PT adota estratégia digital e aposta em 37 influenciadores como candidatos

Partido dos Trabalhadores investe em candidatos com forte atuação nas redes sociais como estratégia para uma disputa mais equilibrada nas eleições de 2026

03 maio, 2026
Presidente Lula | Reprodução/Agencia Brasil/Paulo Pinto
Presidente Lula | Reprodução/Agencia Brasil/Paulo Pinto

Com a aproximação das eleições, previstas para outubro deste ano, partidos e candidatos intensificam os preparativos para suas campanhas. Eles priorizam no momento a adoção e construção de estratégias eleitorais consistentes, mas também a formação de equipes, capazes de fortalecer a atuação e a representatividade dentro do Congresso Nacional.

Nesse cenário, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem apostado em uma estratégia voltada à ampliação de sua bancada, buscando dialogar com a nova geração e com o contexto atual, em que as redes sociais desempenham um papel central na formação da opinião pública, por meio de influenciadores digitais.

Estratégia digital amplia presença política do PT nas redes

Diante da forte presença de grupos ligados ao bolsonarismo nas redes sociais e da repercussão que esse alcance gera entre seus apoiadores, o Partido dos Trabalhadores (PT) passou a investir em uma nova frente de atuação. A proposta envolve a inclusão de 37 pré-candidatos com perfis digitais relevantes, com o objetivo de disputar vagas como deputados estaduais e federais e, ao mesmo tempo, ampliar a visibilidade do partido no ambiente online.

A movimentação sinaliza uma mudança de entendimento dentro da sigla: para se manter competitivo, não basta concentrar esforços apenas nos meios tradicionais, como palanques, sindicatos, tempo de televisão ou articulações partidárias. Embora a militância de base ainda tenha papel importante, cresce o reconhecimento de que é necessário fortalecer a presença nas redes e dialogar com uma nova geração de eleitores.

A iniciativa, impulsionada principalmente por setores mais jovens do partido, já conta com 13 pré-candidatos anunciados, quatro em fase de confirmação e outros 20 em negociação. Os nomes envolvidos possuem perfis que variam entre 100 mil e 800 mil seguidores, refletindo a tentativa de expandir o alcance da comunicação política e se adaptar à lógica digital.

O projeto foi apresentado em 16 de abril de 2026 pelo pré-candidato Vinicios Betiol, que divulgou nomes em diferentes estados para a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. Entre eles, Júlio Rodrigues aparece com cerca de 414 mil seguidores no Instagram, enquanto Thiago Foltran soma aproximadamente 640 mil na mesma plataforma e 271 mil no TikTok, ambos candidatos pelo Paraná.


Thiago Foltran anuncia candidatura através das redes (Vídeo: reprodução/Instragram/@thiagojfoltran)


O secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, destacou a importância dessa adaptação ao ambiente digital ao afirmar que “a dimensão da nossa vida ‘real’ se funde e se confunde com a vida digital. O celular virou praticamente uma extensão dos nossos corpos”. Ainda que o número de seguidores não garanta votos, o aumento da presença nas redes pode influenciar o cenário político antes mesmo do início oficial das campanhas. O principal desafio, no entanto, está em transformar alcance em apoio efetivo, o que exige não apenas engajamento online, mas também estrutura territorial, articulação política e um discurso alinhado às realidades locais.

Panorama eleitoral desenha cenário de incertezas

O Partido dos Trabalhadores se prepara para definir os nomes que irão disputar os governos estaduais nas próximas eleições. No entanto, levantamentos recentes indicam uma redução na presença do partido nessas disputas: enquanto no último pleito foram lançados 16 candidatos, a projeção atual aponta para cerca de 12 participações em 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve contar com palanques do partido em estados como São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí, Rondônia e Roraima. Em Goiás e Maranhão, as candidaturas ainda estão em análise. No caso maranhense, o cenário segue indefinido, com a possibilidade de lançamento do vice-governador Felipe Camarão ou a formação de alianças, como um eventual apoio ao ex-prefeito Eduardo Braide.

Dados de uma pesquisa realizada pela Exatus indicam que 59,8% do eleitorado ainda não definiu seu voto para os cargos estaduais, evidenciando um cenário aberto e sujeito a mudanças. Com o início oficial das campanhas, a tendência é que a polarização nacional influencie também as disputas regionais, especialmente diante da possível centralização entre nomes como Lula e Flávio Bolsonaro.

Na corrida pelo Palácio do Planalto, pelo menos 11 pré-candidatos já foram oficialmente lançados. Entre eles, está o escritor e psiquiatra Augusto Cury, que anunciou sua pré-candidatura pelo partido Avante no dia 5 de abril. Ele se soma a outros nomes que compõem um cenário eleitoral mais amplo e competitivo.


Augusto Cury comenta sobre pré-candidatura (Vídeo: reprodução/Instagram/@augustocury)


Entre os principais destaques até o momento, Lula busca um novo mandato, enquanto Flávio Bolsonaro surge como um dos principais representantes da oposição. Pesquisas recentes apontam um cenário equilibrado entre os dois em um eventual segundo turno, com leve vantagem numérica para Flávio, enquanto no primeiro turno Lula aparece à frente, ainda que por margem reduzida. Com as eleições marcadas para 4 de outubro de 2026, o cenário político segue em construção e deve ganhar novos contornos à medida que candidaturas forem oficializadas e as campanhas avançarem pelo país.

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