Primeira-dama Janja relata dois casos de assédio durante governo Lula
Socióloga disse ter a sensação de falta de segurança em todos os lugares que vai com o presidente e promete investir no combate contra a violência
No programa Sem Censura, da TV Brasil, que foi ao ar na última terça-feira (03), Rosângela Lula da Silva, socióloga e primeira-dama do Brasil, foi entrevistada por Cissa Guimarães e revelou ter sofrido assédio em dois momentos diferentes durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve início em janeiro de 2023. Janja declarou que, mesmo com toda a segurança, casos de violência contra as mulheres podem ocorrer em todos os ambientes de trabalho e recebeu apoio de diversos políticos e militantes nas redes sociais.
Programa discutiu violência doméstica e feminicídio
O tema do Sem Censura exibido na terça-feira abordou uma das prioridades do presidente Lula: o combate ao feminicídio. Durante a discussão, Janja recorreu à própria experiência para destacar a vulnerabilidade das mulheres diante desse tipo de violência, sem entrar em detalhes sobre os episódios mencionados. Ela também provocou uma reflexão ao afirmar que, se a primeira-dama, cercada por esquemas de segurança, pode sofrer assédio, a situação tende a ser ainda mais preocupante para uma mulher sozinha à noite em um ponto de ônibus.
“Eu, como primeira-dama, não tenho segurança no lugar onde estou e em nenhum lugar”, disse Janja. “Eu posso dizer que já fui assediada nesse período duas vezes. Eu sendo primeira-dama, estando em lugares que eu acho que são seguros e, mesmo assim, fui assediada”, explicou.
Programa Sem Censura na Íntegra (Vídeo: reprodução/YouTube/TV Brasil)
O programa, que tem mais de 40 anos de história, é direcionado para vários assuntos, com debates e opiniões durante 120 minutos. Além da primeira-dama, Daniela Grelin, diretora executiva da No More Foundation, e Antonia Pellegrino, diretora de conteúdo e programação da EBC completaram a mesa.
Todas participam de diferentes movimentos contra o feminicídio. Janja Lula da Silva é a principal articuladora do “Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio”, lançado no mês passado pelo Governo Federal. Ela fala sobre os desafios de criar medidas concretas e o papel do Estado. Daniela Grelin atua na organização que acaba de chegar ao Brasil propondo ações de mobilização social, prevenção e mudança de comportamento visando acabar com a violência. Antonia Pellegrino atua na campanha “Feminicídio Nunca Mais”, realizada pela TV Brasil em parceria com a No More, a UNESCO e a Confederação Brasileira de Futebol, lançada no Rio de Janeiro.
Casos no Brasil
O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025, sendo 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros do ano anterior, o que pode refletir em maior rigor na contabilização e na fiscalização, policiamento e apoio do governo, que vem buscando novas medidas.
O Brasil registrou uma série de casos de feminicídio ao longo do ano, evidenciando a violência extrema enfrentada por mulheres. Em muitos episódios, os crimes ocorreram no contexto de relações afetivas marcadas por ameaças, agressões e histórico de perseguição, mas também houve ocorrências em locais públicos, cometidas por agressores desconhecidos.
Novas ações do governo contra o feminicídio
A fim de combater o feminicídio, Janja será porta-voz do governo brasileiro na 70.ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70), que acontece de 9 a 19 de março em Nova York, Estados Unidos. Além dela, Márcia Lopes, ministra das Mulheres, também estará presente.
Lula, por sua vez, reuniu chefes dos três poderes para assinar um pacto de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. O trabalho do governo é essencial para combater esse tipo de situação, que se alastra por todo o mundo. O aumento acumulado nos registros de feminicídio foi de 14,5%. Entre 2021 e 2022, o crescimento foi de 7,6%. Em seguida, houve relativa estabilidade, com altas próximas de 1% ao ano entre 2022 e 2024.
