Trump encerra participação dos EUA em 66 entidades globais

Governo norte-americano corta relações com organizações internacionais e ONU, redefinindo claramente prioridades em cooperação internacional

08 jan, 2026
Trump na Assembleia Geral da ONU em Nova York em 23 de setembro de 2025 | Reprodução/Timothy A. Clary/AFP via Getty Images Embed
Trump na Assembleia Geral da ONU em Nova York em 23 de setembro de 2025 | Reprodução/Timothy A. Clary/AFP via Getty Images Embed

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (7) uma proclamação que retira o país de 35 organizações não pertencentes à ONU e de 31 entidades da própria ONU. Segundo a Casa Branca, a medida ocorre porque os organismos “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”.

A decisão afeta principalmente agências, comissões e painéis ligados a temas climáticos, trabalhistas e de diversidade, reforçando uma abordagem seletiva do governo americano frente ao multilateralismo internacional. Especialistas alertam para os impactos em programas globais de desenvolvimento e cooperação.

Impacto e alcance da decisão

A maior parte das organizações atingidas são agências da ONU ou entidades internacionais que tratam de mudanças climáticas, igualdade de gênero, comércio e desenvolvimento. Entre elas estão ONU Mulheres, UNFCCC, UNCTAD e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O governo Trump passa a escolher financeiramente quais operações e agências apoiará, priorizando apenas aquelas que considera alinhadas à sua agenda.


Trump anuncia retirada dos EUA de 66 organizações internacionais (Foto: reprodução/X/@CasaBranca)


Analistas internacionais avaliam que a medida reforça uma postura “ou do meu jeito ou nada feito” do governo americano. Daniel Forti, do International Crisis Group, observou que essa abordagem redefine a forma como os EUA participam de organismos multilaterais, limitando a cooperação global apenas a iniciativas consideradas estratégicas por Washington.

Consequências para organizações e políticas globais

ONGs e entidades parceiras da ONU já relatam encerramento de projetos devido aos cortes na ajuda externa americana, realizados por meio da USAID, também afetada no ano passado. A saída americana de organismos multilaterais gera impactos diretos em programas de desenvolvimento, preservação ambiental e direitos humanos, forçando ajustes internos nas próprias instituições internacionais.


Trump retira os EUA de organizações internacionais e muda relação com ONU (Vídeo: reprodução/YouTube/OPOVO)


Trump já havia adotado medidas semelhantes em seu primeiro mandato, retirando os EUA da Organização Mundial da Saúde e suspendendo apoio a outras agências da ONU. Com a decisão desta semana, o governo reforça a tendência de selecionar quais iniciativas internacionais receberão apoio, mantendo o foco em ações consideradas estratégicas para os interesses nacionais e limitando compromissos multilaterais de longo prazo.

A ação também aumenta a pressão sobre as próprias Nações Unidas, que passam a lidar com cortes de pessoal e financiamento, além de reorganizar prioridades diante do afastamento norte-americano. Para especialistas, a decisão evidencia como os EUA definem agora seu papel no cenário internacional, influenciando alianças e programas globais de maneira mais direta e assertiva.

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