Tarifaço de Trump: Estados Unidos definem novas taxas ao Brasil

Chefe do USTR encerra negociações do tarifaço e informa que decisão final foi enviada para Donald Trump; Brasil se coloca à disposição para diálogo

15 jul, 2026
Casa Branca | Reprodução/Instagram/@minibladet.se
Casa Branca | Reprodução/Instagram/@minibladet.se

Nesta quarta-feira (15), o chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca, ou USTR na sigla em inglês, Jamieson Greer informou para interlocutores do governo brasileiro que conduziu para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma recomendação para um novo tarifaço imposto a produtos originários no Brasil. Porém, também indicou uma lista maior de exceções.

Afirmações americanas e respostas brasileiras

Segundo a CNN, na última vez em que os países se reuniram, nesta terça-feira (14), Greer deu as negociações como encerradas e ainda reclamou da forma como o Brasil levou a situação com pouco empenho. Para autoridades brasileiras, os argumentos de Greer são incertos e foram rebatidos pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias Rosa; e pelos embaixadores Mauricio Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty; e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.


Decisão americana é impor novo tarifaço aos produtos brasileiros (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)


Para eles, faltaram argumentos técnicos dos americanos para subsidiar a investigação no âmbito da Seção 301, como as acusações de aumento no desmatamento no Brasil, enquanto os números referentes à Amazônia desmentem a informação. O chefe do USTR afirmou ter levado os argumentos apresentados pelo governo brasileiro e pelo setor privado sobre a ampliação das exceções já no anúncio do tarifaço. De acordo com Jamieson Greer, não haverá uma “lista dinâmica” de exceções às novas tarifas, indicando que, diferente do que foi feito com as alíquotas aplicadas em 2025, não ocorrerão aumentos graduais da lista de produtos isentos.

Outros detalhes do tarifaço

Ainda durante a última reunião, foi enfatizado por auxiliares da presidência o perfil de boa parcela do comércio bilateral, com subsidiárias de empresas dos Estados Unidos exportando peças e partes feitas no Brasil para matrizes americanas. A tese foi aceita pelo USTR, o que gerou expectativa para o governo de Lula de que outros produtos industrializados pudessem fugir das taxas.

Atualmente, o tarifaço atingiria cerca de 21% dos produtos exportados brasileiros destinados aos Estados Unidos em valores, e há um otimismo para que esse número diminua. Antes do fim do encontro virtual, Greer indicou que gostaria de manter o diálogo aberto para futuras tratativas com o governo brasileiro; como resposta, ouviu “Nós estamos aqui” das autoridades brasileiras.

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