Bolsonaro passa mal na prisão e é levado ao hospital
Bolsonaro teve uma crise durante a noite na cela da PF em Brasília, caiu e sofreu ferimentos leves, os médicos avaliam exames complementares
O ex-presidente Jair Bolsonaro passou mal durante a madrugada desta terça-feira (6), sofreu uma queda dentro da cela onde está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e bateu a cabeça em um móvel. A informação foi divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que relatou preocupação com o estado de saúde do marido e afirmou que o atendimento médico só ocorreu pela manhã.
Relato feito por Michelle Bolsonaro
Em publicações nas redes sociais, Michelle Bolsonaro afirmou que o ex-presidente teve uma crise enquanto dormia e acabou caindo ao se levantar. Segundo ela, Bolsonaro “não está bem” e apresentou sinais de mal-estar durante a noite. A ex-primeira-dama também relatou que a cela permanece trancada no período noturno, o que teria impedido um atendimento imediato após a queda. O episódio só teria sido percebido oficialmente quando agentes da Polícia Federal foram chamá-lo pela manhã para receber visita.

Stories de Michele Bolsonaro sobre a saúde do marido (Foto: reprodução/Instagram/@michellebolsonaro)
Michelle descreveu o momento como angustiante e disse estar acompanhando de perto a situação médica do ex-presidente. Em tom de preocupação, afirmou que aguardava informações mais detalhadas sobre os primeiros atendimentos realizados e sobre as medidas que seriam tomadas a partir da avaliação clínica inicial.
Atendimento médico e avaliação inicial
Após o episódio, Jair Bolsonaro foi atendido por um médico da Polícia Federal e, posteriormente, avaliado por seu médico particular. De acordo com as informações divulgadas, o ex-presidente sofreu um traumatismo cranioencefálico leve em decorrência da queda. Os profissionais de saúde indicaram que, naquele primeiro momento, não havia sinais de gravidade, mas recomendaram observação clínica para monitorar possíveis complicações.
A Polícia Federal informou, em nota, que o atendimento foi prestado assim que a situação foi comunicada e que os ferimentos constatados foram leves. Segundo a corporação, não houve necessidade imediata de transferência hospitalar, mas o quadro segue sendo acompanhado por profissionais de saúde.
Possibilidade de exames complementares
Mesmo com a avaliação inicial indicando um quadro estável, a equipe médica considera a realização de exames complementares, como tomografia ou ressonância magnética, para descartar lesões mais graves em decorrência da pancada na cabeça. A realização desses exames, no entanto, depende de autorização judicial, já que Bolsonaro está sob custódia da Polícia Federal.
A defesa do ex-presidente já sinalizou a intenção de solicitar ao Supremo Tribunal Federal a liberação para que os exames sejam realizados em um hospital especializado em Brasília. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a autorização ou sobre eventual transferência temporária para uma unidade hospitalar.
Histórico recente de problemas de saúde
O novo episódio ocorre poucos dias após Jair Bolsonaro ter recebido alta hospitalar. No fim de 2025, o ex-presidente passou por procedimentos médicos relacionados a uma hérnia inguinal e também tratou um quadro persistente de soluços, que vinha causando desconforto e exigiu acompanhamento clínico. Ele deixou o hospital no início de janeiro e retornou à custódia da Polícia Federal logo em seguida.
Desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro apresenta um histórico recorrente de internações, cirurgias e complicações de saúde. Ao longo dos últimos anos, essas condições têm sido frequentemente citadas por aliados e pela defesa como motivo de preocupação quanto à sua permanência em regime prisional.
Impactos no cenário jurídico
A saúde do ex-presidente já foi usada anteriormente pela defesa como argumento para pedidos de prisão domiciliar, sob alegação de razões humanitárias. No entanto, o Supremo Tribunal Federal negou as solicitações, entendendo que as condições médicas apresentadas até então não justificavam a mudança no regime de cumprimento da pena.
Com o novo episódio envolvendo queda e traumatismo leve na cabeça, a defesa pode voltar a pressionar o Judiciário por medidas alternativas, dependendo do resultado dos exames e da evolução do quadro clínico. Especialistas avaliam que qualquer decisão nesse sentido dependerá de laudos médicos detalhados e de pareceres técnicos.
Repercussão política e expectativa por novas informações
O caso teve forte repercussão política e nas redes sociais, com manifestações tanto de apoiadores quanto de críticos do ex-presidente. Enquanto aliados demonstraram preocupação com sua integridade física, opositores ressaltaram que o acompanhamento médico faz parte dos procedimentos previstos para presos sob custódia do Estado.
Até o momento, Jair Bolsonaro permanece na Superintendência da Polícia Federal, em observação. A expectativa é de que novas informações sobre seu estado de saúde sejam divulgadas após a conclusão de exames médicos e avaliações complementares, o que deve ocorrer nos próximos dias.
