Bastidores de investigação abrem possibilidade de delação de Vorcaro
Mudanças do STF e falta de apoio da PGR no caso do Banco Master podem garantir tal recurso a partir da Policia Federal e do próprio banqueiro
Preso novamente na quarta-feira (4), o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que é investigado por esquema bilionário de fraudes financeiras, pode ter novas possibilidades de resolução do caso, graças à movimentação do próprio sistema de justiça. Entende-se que a crise não é somente um problema para uma parte ou outra, mas sim acaba expondo o próprio sistema político, mudando o rumo da operação, iniciada em 2024 após suspeitas de carteiras de crédito artificiais e ativos de ruins vendidos para outros bancos.
O que causou essa condição
A investigação era conduzida por Dias Tofolli desde novembro do ano passado e, pelas circunstâncias, a decisão de manter o caso como decisão política era clara, sendo apoiado pela Procuradoria-Geral da República quanto às medidas mais duras. Agora, em 2026, após descobrimento de mensagens do investigado fazendo referência a Toffoli, o próprio solicitou a saída do caso.
André Mendonça assumiu e autorizou a operação pedida pela Polícia Federal, que abriria uma possível decisão de Daniel Vorcaro. Mesmo precoce, uma eventual delação premiada é possível, visto a mudança no STF. Dessa forma, o banqueiro deveria construir sua própria saída, abrindo espaço para essa delação.
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Explicação de Andréia Sadi sobre o caso (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)
Outros movimentos que abrem a possibilidade
Dois pontos dos bastidores fortalecem essa avaliação, primeiramente, já existe a procura de advogados que conduziram o caso baseado em uma delação premiada. Além disso, existe uma falta de apoio da PGR com a PF, que pode prejudicar a operação.
Nesse mesmo modelo, outros casos já ocorreram, abrindo ainda mais a possibilidade de acontecer. A própria Procuradoria já tomou decisões diferentes, que serviram como sinais, como por exemplo a interpretação de não haver irregularidade no acordo de cerca de R$530 milhões entre a mulher do ministro de Alexandre de Moraes e o Master, onde Dias Toffoli não entrou como suspeito e seguiu no caso.
Quem deve assumir a investigação
Por conta da decisão e o apoio de Mendonça, é visto que a Polícia Federal deve assumir a investigação com respaldo do Supremo Tribunal Federal, o que era difícil de acontecer com Toffoli na relatoria. Esse movimento pode definir o que irá acontecer, com Vorcaro dependendo mais da sua escolha e menos de articulações políticas.
Investigadores acreditam que essa delação só seria feita com a entrega de informações a mais do que a polícia já tem, com isso, o desafio passa a ser a busca de novos desdobramentos com envolvimento de personagens e pessoas importantes que não estão diretamente envolvidas no caso.
