Durigan defende ajuste fiscal e que governo busca equilibrar contas públicas

Ministro da Fazenda afirma que ajuste fiscal ocorrerá nos próximos anos; economistas apontam necessidade de maior sintonia entre gastos e juros

05 jul, 2026
Dario Durigan, minstro da Fazenda | Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil
Dario Durigan, minstro da Fazenda | Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil

Ajuste fiscal é uma das prioridades apontadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, para os próximos anos. Em entrevista, ele afirmou que o governo pretende promover medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas para cumprir as metas fiscais estabelecidas e negou que as decisões do Executivo sejam a principal causa dos juros elevados no país. O ministro também defendeu uma maior coordenação entre a política fiscal e a política monetária diante dos desafios enfrentados pela economia brasileira.

Segundo Durigan, o cenário econômico exige ações que contribuam para a estabilidade das contas públicas sem comprometer o crescimento econômico. A discussão ocorre em um momento em que a taxa básica de juros permanece elevada, fator que influencia o crédito, os investimentos e o custo da dívida pública.

Ajuste fiscal entre as prioridades

Durante a entrevista, Durigan afirmou que o Ministério da Fazenda continuará trabalhando para fortalecer o equilíbrio das contas públicas e reduzir o avanço da dívida pública ao longo dos próximos anos. Entre as medidas previstas estão a contenção do crescimento das despesas, a revisão de benefícios fiscais e outras ações voltadas ao cumprimento das metas estabelecidas pelo governo.

Ao comentar os impactos dos juros sobre a economia, o ministro declarou que “Hoje, o que machuca a dívida pública é a taxa de juros“. Segundo ele, o atual patamar da Selic dificulta novos investimentos privados, aumenta o custo do endividamento do governo e reforça a necessidade de maior alinhamento entre a política fiscal e a política monetária. Durigan também afirmou que o debate sobre os juros envolve diferentes fatores e não pode ser atribuído apenas à situação fiscal.

Além disso, o ministro destacou que o governo pretende continuar adotando medidas que fortaleçam a credibilidade das contas públicas, preservando a regra fiscal vigente e buscando maior previsibilidade para a economia brasileira nos próximos anos.



Dario Durigan em entrevista (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Necessidade de maior sintonia entre gastos e juros

Enquanto o governo defende que a política fiscal faz parte de um conjunto de fatores que influenciam a economia, economistas avaliam que ainda existe um descompasso entre a política de gastos públicos e a política monetária conduzida pelo Banco Central. Na visão desses especialistas, a falta de alinhamento dificulta o controle da inflação e mantém pressão sobre a taxa básica de juros.

A Selic segue em um dos maiores níveis reais do mundo, cenário que amplia o custo do crédito para famílias e empresas e também eleva as despesas do governo com o pagamento dos juros da dívida pública. Como parte significativa dos títulos públicos acompanha a taxa básica de juros, qualquer aumento da Selic impacta diretamente o endividamento do setor público.

Esse contexto também influencia as decisões de investimento do setor produtivo, reduzindo o ritmo de expansão econômica e aumentando a cautela de empresas diante do custo mais elevado para obtenção de crédito.

Governo mantém metas fiscais e defende o arcabouço

Durigan reafirmou que o governo continuará perseguindo as metas fiscais previstas para os próximos anos, incluindo a expectativa de obtenção de superávits primários a partir de 2027. Segundo o ministro, a estratégia passa pelo controle das despesas públicas, revisão de incentivos tributários, redução de benefícios fiscais e discussão de medidas que fortaleçam a sustentabilidade das contas públicas.


Dário Durigan, durante reunião no Palácio do Planalto (Foto: reprodução/Ton Molina/Bloomberg via Getty Images Embed)


O ministro também voltou a defender a manutenção do arcabouço fiscal, classificando a regra como necessária para organizar a evolução das receitas e despesas da União. Apesar de reconhecer que o crescimento das despesas obrigatórias reduz gradualmente o espaço disponível para investimentos e outras despesas discricionárias, Durigan afirmou que o objetivo é preservar o modelo fiscal e promover os ajustes necessários para garantir sua continuidade.

Com isso, o governo busca combinar responsabilidade fiscal, estabilidade econômica e maior previsibilidade para investidores, ao mesmo tempo em que tenta reduzir os impactos provocados pelos juros elevados sobre a atividade econômica e sobre a dívida pública brasileira.

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