Do protesto à forca: quem é Erfan Soltani, jovem iraniano condenado à morte

Preso após protestos no Irã, manifestante foi impedido de se defender, teve contato limitado com a família e virou símbolo da repressão do regime aiatolás

14 jan, 2026
Erfan Soltani, jovem condenado à morte no Irã | Reprodução/X/@HengawO
Erfan Soltani, jovem condenado à morte no Irã | Reprodução/X/@HengawO

Erfan Soltani, 26 anos, levava uma vida comum em Karaj, no noroeste do Irã, até ser preso após participar de protestos contra o regime dos aiatolás. Funcionário de uma loja de roupas, ele foi condenado à morte por enforcamento em um julgamento acelerado, sem acesso a advogado e com contato restrito com a família. O caso transformou o jovem em um retrato da repressão imposta pelo Estado iraniano às manifestações recentes.

A execução estava marcada para esta quarta-feira (14), mas foi adiada sem explicações oficiais. A família passou horas em vigília, sem informações claras, enquanto organizações de direitos humanos denunciam ameaças, pressão psicológica e ausência de garantias legais no processo.

A vida comum de Erfan Soltani interrompida pelos protestos

Segundo o portal IranWire, Soltani havia começado recentemente a trabalhar em uma empresa privada ligada ao setor de vestuário. Pessoas próximas o descrevem como interessado em moda, esportes e musculação, sem histórico de militância política.


Erfan Soltani, manifestante que teve execução marcada pelo Irã (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)


Mesmo assim, passou a participar dos protestos que se espalharam pelo país nas últimas semanas, impulsionados pela crise econômica e pela forte desvalorização do rial. Antes da prisão, ele relatou à família que vinha recebendo telefonemas e mensagens de órgãos de segurança, alertando que estava sendo monitorado.

A detenção ocorreu na quinta-feira (8), perto de sua casa, no distrito de Fardis. Durante três dias, a família não teve notícias. O primeiro contato oficial veio no domingo (11), quando agentes confirmaram que Soltani estava preso, e já condenado à morte.

Julgamento rápido, direitos negados

Soltani foi acusado de Moharebeh, termo jurídico frequentemente usado pelo regime e traduzido como “inimizade contra Deus”. Organizações de direitos humanos afirmam que essa acusação costuma ser aplicada em processos sumários, sem direito à defesa.


Judiciário pretende acelerar julgamentos de manifestantes no Irã (Vídeo: reprodução/YouTube/Record News)


Um parente advogado tentou assumir o caso, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança, segundo relato ao IranWire. A família conseguiu apenas uma visita breve, sem acesso a detalhes do processo ou às condições do jovem. Horas após o horário previsto para a execução, autoridades prisionais informaram que a pena havia sido adiada, sem apresentar justificativa.

O caso de Erfan Soltani sintetiza a resposta do regime iraniano às manifestações. Jovem, trabalhador e sem histórico de violência, ele foi preso em casa, julgado em poucos dias e condenado à morte sem garantias legais. Enquanto autoridades defendem punições rápidas para conter os protestos, um integrante do governo afirmou à Reuters que a repressão já deixou milhares de mortos. Entidades como a Anistia Internacional alertam para o risco de execuções arbitrárias em série. O destino de Soltani permanece indefinido, e reflete o medo que hoje acompanha quem decide protestar no Irã.

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