Reprodução/X/@GloboNews)

Contexto diplomático

O discurso de Lula ocorre em meio a tensões recentes entre Brasil e Estados Unidos, provocadas por sanções impostas por Washington, que incluem a revogação de vistos e restrições a autoridades brasileiras. O governo americano justifica essas medidas como resposta a decisões judiciais envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

No mesmo palco internacional, Donald Trump relatou ter se encontrado rapidamente com Lula nos bastidores da ONU. Segundo ele, os dois se cumprimentaram com um abraço e combinaram uma reunião para a semana seguinte, ocasião em que Trump elogiou o brasileiro, descrevendo-o como “um homem muito simpático”. 


Discurso do presidente Trump (Reprodução/X/@GloboNews)

Já a diplomacia brasileira insiste que as sanções ferem princípios fundamentais do direito internacional e da soberania nacional, enquadrando a disputa como parte de uma narrativa de defesa do respeito mútuo entre Estados e do fortalecimento das instituições democráticas.

Reformas internacionais, ação climática e critica ao genocídio em Gaza

Além da defesa da autonomia brasileira, Lula também voltou a cobrar reformas profundas nas instituições multilaterais, apontando que organismos como a ONU e o Conselho de Segurança precisam refletir a realidade geopolítica atual, dando mais espaço ao Sul Global e reduzindo as assimetrias de poder entre nações. Para ele, não é mais aceitável que estruturas criadas no pós-guerra continuem a determinar unilateralmente os rumos da política internacional.

A pauta ambiental também esteve no centro do discurso. Lula ressaltou a urgência em enfrentar a crise climática, defendendo a aceleração da transição energética e maior apoio financeiro e tecnológico aos países mais vulneráveis.

Ele frisou que florestas tropicais e comunidades tradicionais devem estar no centro das políticas ambientais e cobrou que os compromissos já assumidos pelas nações desenvolvidas saiam do papel. O presidente ainda propôs a criação de um balanço ético global das ações climáticas, que leve em conta não apenas números técnicos, mas também justiça, equidade e solidariedade entre os povos.

Um dos trechos mais contundentes do discurso foi dedicado ao conflito no Oriente Médio. Lula condenou o que chamou de genocídio em curso na Faixa de Gaza, afirmando que “nenhum atentado terrorista, por mais grave que seja, justifica o genocídio em andamento”.


Discurso do presidente Lula (Reprodução/X/@GloboNews)

Ele acusou países com poder de influência de serem “cúmplices” ao não agir para frear a escalada da violência e criticou o uso da fome como arma de guerra e o deslocamento forçado da população civil. Para o presidente, o massacre em Gaza não representa apenas a morte de milhares de inocentes, mas também a tentativa de anular o sonho de um Estado palestino.

Compromisso do Brasil com justiça, paz e sustentabilidade

O discurso de Lula reforça a postura do Brasil como um ator que busca equilíbrio entre soberania, justiça social e responsabilidade global. Ao combinar críticas à ordem internacional atual, apelos por ação climática e defesa de direitos humanos, o presidente projeta a imagem de um país ativo, que não se limita a reagir a eventos externos, mas propõe soluções e reformas estruturais.

Ao encerrar sua fala, Lula destacou que o respeito à vida, à democracia e à dignidade humana deve ser o alicerce de qualquer política internacional. Ele concluiu afirmando que o Brasil continuará a lutar por um mundo mais justo, sustentável e solidário, onde conflitos sejam resolvidos pelo diálogo e pela cooperação, e não pela imposição ou violência.







Lula afirma estar aberto a diálogo com Trump em entrevista nos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (22) que está disposto a dialogar com Donald Trump, caso o republicano manifeste interesse. A declaração foi feita em entrevista ao canal norte-americano PBS, durante sua primeira visita oficial aos Estados Unidos desde que o ex-presidente americano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Lula ressaltou que, até o momento, nunca houve contato direto entre os dois líderes.

Crítica à aproximação com Bolsonaro

Durante a entrevista, Lula comentou que Trump teria optado por construir uma relação política com Jair Bolsonaro, decisão que considera equivocada. “Na minha opinião, isso foi um erro. Ele fez uma escolha de construir uma relação com Bolsonaro, e não uma relação com o povo brasileiro”, afirmou. O presidente brasileiro ainda destacou que está preparado para tratar de temas políticos diretamente com Trump, caso haja disposição do ex-mandatário dos EUA.

Questionado sobre as tarifas impostas ao Brasil, Lula classificou como “inacreditável” a postura de Trump diante do país. Segundo o petista, a medida não foi apenas de caráter econômico, mas principalmente política. O republicano justificou o tarifaço citando o julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, associando a decisão à tentativa de encerrar o que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente.


Lula e Trump discursam na ONU (Vídeo: reprodução/YouTube/@bbcnewsbrasil)


Relação entre Estados

Na visão de Lula, a relação entre nações deve estar acima de afinidades pessoais ou diferenças ideológicas. “Um chefe de Estado tem que ter uma relação com outro chefe de Estado, independentemente da posição política. Estes são dois Estados importantes, as maiores democracias da América, as maiores economias da América. Portanto, é muito importante que a gente tenha uma relação muito civilizada”, declarou.

Lula está em Nova York para abrir o debate de líderes da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23). O discurso deve trazer recados indiretos a Trump, além de defender a soberania brasileira e criticar medidas unilaterais de tarifas. O presidente também deve destacar temas como democracia, multilateralismo, reforma da ONU, preservação ambiental e transição energética. Outro ponto esperado é a defesa de um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, reforçando o papel do Brasil como mediador no cenário internacional.

Após assinar ordem executiva, Trump considera movimento Antifa como grupo terrorista

Nesta segunda-feira (22), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto para que o movimento Antifa passe a ser considerado como um grupo terrorista. O presidente Trump já havia feito uma declaração na semana anterior a respeito do movimento. As ameaças aos movimentos de esquerda, por parte de Trump, ganharam mais força após o assassinato de Charlie Kirk, no dia 10 de setembro.

Ataques à esquerda e ao movimento Antifa

Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, voltou a ameaçar ações contra movimentos de esquerda depois que Charlie Kirk foi assassinado. Os ataques ao movimento Antifa começaram na semana anterior à assinatura da ordem executiva: a declaração foi dada por meio de uma publicação na rede social Truth Social, que pertence ao grupo Trump Media & Technology Group. Trump disse: “Tenho o prazer de informar aos nossos muitos Patriotas dos EUA que estou designando a ANTIFA, UM DESASTRE DOENTIO, PERIGOSO E RADICAL DA ESQUERDA, COMO UMA GRANDE ORGANIZAÇÃO TERRORISTA”.


Trump assina ordem e movimento Antifa é considerado terrorista (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


A ordem executiva assinada nesta segunda-feira dizia que o movimento Antifa defende derrubar o governo dos EUA e utiliza meios ilegais para organização e execução de uma campanha de violência e terrorismo. O decreto ainda trazia que o Antifa “recruta, treina e radicaliza jovens americanos para participarem dessa violência e da supressão da atividade política, utilizando depois mecanismos elaborados para esconder a identidade de seus integrantes, ocultar suas fontes de financiamento e operações, numa tentativa de frustrar a atuação das autoridades, e recrutar novos membros”

O movimento Antifa

Antifa é o nome dado para o movimento que tem ideais antifascistas – o nome do movimento vem da palavra antifascista. Os grupos lutam contra o racismo e o sexismo; podem ser vistos como pessoas de esquerda e de extrema esquerda – porém, o grupo se considera apartidário. 

O movimento Antifa está presente em diversos países. Nos Estados Unidos, o Antifa esteve presente durante as manifestações do movimento “Black Lives Matter”, que aconteceram após o assassinato de George Floyd. Na época, Donald Trump – que ainda estava terminando seu primeiro mandato – também fez críticas ao movimento. 

Trump associa o uso do paracetamol durante gravidez ao autismo

Em uma declaração que gerou controvérsia e reações imediatas da comunidade médica e científica, o presidente Donald Trump associou o uso de paracetamol durante a gravidez a um suposto aumento no risco de autismo em crianças. Em um anúncio realizado nesta segunda-feira (22), ele afirmou que a agência reguladora de medicamentos dos EUA, a FDA (Food and Drug Administration), alertará os médicos sobre essa suposta conexão, recomendando que grávidas evitem o medicamento a menos que seja “estritamente necessário”.

Declarações infundadas contrastam com consenso médico

A afirmação, no entanto, vai de encontro às diretrizes atuais de saúde e às evidências científicas. O paracetamol (acetaminofeno), vendido nos EUA sob a marca Tylenol, é globalmente reconhecido como um analgésico e antitérmico seguro para uso na gestação. Organizações de saúde, como o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, reforçam que não há provas de uma relação direta e causal entre o uso prudente do medicamento e problemas de desenvolvimento fetal.

A própria farmacêutica Kenvue, que produz o Tylenol, emitiu um comunicado oficial, ressaltando a ausência de “base científica” para a associação feita por Trump. A preocupação da comunidade médica é que declarações sem embasamento possam levar gestantes a evitar um medicamento essencial para tratar febre e dores, condições que, se não tratadas, podem apresentar riscos reais, como parto prematuro ou aborto espontâneo.


Reportagem aborda declaração polêmica de Trump (Vídeo: reprodução/YouTube/Rádio BandNews FM)

Trump promove leucovorina como tratamento para autismo

Além da polêmica sobre o paracetamol, Trump também defendeu o uso da leucovorina, uma forma de ácido fólico já usada em tratamentos oncológicos, como uma possível terapia para o autismo. A fala foi feita pouco depois de a FDA aprovar uma versão do medicamento para tratar uma condição rara, a deficiência cerebral de folato (CFD), que pode manifestar sintomas semelhantes ao autismo.

Embora alguns estudos limitados tenham sugerido um potencial de melhora em sintomas de autismo, a comunidade científica é unânime em apontar a necessidade de pesquisas de maior escala e rigor metodológico para comprovar qualquer benefício. A ausência de um novo estudo que embase a recomendação de Trump levanta sérias preocupações sobre a validade da indicação.

Governo dos EUA provoca Alexandre de Moraes e sua esposa, os comparando com Bonnie e Clyde

Nesta segunda-feira (22), o governo dos Estados Unidos classificou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como um “agente externo nocivo” e, ao justificar punições contra sua esposa, Viviane Barci de Moraes, fez menção ao casal de criminosos Bonnie e Clyde.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que Viviane atua como apoiadora e defensora de Moraes. Segundo ele, pessoas que oferecem cobertura e sustentação a figuras vistas dessa forma colocam em risco interesses dos EUA e também estão sujeitas a medidas de responsabilização.

Já o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou que a decisão foi tomada porque Viviane garantiria uma base de suporte financeiro ao ministro, que desde julho já estava sob sanções.

Alexandre de Moraes já havia sido sancionado

Segundo o governo norte-americano, as penalidades aplicadas são um conjunto de medidas iniciadas ainda na gestão de Donald Trump, que atribuiu a Alexandre de Moraes condutas como abuso de poder, implementação de um sistema de censura, perseguição direta a adversários políticos e violações graves de direitos humanos.

Com a decisão, qualquer patrimônio ou recurso financeiro registrado em nome de Viviane Moraes em território norte-americano fica congelado, assim como negócios ou companhias vinculadas a ela. A partir de agora, tanto o ministro do STF quanto sua esposa estão impedidos de realizar operações financeiras com cidadãos ou empresas dos Estados Unidos, incluindo movimentações por meio de cartões de crédito emitidos por instituições americanas.


Viviane Barci sofreu sanções pelo governo dos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

A inclusão de Viviane nas sanções previstas pela Lei Magnitsky faz parte de uma ofensiva de retaliação do governo Trump contra o magistrado. O Supremo havia condenado o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Trump, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe em agosto. A aplicação da Lei Magnitsky à esposa do ministro, somada à suspensão de vistos, marca o primeiro movimento de resposta de Washington após a decisão do STF contra Bolsonaro.

Lei Magnitsky

A Lei Magnitsky autoriza o governo dos Estados Unidos a aplicar punições contra cidadãos de outros países. Sua finalidade é responsabilizar indivíduos acusados de cometer violações graves de direitos humanos ou de participar de esquemas significativos de corrupção. A lei recebeu esse nome em memória do advogado russo Sergei Magnitsky, que morreu na prisão após denunciar um esquema de desvio de recursos envolvendo integrantes do governo da Rússia. O projeto foi aprovado pelo Congresso norte-americano e oficializado pelo então presidente Barack Obama em 2012.

Num primeiro momento, o foco era atingir empresários e autoridades russas envolvidos no caso que levou à morte do advogado. Já em 2016, consolidou-se a interpretação de que a lei poderia ser aplicada em situações mais amplas, como episódios de corrupção internacional, ligações com organizações criminosas e abusos sistemáticos de direitos humanos. Nesse mesmo ano, o alcance da legislação foi estendido para ter validade global. Desde então, diversas pessoas ao redor do mundo passaram a ser alvo de sanções com base nesse dispositivo jurídico.