Papa Leão XIV faz referência a Francisco em seu primeiro Domingo de Páscoa

Fiéis vivenciam primeiro ano sem a presença do Papa Francisco como condutor da celebração de Páscoa; Leão XIV relembra o legado de seu antecessor

05 abr, 2026
Papa Leão XIV | Reprodução/X/@eixopolitico
Papa Leão XIV | Reprodução/X/@eixopolitico

Na manhã deste domingo (5), o Papa Leão XIV conduziu sua primeira Missa de Domingo de Páscoa no Vaticano e mencionou seu antecessor, Papa Francisco, marcando a primeira vez em quase dez anos que a data religiosa não é celebrada sob a condução de Francisco como principal líder da Igreja.

Na Praça de São Pedro, Papa Leão XIV discursou para cerca de 60 mil fiéis e relembrou a primeira Exortação Apostólica de Papa Francisco, Evangelii Gaudium, ao afirmar que a ressurreição de Cristo “não é um evento passado”, mas uma realidade viva, capaz de transformar o presente e remoldar o mundo.

Papa Leão em sua primeira Missa Pascal

Quase um ano após a morte de Francisco, ocorrida em 21 de abril de 2025, em decorrência de um AVC seguido de insuficiência cardíaca, o antigo pontífice deixa um legado marcante à frente da Igreja Católica. Durante quase uma década, entre 2013 e 2024, ele conduziu algumas das celebrações mais emblemáticas do calendário cristão e consolidou uma liderança voltada ao acolhimento, à justiça social e ao diálogo com o mundo contemporâneo. Nesse contexto, a Páscoa de 2026 ganha um significado ainda mais simbólico para o Vaticano e para os católicos, por representar uma nova fase na condução da principal celebração da fé cristã sob a liderança de Leão XIV, que assumiu oficialmente o comando da Igreja em 8 de maio de 2025.


 Missa conduzida por Papa Leão durante Domingo de Páscoa (Foto: reprodução/Getty Images Embed/ALBERTO PIZZOLI)


Durante a homilia, o papa destacou a alegria da ressurreição como um convite permanente à esperança e à renovação da fé no cotidiano. Em sua reflexão, ele incentivou os fiéis a não tratarem a Páscoa apenas como uma memória litúrgica, mas como um chamado concreto para viver a fé de forma ativa, mesmo diante das dificuldades do mundo atual. Ao longo do discurso, também abordou o sofrimento humano contemporâneo, citando injustiças, violência, desigualdade e exclusão como sinais daquilo que definiu como a “presença da morte” na realidade atual.

A celebração foi marcada por um clima de solenidade e tradição. Rezada em latim, a missa reuniu rituais profundamente simbólicos para os católicos, como o derramamento de água benta e a veneração de Cristo ressuscitado, reforçando o sentido espiritual da data e a conexão entre a liturgia pascal e a renovação da vida cristã.

Papa Leão XIV também aproveitou o momento para fazer um forte apelo pela paz em meio aos conflitos que seguem mobilizando a comunidade internacional. Em sua fala, fez referência ao cenário de tensão global, especialmente diante dos embates envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além da guerra entre Rússia e Ucrânia, pedindo que Cristo conceda paz ao mundo inteiro: “Vemos isso na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que surge de todos os cantos por causa dos abusos que esmagam os mais fracos entre nós, por causa da idolatria do lucro que saqueia os recursos da Terra, por causa da violência da guerra que mata e destrói.”, disse o Papa.

Vigília Pascal e conversa com presidente ucraniano

A Vigília Pascal, realizada na noite anterior, também foi marcada por uma expressiva presença de fiéis. Cerca de 6 mil pessoas acompanharam a celebração no interior da Basílica de São Pedro, enquanto outras 4 mil assistiram à cerimônia por meio de telões instalados na Praça de São Pedro, reforçando a dimensão simbólica e coletiva de uma das datas mais importantes do calendário cristão.

Na Sexta-Feira Santa (3), Papa Leão XIV também conduziu uma das cerimônias mais solenes da tradição católica. Durante o rito, o pontífice permaneceu deitado em oração por alguns minutos, em um gesto de reverência, respeito e adoração, antes da tradicional encenação da Paixão de Cristo no Coliseu. O momento, carregado de simbolismo, relembra o sofrimento e o sacrifício de Jesus, sendo um dos atos mais marcantes da Semana Santa.


Papa Leão XIV reza durante Vigília Pascal (Vídeo: reprodução/Instagram/@jornal_osul)


Em meio a esse cenário de reflexão, paz e espiritualidade, o Vaticano também confirmou que Papa Leão XIV conversou por telefone, na manhã de sexta-feira (3), com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo o comunicado oficial, o líder religioso se mostrou “próximo do povo ucraniano”, reafirmando sua preocupação com os impactos humanitários da guerra. A nota divulgada pelo Vaticano ainda informou que ambos discutiram a situação humanitária no país, com ênfase na urgência de garantir que a ajuda chegue às populações afetadas pelo conflito. O contato reforça a postura adotada pelo novo pontífice de associar momentos de fé e celebração religiosa a apelos concretos por paz, solidariedade e assistência aos povos atingidos pela guerra.

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