Filipe Martins é detido após quebra de medidas cautelares

Prisão de Filipe Martins no Paraná, por decisão do STF, gera reação da defesa e amplia o debate sobre medidas judiciais e investigações políticas

02 jan, 2026
Filipe Martins | Reprodução/Instagram/@filgmartin
Filipe Martins | Reprodução/Instagram/@filgmartin

O ex-assessor do governo de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, foi preso no Paraná após determinação do Supremo Tribunal Federal. A prisão foi cumprida pela Polícia Federal e ocorreu depois da avaliação de que ele teria descumprido medidas cautelares impostas pela Justiça. O caso ganhou repercussão nacional por envolver um nome ligado ao antigo governo federal e a investigações sensíveis do cenário político recente.

A decisão judicial reacendeu debates sobre o andamento dos processos ligados a atos contra as instituições democráticas. Filipe Martins já era investigado por suspeita de participação em articulações consideradas antidemocráticas. Com a nova prisão, o episódio passou a ser acompanhado de perto por autoridades, juristas e pela opinião pública, que aguarda novos desdobramentos.

Prisão no Paraná e decisão no Supremo

A Polícia Federal cumpriu a ordem de prisão de Filipe Martins no estado do Paraná, onde ele se encontrava no momento da abordagem. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a decisão foi tomada após o entendimento de que o ex assessor não teria seguido integralmente as regras determinadas pela Justiça. As medidas cautelares haviam sido impostas justamente para garantir o andamento do processo sem necessidade de prisão imediata.

Entre os pontos analisados, está o cumprimento das restrições estabelecidas anteriormente, como limites de comunicação e conduta. A avaliação foi de que houve quebra dessas determinações, o que levou o Supremo Tribunal Federal a autorizar a prisão. Após a detenção, Filipe Martins foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.



Ex-assessor de Bolsonaro tem prisão decretada (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)


O caso ocorre em um contexto de investigações mais amplas relacionadas a ações que teriam como objetivo enfraquecer o Estado democrático de direito. Filipe Martins é citado em apurações que envolvem discussões internas e articulações políticas durante o período em que atuou como assessor especial da Presidência da República.

A decisão judicial foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que já conduz outros processos ligados ao mesmo conjunto de investigações. A atuação do ministro tem sido alvo de atenção constante, tanto por apoiadores quanto por críticos das medidas adotadas pelo Supremo em casos envolvendo figuras públicas.

Defesa critica prisão e fala em perseguição

A defesa de Filipe Martins reagiu de forma contundente à prisão. O advogado Jeffrey Chiquini afirmou que a decisão do Supremo não se trata de uma medida cautelar, mas sim de uma ação motivada por vingança. Segundo ele, a prisão já representaria o início do cumprimento de uma pena, mesmo sem o encerramento definitivo do processo.

“Em verdade, hoje o STF coloca em prática aquilo que já queria desde 2019, quando o Filipe Martins foi selecionado como líder do gabinete do ódio. Hoje, Alexandre de Moraes coloca em prática aquilo que desde sempre queria: prender Filipe Martins. Não é uma medida cautelar, é uma medida de vingança”, declarou o advogado.

Ainda de acordo com a defesa, não teria havido descumprimento das determinações judiciais. Jeffrey Chiquini afirmou que, mesmo com o cumprimento das cautelares de forma rigorosa, a decisão pela prisão foi tomada de maneira unilateral. Para ele, a atuação do ministro não levou em conta argumentos apresentados pela defesa ao longo do processo.

“Trata se evidentemente de início de cumprimento da pena. Vejam que não importa provar ser inocente, não importa cumprir as cautelares de forma exemplar. O ministro Alexandre de Moraes decide como ele quer, da forma como ele quer, e a hora que ele quer”, completou o advogado.

As declarações reforçam a estratégia da defesa de questionar a legalidade e a motivação da prisão. O advogado afirmou ainda que pretende recorrer da decisão e buscar medidas judiciais para tentar reverter a situação. Segundo ele, o objetivo é garantir o direito de Filipe Martins a um julgamento justo e dentro dos parâmetros legais.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal mantém a posição de que a prisão foi necessária para assegurar o cumprimento das determinações judiciais e evitar riscos ao andamento do processo. A Corte não comentou diretamente as críticas feitas pela defesa, mas reiterou que as decisões seguem fundamentos jurídicos e avaliações técnicas. O caso segue em andamento e novas manifestações das partes devem ocorrer nos próximos dias.

Mais notícias