Antenas da Starlink são recolhidas em garimpo ilegal na Terra Yanomami

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), Agentes do Grupo Especial de Fiscalização do Ibama (GEF) e do Grupo de Resposta Rápida da Polícia Rodoviária Federal (GRR), confiscaram nesta terça-feira(14), armamentos, projéteis e duas antenas de internet da Starlink em uma área de garimpo ilegal na Amazônia. A empresa de internet por […]

29 mar, 2023

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), Agentes do Grupo Especial de Fiscalização do Ibama (GEF) e do Grupo de Resposta Rápida da Polícia Rodoviária Federal (GRR), confiscaram nesta terça-feira(14), armamentos, projéteis e duas antenas de internet da Starlink em uma área de garimpo ilegal na Amazônia. A empresa de internet por satélite faz parte da SpaceX, do bilionário Elon Musk. 

Os Agentes de segurança chegaram ao local através de três helicópteros, sendo recebidos a tiros. Apesar disso, os garimpeiros conseguiram escapar da região. Um representante que atuou na ação relatou que localizou uma antena em funcionamento.


Antenas da Starlink são recolhidas em garimpo ilegal na Terra Yanomami 

Kit de internet em um garimpo ilegal. Foto: Reprodução/AP


Além disso, os profissionais de segurança confiscaram documentações, 15 gramas de ouro, 600 gramas de mercúrio e 508 cartuchos de munição de diversos calibres. Foram destruídas quatro embarcações de mineração, 12 geradores, 23 artefatos de acampamento e armazenamento, além de sete motores de barcos na operação e 3.250 litros de combustível.

O local onde foi realizada a operação é conhecido como “Ouro Mil”. De acordo com informações federais, a área é comandada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ibama já confiscou outras cinco unidades de antenas da mesma empresa em terras Yanomami, no último mês, além dos dois equipamentos recolhidos na última terça.

O Ibama declarou que está analisando como de impedir o sinal da Starlink em locais de mineração ilegal. O sistema de internet criado por Elon  Musk tem sido utilizado por garimpeiros clandestinos no Brasil para fazer pagamentos, administrarem atos ilegais e receberem alertas de operações policiais.


Antenas da Starlink são recolhidas em garimpo ilegal na Terra Yanomami

Objetos abandonados por garimpeiros no território indígena Yanomami. Foto: Reprodução/AP


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu permissão aos representantes estaduais  para conter a destruição ambiental, principalmente em relação a mineração ilegal na Terra Yanomami que é o maior território indígena do Brasil. 

Desde o início da exploração ilegal, em torno de 20 mil garimpeiros poluíram os rios com mercúrio, que é utilizado para separar o ouro, provocando doenças nos indigenas e provocando fome coletiva. 

Os transgressores utilizavam a internet na região há um bom tempo, mas o sinal era de baixa velocidade, sobretudo em épocas chuvosas. Contudo, era preciso enviar um técnico por meio de avião, para a instalação de uma antena fixa, pois o objeto não pode ser carregado sempre que as zonas de mineração são invadidas ou se mudam. 

 

Starlink quer oferecer internet a locais remotos

A Starlink lançou os primeiros satélites de telecomunicação em maio de 2019, em Cabo Canaveral, no estado da Flórida, nos Estados Unidos. O objetivo da empresa é fornecer internet de alta velocidade para locais onde não existe infraestrutura para instalação de rede de banda larga e oferecer baixo custo para áreas remotas.


Antenas da Starlink são recolhidas em garimpo ilegal na Terra Yanomami

Lançamento da Falcon 9 da SpaceX com 60 satélites em Cabo Canaveral, na Flórida. Foto: Reprodução/AP


A tecnologia funciona por meio de uma conexão com terminais terrestres que podem ser instalados em residências, empresas e veículos. A Starlink chegou ao Brasil em 2022 e se popularizou rapidamente. O equipamento funciona mesmo em movimento, apresentando velocidade tão rápida quanto nas grandes cidades brasileiras e funciona até em dias chuvosos.

A floresta amazônica é vista pela empresa como uma oportunidade para aumentar a suas operações, mas o projeto com o governo brasileiro, não avançou. De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério das Comunicações, não houve nenhum acordo com a SpaceX, e no momento somente três terminais foram construídos em escolas da Amazônia para ficarem no local apenas por 12 meses.

 

Foto destaque: Antena da Starlink. Reprodução/Instagram

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