Carlos Bolsonaro volta a negar golpe três anos após os atos de 8 de janeiro

Ao todo, mais de 2000 pessoas foram detidas e; Carlos Bolsonaro afirma que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro sofrem uma perseguição do governo

08 jan, 2026
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Carlos, em entrevista | Reprodução/Getty Images Embed/Evaristo Sa
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Carlos, em entrevista | Reprodução/Getty Images Embed/Evaristo Sa

Nesta quinta-feira (8), Carlos Bolsonaro publicou em suas redes sociais sobre os atos de 8 de janeiro de 2023. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar que não houve golpe e disse que eles estariam sofrendo uma perseguição por parte do governo.

Neste 8/1, completam-se três anos da série de ataques às sedes dos Três Poderes — Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) — em Brasília, praticados por manifestantes apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, inconformados com o resultado das eleições presidenciais de 2022.

O ex-vereador Carlos Bolsonaro, nesta data, voltou a comentar sobre os atos de 8/1, afirmando que as instituições do governo estariam sendo cúmplices de uma perseguição à família Bolsonaro e às pessoas presas em decorrência dos acontecimentos de 8 de janeiro. Ele disse ainda que essas instituições deveriam zelar pela “Constituição, pelos direitos humanos e pelo devido processo legal”. No entanto, Carlos afirma que o que está vivenciando é o silêncio dessas mesmas instituições.  

Publicação de Carlos Bolsonaro

O ex-vereador Carlos Bolsonaro deixou o cargo na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que ocupou de 2001 até dezembro de 2025, para se candidatar ao Senado em 2026 pelo Partido Liberal (PL).

Nesta quinta-feira (8), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro comentou no X (antigo Twitter) sobre os acontecimentos da mesma data há três anos, voltando a defender que não houve tentativa de golpe por parte de seu pai e de seus aliados. Ele também manifestou apoio às pessoas presas pelos ataques ao Congresso Nacional, ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal (STF), assim como aos que foram presos nos acampamentos em frente a bases militares.


Carlos Bolsonaro comenta sobre os atos de 8 de janeiro (Foto: reprodução/X/@CarlosBolsonaro)


Carlos Bolsonaro também afirma que as condenações pelos atos de 8/1 não seriam democráticas e que não representam a justiça atuando, mas sim uma vingança, chegando a afirmar ser o “verdadeiro negacionismo em sua essência”.

O ex-vereador busca ganhar mais força para as próximas eleições e se tornar senador, cargo no qual poderia ajudar seu partido na criação e votação de leis que visam reduzir penas de pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro, incluindo seu pai, Jair Bolsonaro. Um exemplo é o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, que busca reduzir penas ou reclassificar crimes relacionados aos acontecimentos de 8/1.

O PL foi vetado pelo presidente Lula nesta quinta-feira (8) e retorna ao Congresso Nacional, que poderá tentar derrubar o veto em votação conjunta de deputados e senadores — processo que exigiria maioria qualificada para o texto voltar a valer como lei.

Atos de 8 de janeiro

Nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, completam-se três anos dos atos de 8/1, que consistiram em uma série de ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, e em acampamentos em frente a quartéis militares por todo o país — onde esses manifestantes, apoiadores de Bolsonaro, solicitavam intervenção militar por conta das eleições de 2022. Esses atos ficaram conhecidos por serem antidemocráticos, pois manifestavam oposição ao resultado das eleições de 2022, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).

Até o momento, foram registradas 810 condenações relacionadas aos atos de 8/1, sendo 395 por crimes mais graves e 415 por crimes mais leves, além de 14 absolvições.


Presidente do Brasil, Lula comenta sobre os atos de 8 de janeiro (Vídeo: Reprodução/X/@LulaOficial)


Para concluir, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso posteriormente aos atos de 8/1, em razão dos crimes relacionados à trama golpista. Ele foi condenado pelo STF por sua participação na organização e estímulo de uma tentativa de golpe de Estado, além de crimes correlatos ligados aos ataques e aos esforços para permanecer no poder após a derrota nas eleições de 2022.

Bolsonaro foi condenado pelos seguintes crimes: tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito por meios ilegítimos, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e destruição de patrimônio protegido. O ex-presidente recebeu a pena de vinte e sete anos e três meses de prisão em regime inicialmente fechado, que está sendo cumprida na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

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