Fraude no INSS: PF avança na investigação e cumpre 63 mandados
Operação registra 10 prisões e mira servidores do INSS e empresários suspeitos de integrar o esquema de fraudes que desviava benefícios e manipulava processos
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (13) uma nova fase da operação que investiga fraudes no INSS, cumprindo 63 mandados e efetuando 10 prisões. Entre os alvos estão servidores do próprio instituto e empresários suspeitos de participar de um esquema que autorizava descontos irregulares em benefícios previdenciários.
Segundo as investigações, o grupo teria atuado por anos manipulando processos e realizando cobranças indevidas em aposentadorias e pensões, causando prejuízo bilionário a segurados em todo o país. A ofensiva também mira lideranças de associações e nomes ligados à gestão do INSS, reforçando o avanço das investigações sobre a estrutura responsável pelas fraudes.
Ex-presidente do INSS é preso na operação
A prisão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, ocorreu durante a nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga o núcleo político e administrativo das fraudes no instituto. Segundo a PF, ele é suspeito de facilitar o funcionamento do esquema que autorizava descontos irregulares em aposentadorias e pensões, favorecendo empresários e associações envolvidas no desvio de recursos. Para os investigadores, a participação de gestores de alto escalão ajudou a manter o esquema ativo por anos, ampliando os prejuízos aos segurados.
Em nota, a defesa de Stefanutto afirmou que ainda não teve acesso ao teor da decisão que determinou a prisão e classificou a medida como “completamente ilegal”. Os advogados reforçam que o ex-presidente sempre colaborou com a apuração e que não praticou qualquer ato que pudesse atrapalhar as investigações. Segundo a defesa, Stefanutto permanece confiante de que, ao final do processo, conseguirá comprovar sua inocência e afastar todas as suspeitas levantadas pela operação.
Informações sobre a prisão do ex-presidente do INSS (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
Outros investigados na operação
Entre os alvos da nova fase da Operação Sem Desconto estão figuras centrais da estrutura da Previdência. Além do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, também foram atingidos o ex-diretor de Benefícios André Paulo Felix Fidelis e o ex-procurador-geral do instituto Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho . A operação ainda alcançou o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, que passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Parlamentares também entraram no radar: o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA) foram alvos de mandados de busca e apreensão.
Além deles, empresários e lideranças de entidades associativas, como representantes ligados à Conafer, uma das organizações suspeitas de operar descontos irregulares em benefícios, também estão entre os investigados. Para a Polícia Federal, esse conjunto de nomes compõe diferentes núcleos do esquema, que envolviam desde decisões administrativas dentro do INSS até a estrutura empresarial responsável por operacionalizar e ocultar os valores desviados.
As ações desta fase da investigação se espalham pelo país, com mandados de busca, apreensão e prisões sendo cumpridos em diferentes regiões. As equipes da PF atuaram no Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal, reforçando o alcance nacional do esquema e a dimensão das fraudes.
