Fim da jornada 6×1: Governo retira urgência de projeto

A proposta sobre a escala de trabalho foi enviada em abril mas agora os deputados vão focar na regulamentação da IA e em mudanças para o MEI

17 jun, 2026
Davi Alcolumbre, Geraldo Alckmin e Hugo Motta | Reprodução/X/@guhomottapb)
Davi Alcolumbre, Geraldo Alckmin e Hugo Motta | Reprodução/X/@guhomottapb)

O projeto que pretende acabar com a jornada de trabalho 6×1 não tem mais caráter de urgência para votação. O governo federal, que é o autor do texto, retirou o pedido de urgência e comunicou a decisão na manhã de terça-feira (16). Essa decisão promete destravar a pauta na Câmara e liberar o plenário para que três projetos considerados muito importantes sejam votados.

Novas prioridades na pauta da Câmara

O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), promete colocar em votação ainda neste semestre a regulamentação da Inteligência Artificial e o aumento do piso dos MEIs (Microempreendedores Individuais), além de deixar claro que tem a intenção de votar o projeto que criminaliza o ato de misoginia.


Câmara dos Deputados (Foto: Reprodução/X/@hugomottapb)


A proposta do governo federal para dar fim à jornada 6×1 foi enviada à Câmara em meados de abril e, desde esse período, os trabalhos dos deputados seguiam limitados. Com a retirada da urgência da pauta, o projeto provavelmente não será analisado agora pelos parlamentares.

Mudança de estratégia no Senado e recesso

Mesmo após a aprovação da matéria na Câmara dos Deputados, o governo federal tinha mantido a urgência para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador vem segurando ao máximo o avanço da PEC e ainda nem sequer enviou o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A intenção do governo era manter o caráter de urgência para que a Câmara dos Deputados enviasse o texto ao Senado com essa mesma prioridade, obrigando Davi Alcolumbre a cumprir um prazo de 45 dias para votar o projeto.


Davi Alcolumbre (Foto: Reprodução/X/@eleicaobr2026)


No entanto, com a retirada do pedido de urgência, o governo abre mão dessa estratégia e passa a depender exclusivamente da boa vontade do Senado para seguir com a aprovação.

Agora a Câmara deve passar por dias de ritmo lento. Na semana que vem, não haverá nenhuma votação planejada. A justificativa são as comemorações de São João, no dia 24 de junho, mesma data em que ocorre o jogo do Brasil na Copa do Mundo.

Detalhes sobre os próximos projetos em debate

A expectativa é que os deputados debatam o PL da Inteligência Artificial assim que retornarem aos trabalhos normais. Eles também votarão o aumento do teto de faturamento dos MEIs, que passará de R$ 81 mil por ano para R$ 134 mil anuais, com possibilidade de chegar a R$ 140 mil. O texto deve propor ainda o reajuste das taxas voltadas ao Simples Nacional.

Por fim, deve ir a debate no plenário da Câmara a votação do PL da misoginia, que busca incluir essa prática entre os crimes de preconceito ou discriminação que já constam na Lei do Racismo. As punições estabelecidas podem variar de 2 a 5 anos de reclusão, além de aplicação de multa.

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