Trump envia recado a manifestantes iranianos e promete punir responsáveis por mortes
Presidente norte-americano voltou a manifestar opinião sobre o atual momento do Irã e apoiou os manifestantes contra o regime do Aiatolá Ali Khamenei
Nesta terça-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com a imprensa em Detroit, Michigan, durante uma visita a uma fábrica da Ford. Em determinado momento, Trump comentou sobre o atual cenário no Irã e reforçou seu apoio aos manifestantes iranianos, afirmando que eles deveriam guardar os nomes “dos assassinos e daqueles que estão maltratando vocês”.
Além disso, o presidente dos EUA declarou que a ajuda estaria a caminho. Ao ser questionado se iria intervir no país do Oriente Médio, Donald Trump afirmou que não poderia se pronunciar naquele momento. O republicano segue enviando mensagens aos iranianos que estão nas ruas contra a ditadura liderada pelo aiatolá Ali Khamenei, cuja família governa o Irã desde a Revolução de 1979.
Nesta terça-feira (13), alguns iranianos conseguiram retomar contato com o mundo exterior após o governo cortar o sinal de telefonia e o acesso à internet como forma de repressão aos protestos que tomaram o país.
Irã e posição de Trump
Na década de 70, Estados Unidos e Irã eram grandes aliados e nacionalizaram o petróleo iraniano juntos. Porém, com a Revolução Islâmica, o Ayatollah (líder religioso islâmico) Ruhollah Khomeini assumiu o poder, estabelecendo a República Islâmica do Irã e rompeu laços com o país norte-americano.
Em 2018, durante seu primeiro mandato, Donald Trump sai unilateralmente do acordo nuclear, alegando que ele é “inadequado” e que o Irã continuaria ameaçando a estabilidade regional. Após isso, voltaram com sanções econômicas com força total contra o Irã, causando forte crise econômica no país.
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Presidente dos Estados Unidos, Trump visitando a fábrica da Ford (Foto: reprodução/Instagram/@whitehouse)
Na segunda-feira (12), o presidente dos Estados Unidos afirmou que qualquer país que fizer negócios com o Irã enfrentará uma tarifa de 25% sobre o comércio com os EUA.
O governo alemão é o principal parceiro comercial do Irã dentro da União Europeia. Essa relação, no entanto, vem diminuindo. As exportações alemãs para o país caíram 25% nos últimos 11 meses, representando menos de 0,1% do total das exportações da Alemanha.
Durante visita à Índia, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o regime dos aiatolás estaria próximo do fim. Merz afirmou que, quando um regime mantém o poder apenas por meio da violência, isso indica que seu colapso está se aproximando.
Trump vem afirmando que pode voltar a realizar ataques diretos ao território iraniano como represália às ações que o regime de Khomeini vem cometendo contra a própria população. As declarações reacenderam a escalada de tensões entre os dois países. O presidente norte-americano deve receber, nesta terça-feira (13), sua equipe com um relatório sobre possíveis ações militares que poderão ser adotadas contra o Irã.
Momento do Irã
A crise no Irã é resultado de muitos anos de insatisfação da população com o regime do aiatolá Ali Khamenei. Isso se deve, na maioria, a gestões econômicas consideradas ineficientes, à alta percepção de corrupção da população, à repressão social e política constante contra qualquer manifestação antirregime e a décadas de sanções internacionais que agravaram ainda mais a economia do país.
Em dezembro de 2025, ocorreu a maior queda histórica da moeda iraniana, o rial. A cotação chegou a aproximadamente 1,45 milhão de riais por dólar, o que provocou uma disparada nos preços de alimentos, combustíveis e serviços. Diante desse cenário, comerciantes — especialmente nos grandes centros urbanos, como a capital Teerã e Isfahan, polos econômicos e culturais do país — passaram a expressar de forma mais visível a insatisfação com a inflação, o desemprego e a repressão com protestos.
Protestos na capital do Irã, Teerã (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
As manifestações rapidamente se espalharam para outras cidades. Com o apoio de estudantes, trabalhadores e jovens, os slogans deixaram de abordar apenas questões econômicas e passaram a criticar diretamente o regime e o líder supremo.
No início de 2026, o governo mobilizou a Guarda Revolucionária e outras forças de segurança, utilizando gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real contra os manifestantes. Nesse período, foram registrados os primeiros casos de mortes e feridos graves.
Após o início da repressão violenta, as autoridades impuseram apagões de internet e bloquearam redes sociais, visando dificultar a organização dos protestos e impedir a circulação de imagens da repressão. Além disso, jornalistas e ativistas passaram a ser monitorados, e a violência contra os manifestantes se intensificou. Estima-se que cerca de 2.000 pessoas já tenham morrido durante os protestos.
Como parte da repressão do governo iraniano, foi marcada para quarta-feira (14) a execução de Erfan Soltani, de 26 anos, preso por sua participação nos protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj. Erfan será enforcado, método mais comum nas execuções no Irã. A execução tem caráter simbólico, destinada a intimidar aqueles que se opõem ao regime.
Os Estados Unidos, a União Europeia e a ONU discutem formas de conter essa repressão violenta contra os cidadãos iranianos.
