Flávio Bolsonaro defende Pix e pede adiamento de sanções
Senador oferece compromissos legislativos sobre o Pix; Trump alega que o sistema brasileiro prejudica empresas americanas do mercado de pagamento
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma carta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) nesta quarta-feira (1º). No documento, o parlamentar defende que o sistema Pix não representa um conflito de interesses para os Estados Unidos e solicita a Donald Trump que adie as tarifas de 25% impostas aos produtos brasileiros.
O parlamentar argumenta que as sanções prejudicam os investimentos norte-americanos e fortalecem politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o senador, o atual chefe do Executivo utiliza as retaliações econômicas em seus discursos para defender a soberania nacional e classificar opositores como “traidores da pátria”.
A Carta
Conforme revelado por uma reportagem do portal G1, na manifestação de 86 páginas, Flávio Bolsonaro apresenta-se como pré-candidato à Presidência da República e pede que a aplicação das novas taxas de 25% sobre as exportações brasileiras seja postergada por 180 dias, passando a valer apenas após as eleições de outubro. Em contrapartida, ele promete buscar um compromisso legislativo para impedir que o Pix seja integrado a sistemas de pagamento de países “não ocidentais”. O senador também propõe que a gestão Trump abra um canal de diálogo em vez de aplicar sanções imediatas.
Ver essa foto no Instagram
Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro)
Segundo informações apuradas pela analista de política da CNN, Isabel Mega, o governo brasileiro também segue em contato com as autoridades dos Estados Unidos na tentativa de reverter o “tarifaço”, ao mesmo tempo que defende seus interesses comerciais. Em sua resposta oficial à investigação norte-americana, o governo federal contesta as alegações de práticas comerciais desleais feitas por Donald Trump.
O motivo das sanções
A proposta de Trump para impor as tarifas baseia-se em uma investigação que classificou certas políticas e práticas do Brasil como “desleais”, “irracionais” ou “restritivas” ao comércio dos Estados Unidos. O relatório norte-americano aponta que o duplo papel do Banco Central do Brasil, que atua simultaneamente como órgão regulador e operador do Pix, dita as regras e gerencia a ferramenta. De acordo com o documento, essa dinâmica poderia afetar diretamente a operação de empresas americanas que dominam o mercado de meios de pagamento, como as bandeiras de cartões de crédito e débito.
