Aliados defendem saída de Jaques Wagner após investigação do Master

Atual líder do governo Lula foi alvo da 9° fase da Operação Compliance Zero, senador teria beneficiado Banco Master em troca de vantagens

18 jun, 2026
Jaques Wagner | Reprodução/ Instagram/ @jaqueswagner
Jaques Wagner | Reprodução/ Instagram/ @jaqueswagner

Após a divulgação de nomes da nona fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (18), aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendem nos bastidores a saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, para se esclarecer diante das investigações do Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro, preso desde o início de março. Entende-se, porém, que a decisão cabe apenas para Lula e o senador. 

Participação de Jaques Wagner

Líder do governo no Senado, Wagner atuava na articulação política e na negociação de pautas da gestão do presidente Lula no Congresso Nacional e foi alvo dos 18 mandados de busca feitos na Bahia, São Paulo e Distrito Federal. De acordo com a Polícia Federal, o senador seria um beneficiário central de vantagens econômicas, recebendo benefícios como uso de aeronaves, ingressos de shows e a aquisição de um apartamento, avaliado em R$2.4 milhões. 


Posição do presidente Lula sobre o caso (Vídeo: reprodução/ X/ @g1)


Em troca, Jaques Wagner teria atuado parlamentarmente em pautas de interesse do Banco Master, incluindo propostas relacionadas ao crédito consignado e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Uma das frentes analisadas pela Polícia Federal envolve a chamada “Emenda Master”. Os investigadores apontam que o senador teria participado de articulações ligadas à PEC 65/2023 e citam registros de contatos entre pessoas próximas ao banco, integrantes de seu gabinete e operadores investigados. 

Desgaste político

Nos bastidores do governo, integrantes admitem reservadamente que um eventual afastamento de Jaques Wagner poderia ter ocorrido antes, como forma de reduzir o impacto político do caso sobre o Palácio do Planalto. A avaliação entre interlocutores é que a permanência do senador na função ampliou o desgaste para o governo e aumentou a pressão por uma resposta pública.

A expectativa agora é que Wagner torne públicas explicações sobre o dinheiro encontrado em um endereço ligado ao líder governista. Apesar das suspeitas descritas pela Polícia Federal, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, rejeitou pedidos de busca e apreensão no gabinete e em escritórios vinculados ao mandato do senador. Na decisão, o ministro afirmou que medidas em estruturas de outro Poder exigem fundamentação mais rigorosa e demonstração de que provas indispensáveis estariam nesses locais.

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