Disputa pela sucessão do Congresso afasta Motta e Alcolumbre em votações estratégicas
Interesses eleitorais pela sucessão no Congresso travam pautas importantes e Câmara e Senado vivem um momento de descompasso político
A aproximação das eleições de 2026 tem influenciado cada vez mais o ritmo do Congresso Nacional. Enquanto isso, disputas políticas e interesses regionais ampliam as divergências entre Câmara e Senado. Além disso, eventos como a Copa do Mundo, as festas de São João e a proximidade do recesso reduziram a presença de parlamentares em Brasília. Nesse cenário, projetos considerados prioritários seguem sem definição.
Projetos avançam em uma Casa e travam na outra
A relação entre Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) ajuda a explicar parte desse descompasso. Embora mantenham diálogo frequente, ambos adotam estratégias distintas para fortalecer seus projetos políticos. Na Câmara, Motta tem mantido boa interlocução com o governo e, por isso, propostas defendidas pelo Palácio do Planalto avançaram com relativa facilidade nos últimos meses.
Já no Senado, Alcolumbre demonstra maior cautela. Como resultado, matérias importantes seguem aguardando tramitação. Entre elas está a PEC da Segurança Pública. O texto foi aprovado pela Câmara em março, porém ainda não chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Em outro cenário, a PEC que reduz a jornada de trabalho sem corte salarial enfrenta situação semelhante. Embora Alcolumbre sinalize apoio à votação garantindo que o tema será pautado antes das eleições, ele ainda não encaminhou a proposta para análise da CCJ.
Relação com o Planalto influencia articulações
Nos bastidores, parlamentares admitem o desalinhamento entre as duas Casas. Contudo, muitos atribuem o problema à relação desgastada entre Alcolumbre e o governo federal. Aliados do presidente do Senado lembram que a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) agravou a crise. Desde então, interlocutores defendem uma reaproximação entre Senado e Planalto.
Motta defende que Alcolumbre volte a falar com Lula (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)
Enquanto isso, Motta também enfrenta desafios políticos. Recentemente, o apoio de Lula à candidatura de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) ao Senado gerou desconforto entre aliados do deputado paraibano. Apesar disso, congressistas avaliam que o episódio ainda pode ser contornado. Portanto, não esperam impactos relevantes sobre a pauta do Executivo na Câmara.
Sucessão das Mesas entra no cálculo político
As movimentações também envolvem a disputa pelos comandos da Câmara e do Senado. Nos bastidores, parlamentares afirmam que Motta e Alcolumbre já trabalham pela reeleição. Por isso, cada decisão sobre votações passa por cálculos políticos. Segundo congressistas, Motta busca manter proximidade com o governo, enquanto Alcolumbre procura ampliar apoio na oposição.
Esse cenário afeta diretamente a tramitação de projetos. Propostas aprovadas pelo Senado enfrentam resistência na Câmara, enquanto matérias apoiadas pelos deputados aguardam avanço entre os senadores. Antes do recesso, Motta pretende enviar ao Senado projetos sobre o Microempreendedor Individual (MEI), misoginia e inteligência artificial.
Entretanto, parlamentares avaliam que apenas parte dessas propostas deverá avançar rapidamente. Assim, o Congresso entra no segundo semestre dividido entre a agenda legislativa e as articulações eleitorais que já moldam o cenário de 2026.
