Escala 6×1 chega na aviação e reabre debate sobre jornada
Sindicato defende reavaliação das normas de descanso para reduzir fadiga, enquanto empresas acendem alerta para impactos operacionais
O debate sobre o fim da escala 6×1 passou a ter mobilização no setor da aviação civil e reabriu a discussão sobre as jornadas de trabalho de pilotos e comissários. Embora o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) defenda o diálogo entre empresas e trabalhadores na negociação de regras de jornadas, companhias aéreas fazem alertas sobre possíveis impactos nas operações e nas ofertas de voos.
O assunto ganhou força diante da tramitação da proposta que muda a escala de trabalho no Congresso. Para o sindicato, a mudança representa uma oportunidade de reavaliar regras relacionadas ao descanso de tripulações e reduzir o cansaço e a fadiga durante as operações. Já as empresas defendem que a aviação deve receber tratamento diferenciado, devido a características consideradas específicas do setor.
Empresas defendem exceção na área
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) diz que as atividades no setor possuem exigências operacionais e regras de segurança exclusivas, justificando a necessidade de tratamento específico na proposta. Também de acordo com a entidade, a aplicação das novas normas sem uma adaptação pode comprometer determinadas rotas e afetar a prestação de serviço para os passageiros.

Foto destaque: Aeroporto de Heathrow (Foto: reprodução/Tomek Baginski/unsplash)
A preocupação também é reforçada pelo presidente da Latam Brasil, que afirma que mudanças nas jornadas podem dificultar a realização de voos internacionais de longa duração. No entanto, o sindicato contesta a avaliação e sustenta que as operações conseguem se manter por meio de negociações e diálogos coletivos.
Sindicato pede reavaliação nas regras de descanso
A SNA diz que a regulamentação atual permite prolongados descansos considerados escassos, fazendo com que aumente o risco de fadiga e cansaço entre os tripulantes. Dentre as propostas feitas pela categoria estão o aumento do tempo mínimo de descanso em hotéis, o acréscimo do deslocamento até os aeroportos nas jornadas e regras mais rigorosas para escalas durante a madrugada.
Ainda de acordo com o sindicato, as escalas são idealizadas para aproveitar ao máximo os limites permitidos impostos pela regulamentação, o que compromete a recuperação física dos profissionais. Em meio à demora da tramitação da proposta sobre o fim da escala 6×1, a entidade também analisa recorrer à justiça para contestar as regras atuais sobre a jornada de trabalho e a fadiga da aviação.
