Repercussão da operação da PF contra Jaques Wagner corre no senado
Líder do governo no Senado é citado em investigação do Banco Master; políticos se manifestam em apoio, enquanto oposição reconhece ‘verdades aparecendo’
Nesta quinta-feira (18), após a divulgação da operação da PF contra Jaques Wagner, líder do governo Lula, políticos, parlamentares e ministros repercutiram a situação. Por um lado, apoiadores se manifestam sobre direito à presunção de inocência, enquanto oposição entende que a investigação de esquema bilionário do Banco Master segue trazendo verdades à tona. Jaques é alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, que aponta vantagens recebidas em troca de atuação política e imóvel.
Apoio e diretos
Em solidariedade ao senador, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, afirmou que ninguém pode ser considerado condenado antes da conclusão de um processo penal com trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos contra a condenação.
“A operação desta quinta, um colega nosso que respeitamos, que teve legitimidade do voto popular. Precisamos entender que ninguém nesse país pode ser condenado antes do trânsito em julgado. E todos nesse país podem ser investigados, isso é normal no estado democrático de direito. Mas todos têm que ter a presunção de inocência. Seja ele senador ou deputado federal do PT, ou seja ele senador ou deputado federal do PL”, afirmou Alcolumbre.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado (Foto: reprodução/Evaristo Sa/Getty Images Embed)
O presidente do Senado também declarou que operações contra agentes públicos costumam gerar condenação antecipada na opinião pública: “Um homem público, quando sofre uma operação, ele já está condenado para a opinião pública. Esse mantra de que todo mundo é culpado antes que se prove o contrário está errado no Brasil. Minha solidariedade integral a um colega senador da República”.
Já o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a todos é garantido o direito de ampla defesa e do contraditório e defendeu que não haja antecipação de culpa.
“Ao que eu sei, não tem nenhum áudio do senador Jaques Wagner com o senhor Vorcaro. Não tem um pedido do senador Jaques Wagner de R$130 milhões para o Vorcaro. O que tem é um procedimento em curso na Bahia. A diretriz do governo Lula é dar total autonomia à investigação. Ninguém pode ser culpado antecipadamente”, disse Randolfe.
O que diz a oposição
Parlamentares da oposição ao governo Lula repercutiram a operação contra o senador Jaques Wagner e associaram o caso às investigações envolvendo o Banco Master. Carlos Viana (PSD-MG), senador da oposição e presidente da CPMI do INSS, elogiou a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master na Corte.
A CPMI do INSS começou a puxar esse fio. Levantou as provas, expôs as conexões e, quando chegou perto demais, os governistas deram um jeito de enterrar. O sistema sempre encontra uma forma de se proteger.
Mas dessa vez a investigação avançou. E avançou contra o líder do governo…
— Carlos Viana (@carlosaviana) June 18, 2026
Publicação de Carlos Viana sobre o caso (Foto: reprodução/ X/ @carlosaviana)
“[A investigação] avançou contra o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, o senador do PT da Bahia, o berço do Master. A Polícia Federal deflagrou a operação, e o nome do líder de Lula apareceu no centro do escândalo: apartamento de luxo em Salvador, voos nos jatos de Vorcaro e milhões parando na conta da família”, afirmou Viana.
Já o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS, afirmou que os desdobramentos da investigação estariam revelando irregularidades relacionadas ao caso: “O tempo vai passando, e a verdade vai aparecendo. Hoje, a Polícia Federal, por determinação do ministro do STF André Mendonça, deflagrou uma operação que teve como alvo o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. Lembra do senador? Ele, que está sendo citado nas investigações por receber propina, é o mesmo que tentou acabar com o nosso trabalho na CPMI do INSS”.
