Arquivos sobre OVNIs liberados pelo governo EUA expõem relatos da Apollo

OVNIs e flashes de luz são relatados em arquivos exclusivos liberados pelo governo Trump; NASA ainda não se pronunciou frente a divulgação dos arquivos

10 maio, 2026
OVNIs visto da superfície da Lua durante missão Apollo | Reprodução/NASA/Departamento de Guerra dos EUA
OVNIs visto da superfície da Lua durante missão Apollo | Reprodução/NASA/Departamento de Guerra dos EUA

A divulgação de documentos federais sobre OVNIs voltou a movimentar debates acerca da existência de vida fora da Terra. Nesta sexta-feira (08), o governo de Donald Trump liberou fotos, vídeos e relatos arquivados de missões espaciais da NASA, incluindo registros das Apollo 12 e Apollo 17, que descrevem avistamentos de partículas luminosas e fenômenos não identificados próximos às espaçonaves durante as viagens à Lua.

Os materiais disponibilizados reúnem documentos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, FBI e NASA, compilando casos registrados desde 1947. Entre os relatos, astronautas descrevem flashes intensos, objetos rotativos e fragmentos brilhantes no espaço, enquanto autoridades norte-americanas afirmam que os chamados UAPs, Fenômenos Anômalos Não Identificados, não representam, necessariamente, evidências de vida extraterrestre.

Relatos das missões Apollo

Durante a missão Apollo 12, realizada em 1969 e responsável pelo segundo pouso tripulado na Lua, o astronauta Alan Bean relatou ter observado partículas e flashes luminosos “escapando da Lua” e atravessando o espaço. Os documentos liberados apontam que os tripulantes chegaram a registrar fenômenos intermitentes próximos à espaçonave, classificados posteriormente como UAPs pelo governo norte-americano.

Na Apollo 17, última missão tripulada do programa lunar em 1972, Ronald Evans e Jack Schmitt também descreveram a presença de “fragmentos muito brilhantes” flutuando e girando ao redor da nave. O comandante Eugene Cernan afirmou ter visto rastros luminosos e luzes piscando intensamente, comparando a observação a um farol de trem. Segundo os astronautas, os fenômenos aparentavam ser objetos físicos e não apenas efeitos ópticos. Os relatos presentes nos documentos chamam atenção principalmente pela recorrência das observações em diferentes missões realizadas em períodos distintos do programa Apollo.


Arquivos sobre OVNIs liberados pelo governo EUA expõem relatos da Apollo

Imagem tirada da Lua durante missão Apollo 17 retrata pontos de luz não identificados (Foto: reprodução/NASA/Departamento de Guerra dos EUA)


Além das missões Apollo, outros registros semelhantes aparecem em documentos arquivados pelo governo dos Estados Unidos. Em 1965, durante a Gemini VII, os astronautas Frank Borman e Jim Lovell relataram ao controle de solo o avistamento de um “bicho-papão”, código militar utilizado para aeronaves não identificadas. Na ocasião, ambos afirmaram ter visto partículas brilhantes passando próximas à cápsula, descartando a possibilidade de serem destroços do foguete auxiliar recém-separado da nave. O episódio acabou se tornando um dos primeiros registros de possíveis UAPs associados diretamente a missões espaciais norte-americanas.

Governo divulga arquivos e NASA mantém posição

A liberação dos materiais foi realizada por ordem do presidente Donald Trump, que em fevereiro instruiu órgãos federais a tornarem públicos documentos relacionados aos fenômenos aéreos não identificados. Em comunicado oficial, o governo afirmou promover uma “transparência sem precedentes” sobre casos investigados ao longo das últimas décadas e declarou que “é hora do povo americano ver por si mesmo”. A medida também foi interpretada por parte do público como uma crítica indireta a administrações anteriores, frequentemente acusadas de manter informações sigilosas sobre o tema.


Departamento de Guerra arquivos e vídeo retrata OVNIs (Vídeo: reprodução/Instagram/@deptofwar)


Os 162 documentos, fotos e vídeos divulgados foram disponibilizados em uma área específica do Departamento de Guerra dos Estados Unidos destinada aos UAPs. Segundo o órgão, os materiais arquivados dizem respeito a “casos não resolvidos”, nos quais não foi possível determinar definitivamente a natureza dos fenômenos observados. O departamento ainda informou que seguirá produzindo relatórios sobre ocorrências solucionadas e incentivando análises do setor privado e da comunidade científica para aprofundar as investigações relacionadas aos registros divulgados.

Apesar da repercussão envolvendo os relatos das missões espaciais, a NASA ainda não se pronunciou oficialmente sobre a decisão de liberar os arquivos. A agência espacial mantém o posicionamento adotado nos últimos anos de que os UAPs são fenômenos reais, mas que não existem evidências concretas que indiquem atividades extraterrestres. Entre 2022 e 2023, estudos conduzidos pela própria NASA concluíram que muitos avistamentos podem ser explicados por ilusões de ótica, baixa qualidade das imagens, reflexos luminosos e objetos já identificados no espaço. Ainda assim, o tema continua despertando interesse público e alimentando debates envolvendo ciência, exploração espacial e a possibilidade de vida além da Terra.

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