Caso cão Orelha: Adolescente é flagrado saindo do condomínio no dia das agressões

É possível ver o jovem sair acompanhado de uma amiga, contudo, segundo os investigadores, ele havia declarado estar na área da piscina durante aquele tempo

04 fev, 2026
Foto do Cão Orelha | Reprodução/Redes Sociais
Foto do Cão Orelha | Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil de Santa Catarina identificou uma divergência no depoimento do jovem indiciado pela morte do cão comunitário Orelha, após analisarem mais de mil horas de material gravado de 14 câmeras de segurança da região da Praia Brava, em Florianópolis, a. O inquérito da investigação foi concluído nesta terça-feira (03), e a polícia pediu a internação provisória do jovem.

Nas imagens liberadas pela Polícia Civil é possível ver o adolescente sair do condomínio, no dia 4 de Janeiro, as 5:25 e retornar as 5:58, em ambas as imagens ele estava acompanhado de uma amiga.

Pontos-chave das investigações

Segundo os investigadores, o jovem em seu depoimento havia declarado que não tinha saído do condomínio naquela manhã, e que durante aquele momento, estava na área da piscina — e Orelha foi agredido as 5:30, de acordo com as investigações.

Em nota o Delegado Renan Balbino, da Adolescentes em Conflito com a Lei, comentou: “O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio. As imagens, roupas e testemunhas confirmam que ele estava na praia”, relatou.

A Polícia Civil chegou a conclusão que o adolescente cometeu ato infracional equivalente ao crime de maus-tratos. Ainda segundo o delegado, ele “se contradisse em diversos momentos e omitiu fatos importantes para a investigação”.


Imagem divulgada pela Polícia onde é possível ver o adolescente e sua amiga saindo e voltando do condomínio nos horários em que a as investigações apontaram

Movimentação de jovem no dia das agressões ao cachorro Orelha (Foto: reprodução/Polícia Civil de Santa Catarina)


As roupas do jovem também foram cruciais nas conclusões policiais. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, ele estava fora do Brasil até 29 de janeiro, e durante o desembarque do adolescente, acompanhado pela polícia, familiares dele tentaram esconder pertences do jovem.

“Durante a abordagem, chamou atenção que um familiar tentou esconder um boné rosa na sua bolsa particular. Na revista da mala, esse mesmo familiar apresentou comportamento suspeito ao afirmar que o moletom havia sido adquirido durante a viagem”

As roupas foram apreendidas e ao comparar as imagens foi possível identificar as roupas utilizadas no dia da agressão. Além das imagens das 14 câmeras de segurança, 24 depoimentos de testemunhas foram ouvidos e, no total, oito adolescentes foram investigados durante o trabalho da polícia. Os agentes também utilizaram uma ferramenta de localização geográfica de um software francês.

Caso Orelha

Orelha foi um cachorro comunitário, que significa que ele não era de um dono específico, ele recebia cuidados de diversos moradores do bairro, na Praia Brava, em Florianópolis(SC), ele tinha cerca de 10 anos e no dia 5 de Janeiro ele foi encontrado agonizando, levado ao veterinário mas, com ferimentos severos, precisou passar pela eutanásia.

Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial do animal, relatou que Orelha tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.  Os investigadores afirmaram que o animal foi atingido com um objeto contundente na cabeça, como um chute ou objeto rígido, um pedaço de madeira ou garrafa.


Foto de cachorro Orelha em preto e branco publicada nas redes sociais

Foto de cachorro Orelha em sua casa colocada por moradores do condomínio (Foto: reprodução/instagram/@porvcorelha)


Durante a semana, manifestantes foram às ruas em diversas regiões do País protestar contra os maus-tratos aos animais e contra as leis que protegem o adolescente em casos como esses, cartazes carregavam frases como: “Chega de impunidade, não importa a idade”.

A idade exata, a informação e a localização dos jovens apontados como agressores de Orelha não foram divulgadas, pois todos são menores de idade, e o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos.

 

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