Teste genético para risco hereditário de câncer de mama chega ao SUS
Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 serão identificadas através de teste genético e Inca estima mais de 78,6 mil casos de câncer de mama no Brasil
Um teste genético capaz de identificar mutações hereditárias ligadas ao câncer de mama chegará ao Sistema Único de Saúde (SUS). O exame deve estar disponível na rede pública até novembro, segundo a previsão de implementação. A princípio, a análise detecta alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 por meio de amostras de sangue ou saliva. No SUS, mulheres já diagnosticadas com câncer de mama poderão realizar o exame gratuitamente. Assim, o teste ajudará a investigar uma possível origem genética da doença.
Teste pode orientar decisões sobre o tratamento
Segundo Gélcio Luiz Quintella Mendes, coordenador do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o resultado pode orientar o tratamento e a avaliação envolve profissionais especializados em oncogenética. Primeiramente, o oncogeneticista analisa o histórico da paciente e identifica sinais associados ao câncer hereditário. Depois, a equipe avalia os resultados para definir condutas adequadas ao caso.
Exame de mamografia identifica câncer de mama (Fotos: reprodução/Tom Werner/Getty Images Embed)
Assim, a identificação de uma mutação pode influenciar a escolha do tratamento e, em determinadas situações, o resultado pode evitar procedimentos mais agressivos. Além disso, pode reduzir a necessidade de quimioterapia. Ainda segundo Mendes, a análise pode melhorar a expectativa da paciente. Isso ocorre porque algumas pessoas podem precisar de cirurgias menos agressivas ou de menos quimioterapia.
Mutação também pode indicar risco para familiares
As alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem passar entre gerações. Portanto, o diagnóstico de uma mutação também pode alertar parentes sobre possível risco hereditário. O mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia em Minas Gerais, Henrique Lima Couto, destaca essa avaliação familiar e afirma que parentes podem realizar testes específicos e adotar medidas preventivas.
Drauzio Varella fala sobre a importância da prevenção do câncer de mama (Vídeo: reprodução/YouTube/@drauziovarella)
Entre essas medidas, estão o acompanhamento médico intensivo e procedimentos redutores de risco. Em alguns casos, especialistas podem avaliar cirurgias preventivas nas mamas ou nos ovários. Dessa forma, a descoberta de uma mutação pode ampliar a prevenção antes do surgimento de um tumor. A estratégia permite identificar pessoas com maior risco e possibilita estabelecer acompanhamento individualizado. O Inca estima mais de 78,6 mil novos casos de câncer de mama no Brasil neste ano, no país. Portanto, ampliar o acesso ao diagnóstico genético pode fortalecer prevenção e tratamento.
SUS prepara expansão do acesso ao exame
Atualmente, a rede privada concentra grande parte da oferta desses testes genéticos. Entretanto, o SUS organiza a implementação para disponibilizar o exame gratuitamente até novembro. Dentre os casos, a assistente administrativa Lorrayne Raysla da Silva descobriu um nódulo durante exames de rotina e como possuía histórico familiar da doença, realizou um mapeamento genético pelo convênio médico. O exame confirmou a presença de um fator hereditário. Depois disso, Lorrayne decidiu retirar as duas mamas como medida preventiva contra um novo câncer.
Para ela, a oferta pelo SUS poderá beneficiar mulheres com histórico familiar da doença. Além disso, o acesso público permitirá acompanhamento mais próximo para quem identificar maior risco. A iniciativa amplia a possibilidade de investigação genética entre pacientes já diagnosticadas. Assim, o exame poderá contribuir para decisões terapêuticas e também poderá apoiar estratégias preventivas envolvendo familiares.
