Dólar fecha em menor valor em 9 meses e cai para R$5,40

Nesta segunda-feira (30), o dólar encerrou o dia em queda de 0,88%, menor valor desde setembro de 2024. Acompanhando sua desvalorização crescente no exterior, a moeda caiu para R$5,4350. Devido a esse fator, agentes financeiros são obrigados a direcionarem a nova cotação de forma a melhor beneficiarem suas negociações.

Já o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia em alta de 1,45%, contabilizando 138.854,60 pontos. Só neste mês, foi acumulado uma elevação de 1,33%, enquanto o ano de 2025 tem avanço de 15,44%. O aumento ocorreu principalmente devido a um fluxo positivo de capital externo, no valor de cerca de R$4,2 bilhões durante o mês até o dia 26, somando um saldo de quase R$25,3 bilhões no ano.

Pesquisa Focus

A nova edição da Pesquisa Focus foi divulgada pelo Banco Central (BC), logo no início do dia. Os analistas consultados apontam um leve recuo na projeção da inflação para 2025, agora em 5,20%, o que representa uma queda de 0,04 ponto percentual em relação à projeção passada.  A expectativa para o Projeto Bruto Interno (PIB) deste ano foi mantida em 2,21%, enquanto a do próximo ano teve uma pequena alta para 1,87%. A projeção de inflação para 2026 permaneceu a 4,50%.

Mais tarde, o boletim Firmus, também divulgado pelo BC, indicou que as empresas não-financeiras no Brasil reduziram suas projeções para a taxa de câmbio em seis meses à frente. A mediana das expectativas para a cotação do dólar para o próximo semestre passou de R$6,00 – apurada em fevereiro – para R$5,80 em maio. Apesar disso, a expectativa que se mantém é de que a inflação seguirá acima do centro da meta nos anos seguintes.


Cotação do dólar diminui de fevereiro para maio (Foto: reprodução/Michael M. Santiago/Getty Images Embed)


Mercado de Trabalho Brasileiro

Outros dados apresentados pelo boletim, foram referentes ao mercado de trabalho do Brasil. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o país registrou em maio 2.256.225 admissões e 2.107.233 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 148.992 novas vagas formais.

Esse conjunto de dados, aliado à queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro Americano, contribuiu para a redução das taxas dos contratos de Depósito Interbancário (DIs), beneficiando ações de empresas mais expostas à economia local na B3.

B3 faz parceria com bolsas de valores chinesas com objetivo de ampliar acesso a ETFs internacionais

A B3 publicou, na quinta-feira (27), que assinou Memorandos de Entendimento com bolsas de valores chinesas para trazer uma conexão de ETFs entre os dois países, com o programa ETF Connect. Esta ação serve como um grande passo no mercado de investimentos brasileiro e do resto do mundo, pois gera uma conexão com um mercado muito forte, sendo o da China.

A parceria

Nesta quinta-feira (27), a B3, uma bolsa de valores brasileira, divulgou que assinou MoUs (Memorandos de Entendimento) com duas bolsas de valores na China. Elas são a Shanghai Stock Exchange – SSE, de Xangai e a Shenzhen Stock Exchange – SZSE, de Shenzhen. Esta ação foi feita visando permitir uma conectividade de ETFs (Exchange-traded fund) entre as duas nações, e isso será feito por meio do programa ETF Connect. Essa nova possibilidade permitirá uma ampliação de oportunidades de investimento, através dos ETFs em conjunto do Brasil e a China.


Logo e nome da Shenzhen Stock Exchange, em seu prédio, na China (Foto: reprodução/Cheng Xin/Getty Images Embed)


Essa modalidade foi viabilizada por meio dos memorandos, assinados no ano passado, entre a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a CSRC (Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China). A China possui 18 ETFs lançados em outras parcerias realizadas com outros países do mercado asiático, como Japão, Singapura e Hong Kong, portanto, o Brasil é o primeiro país de fora do continente a fazer esse acordo.

O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, ainda afirmou que o reforço da atuação de bolsa do Brasil, serve como uma ponte entre o mercado da América Latina e da Ásia, pois oferece alternativas de diversificação internacional, para investidores institucionais e pessoas físicas.


Celular com o indicador de estoque de Xangai (Foto: reprodução/Costfoto/NurPhoto/Getty Images Embed)


O que será feito

Para que a funcionalidade dos processos seja melhor, gestoras dos dois países irão trabalhar em conjunto para a fazer a listagem dos novos ETFs. Até agora, a Bradesco Asset Management e a Itaú Asset Management estão realizando negociações com suas contrapartes da China para viabilizar participação no programa.

Ricardo Eleuterio, diretor da Bradesco Asset Management, diz que esse projeto serve para aumentar a atratividade do mercado de capitais brasileiro e também para aumentar a presença internacional, abrindo espaço para novos investidores e negócios de longo prazo.

Vamos conectar investidores de dois países que ocupam papéis relevantes no cenário global e com mercados de capitais com características complementares”, adicionou Carlos Augusto Salamonde, head da Global Investment Management do Itaú Unibanco.

O ETF Connect também serviu para que o Brasil e a China pudessem ter uma maior cooperação em finanças, o que foi decidido pelos governos, segundo um comunicado emitido pelos presidentes de ambos os países, em 20 de novembro de 2024.

Dólar e IBOVESPA caem em sessão de baixa liquidez

Depois de uma sessão de alta no final de 2024, o dólar iniciou 2025 em baixa, assim como o IBOVESPA. O dólar à vista fechou em R$ 6,1651, em uma queda de 0,22%. O IBOVESPA teve uma queda de 0,13%, com 120.125,39 mil pontos.

Baixa do dólar e do IBOVESPA

Devido à alta da commodity no exterior, os contratos de petróleo tiveram uma alta, como os do petróleo Brent, que subiram 1,73%, sendo agora seu custo por barril US$ 75,93.

Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o aumento do petróleo no mercado exterior, impediu uma queda superior para o indicador. Essa alta impactou também os negócios da Petrobras, que tem um imenso peso no índice brasileiro. A baixa final do IBOVESPA foi mais leve que o momento do dia em que a perda chegou perto de 1%.


IBOVESPA teve queda de quase 1% (Foto: reprodução/Freepik/@pikisuperstar)

Houve pouca movimentação na bolsa devido às festas de fim de ano, e no caso da moeda estadunidense, o número de pedidos semanais de seguro-desemprego dos Estados Unidos foi menor que o esperado.

Início de ano controlado

O especialista da Valor Investimentos, Wagner Varejão, diz que o início do ano sempre tem uma liquidez reduzida, com poucas coisas movendo o mercado fortemente, havendo um alívio na tensão.

Ainda assim, segundo Varejão, os investidores ficam atentos a quaisquer mudanças que possam haver no cenário fiscal, e as novidades das contas públicas. Com a tensão extrema do final do ano, o câmbio e a posição do IBOVESPA foi impactada tanto nacionalmente, quanto internacionalmente.

O Banco Central informou que o Brasil registrou a terceira maior série histórica de saída de dólares, com US$ 15,918 bilhões no decorre do ano. Utilizando o real como medida, o IBOVESPA caiu 10% e, utilizando o dólar, há a maior queda desde 2015.

A última prévia da nova carteira do IBOVESPA foi divulgada na quinta-feira (2), pela operadora da bolsa paulista B3, onde aparecerem ações da Marcopolo e Porto Seguro, bem como a saída da Alpargatas e Eztec. A carteira efetiva entrará em vigor de 6 de janeiro a 2 de maio.