Negociações com EUA enfrentam obstáculos e governo tenta evitar tarifaço
Ministro Márcio Elias Rosa fala em interferências políticas em acordo com os EUA e governo tenta evitar novas tarifas antes do prazo de 15 de julho
As negociações com os Estados Unidos (EUA) foram intensificadas pelo governo para tentar evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros. Mesmo assim, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Fernando Elias Rosa, afirmou que interferências externas têm dificultado o diálogo entre os dois países.
Durante agenda no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (2), o ministro destacou que o governo segue empenhado em alcançar um consenso. Além disso, ainda reforçou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter as negociações abertas até o prazo estabelecido pelos norte-americanos, em 15 de julho.
Governo tenta preservar diálogo bilateral
Márcio Elias Rosa comentou uma conversa realizada com Jamieson Greer, representante do escritório comercial da Casa Branca. Segundo ele, o governo brasileiro trabalha contra o tempo para evitar a aplicação das novas tarifas. O ministro afirmou que avanços costumam ser interrompidos por acontecimentos externos. Ainda assim, garantiu que o Executivo continuará buscando entendimento com Washington.
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Presidente Lula fala sobre negociações com Trump (Vídeo: reprodução/Instagram/@lulaoficial)
Sem citar nomes diretamente, Rosa mencionou episódios que, segundo ele, prejudicaram as negociações. Entre eles, destacou manifestações públicas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal e declarações de agentes políticos brasileiros durante visitas aos Estados Unidos. Todavia, o governo Lula tem atribuído as ameaças tarifárias de Donald Trump a articulações da família Bolsonaro, sobretudo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, contra instituições brasileiras.
Anteriormente, quando a gestão Trump estabeleceu uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente o presidente americano pela medida. Ainda segundo o ministro, essas situações inserem disputas ideológicas em uma discussão que deveria permanecer restrita às relações comerciais.
Planalto reduz expectativa sobre resultado
Apesar da continuidade das conversas, integrantes do Palácio do Planalto avaliam reservadamente que uma reversão completa das tarifas se tornou improvável. A estratégia, portanto, concentra esforços em obter reduções parciais ou exceções para determinados produtos brasileiros.
Paralelamente, o governo pretende apresentar dados técnicos sobre o comércio bilateral para sustentar sua posição. Na avaliação de auxiliares do presidente, entretanto, a investigação conduzida pelo governo norte-americano possui forte componente político. Por isso, acreditam que argumentos técnicos podem ter efeito limitado.
Diplomacia aponta caráter político da investigação
Na quarta-feira (1º), o Ministério das Relações Exteriores enviou a resposta oficial brasileira à investigação conduzida pelos Estados Unidos. O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, rebate críticas envolvendo o PIX e decisões do Judiciário brasileiro.
Márcio Elias Rosa fala sobre encontro recente entre Lula e Trump (Vídeo: reprodução/YouTube/@Poder360)
Segundo o Itamaraty, esses temas não possuem relação direta com comércio internacional. Dessa forma, o governo sustenta que eles não deveriam integrar a investigação comercial norte-americana. Diplomatas também afirmam que documentos do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos indicam pouca consideração pelos argumentos apresentados pelo Brasil ao longo do último ano.
De acordo com integrantes da diplomacia, relatórios recentes reproduzem praticamente o mesmo conteúdo divulgado anteriormente. Assim, técnicos brasileiros entendem que informações sobre comércio, meio ambiente e outros indicadores foram ignoradas. Mesmo diante desse cenário, o governo mantém o diálogo aberto. Além disso, aposta em novas reuniões entre representantes dos dois países até o encerramento do prazo estabelecido por Washington.
