Teste genético para risco hereditário de câncer de mama chega ao SUS

Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 serão identificadas através de teste genético e Inca estima mais de 78,6 mil casos de câncer de mama no Brasil

09 ago, 2026
Tratamento oncológico │ Reprodução/Paulo Pinto/Agência Brasil
Tratamento oncológico │ Reprodução/Paulo Pinto/Agência Brasil

Um teste genético capaz de identificar mutações hereditárias ligadas ao câncer de mama chegará ao Sistema Único de Saúde (SUS). O exame deve estar disponível na rede pública até novembro, segundo a previsão de implementação. A princípio, a análise detecta alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 por meio de amostras de sangue ou saliva. No SUS, mulheres já diagnosticadas com câncer de mama poderão realizar o exame gratuitamente. Assim, o teste ajudará a investigar uma possível origem genética da doença.

Teste pode orientar decisões sobre o tratamento

Segundo Gélcio Luiz Quintella Mendes, coordenador do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o resultado pode orientar o tratamento e a avaliação envolve profissionais especializados em oncogenética. Primeiramente, o oncogeneticista analisa o histórico da paciente e identifica sinais associados ao câncer hereditário. Depois, a equipe avalia os resultados para definir condutas adequadas ao caso.


Exame de mamografia identifica câncer de mama (Fotos: reprodução/Tom Werner/Getty Images Embed)


Assim, a identificação de uma mutação pode influenciar a escolha do tratamento e, em determinadas situações, o resultado pode evitar procedimentos mais agressivos. Além disso, pode reduzir a necessidade de quimioterapia. Ainda segundo Mendes, a análise pode melhorar a expectativa da paciente. Isso ocorre porque algumas pessoas podem precisar de cirurgias menos agressivas ou de menos quimioterapia.

Mutação também pode indicar risco para familiares

As alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem passar entre gerações. Portanto, o diagnóstico de uma mutação também pode alertar parentes sobre possível risco hereditário. O mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia em Minas Gerais, Henrique Lima Couto, destaca essa avaliação familiar e afirma que parentes podem realizar testes específicos e adotar medidas preventivas.


Drauzio Varella fala sobre a importância da prevenção do câncer de mama (Vídeo: reprodução/YouTube/@drauziovarella)


Entre essas medidas, estão o acompanhamento médico intensivo e procedimentos redutores de risco. Em alguns casos, especialistas podem avaliar cirurgias preventivas nas mamas ou nos ovários. Dessa forma, a descoberta de uma mutação pode ampliar a prevenção antes do surgimento de um tumor. A estratégia permite identificar pessoas com maior risco e possibilita estabelecer acompanhamento individualizado. O Inca estima mais de 78,6 mil novos casos de câncer de mama no Brasil neste ano, no país. Portanto, ampliar o acesso ao diagnóstico genético pode fortalecer prevenção e tratamento.

SUS prepara expansão do acesso ao exame

Atualmente, a rede privada concentra grande parte da oferta desses testes genéticos. Entretanto, o SUS organiza a implementação para disponibilizar o exame gratuitamente até novembro. Dentre os casos, a assistente administrativa Lorrayne Raysla da Silva descobriu um nódulo durante exames de rotina e como possuía histórico familiar da doença, realizou um mapeamento genético pelo convênio médico. O exame confirmou a presença de um fator hereditário. Depois disso, Lorrayne decidiu retirar as duas mamas como medida preventiva contra um novo câncer.

Para ela, a oferta pelo SUS poderá beneficiar mulheres com histórico familiar da doença. Além disso, o acesso público permitirá acompanhamento mais próximo para quem identificar maior risco. A iniciativa amplia a possibilidade de investigação genética entre pacientes já diagnosticadas. Assim, o exame poderá contribuir para decisões terapêuticas e também poderá apoiar estratégias preventivas envolvendo familiares.

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