Trump ameaça dizimar Irã se não chegarem acordo sobre Estreito de Ormuz
EUA avaliam ataque a infraestrutura do Irã após ultimato, com risco de crise humanitária e impacto global no transporte de petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou nesta terça-feira (7) que “uma civilização inteira irá morrer essa noite, para nunca mais ressuscitar,” se referindo ao povo do Irã. Trump estabeleceu um prazo de até às 20 horas, no fuso horário de Washington, capital dos EUA, do dia de hoje para que um acordo seja feito que libere a navegação pelo Estreito de Ormuz, e disse que se esse prazo não for confirmado, ele irá destruir todas as pontes e usinas de energia.
Impasse nas negociações
Trump continuou em sua rede social, Truth Social, que não gostaria que isso ocorresse, porém que as chances são de que aconteça, e que estamos em um novo período do que ele chama de “mudança de regime completa e total”, onde ele afirma que mentes mais inteligentes e menos radicais irão prevalecer, e que é possível que algo revolucionário aconteça. Ele também afirma que são mais de 40 anos de extorsão, corrupção e morte, que chegarão ao fim, e termina dizendo para Deus abençoar o grande povo do Irã.
Essa não é a primeira vez que Trump ameaça o Irã, porém é a mais explícita. Na segunda-feira (6), ele já tinha afirmado que poderia acabar com o país em uma noite, caso não conseguissem chegar a um acordo que ele achasse bom, e que incluísse livre passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
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Post de Trump falando que irá dizimar população do Irã (Foto: reprodução/Instagram/@nbcnews)
Apesar da severidade das ameaças, o Irã ainda não respondeu, e não parece disposto a ceder aos desejos de Trump. Nas últimas semanas, os líderes iranianos vêm se mantendo firme, rejeitando as propostas de cessar-fogo feitas pelos Estados Unidos, inclusive fazendo sua própria lista de exigências, que foi descartada como exagerada pelo governo americano.
Posição delicada
Com esse cenário, Trump fica em uma posição complicada, pois com a ausência de um acordo feito pelo Irã, o presidente americano poderá aumentar e mudar o prazo, como fez nas últimas três vezes, porém não agir depois de ser tão enfático e detalhado, pode fazer com que os Estados Unidos percam credibilidade e força na guerra.
Além disso, mesmo com o discurso de força, o próprio Trump indicou que uma ação direta não é necessariamente o caminho preferido. Em declarações recentes, ele afirmou que os Estados Unidos têm capacidade para causar grande destruição, mas reconheceu que isso traria consequências prolongadas, tanto para o Irã quanto para a própria estabilidade da região. A destruição de infraestrutura essencial, como pontes e usinas, poderia levar décadas para ser revertida e desencadear uma crise humanitária de grandes proporções.
Ainda assim, o cenário segue indefinido. Trump afirmou que acredita que o Irã esteja negociando “de boa-fé”, mesmo sem apresentar detalhes concretos sobre um possível acordo. Com o prazo se aproximando e sem sinais claros de avanço, a situação permanece em aberto, com a comunidade internacional acompanhando de perto os próximos movimentos e os possíveis desdobramentos de uma das tensões mais sensíveis do cenário atual.
