Agricultores gaúchos pensam em desistir de seus serviços após tragédia no RS

As chuvas e enchentes na região do Rio Grande do Sul trouxeram diversas perdas em vários setores. Os agricultores foram um dos mais atingidos pela tragédia, com um impacto grande em suas atividades. Ainda não se sabe ao certo qual é a proporção dos danos causados pelas chuvas na agricultura e na pecuária. 

A região do Vale do Taquari é reconhecida pela vasta atividade de pecuária e agricultura, e foi afetada pelo alagamento das terras. De acordo com o Secretário de Agricultura de Cruzeiro do Sul, as atividades agrícolas do município representam uma porcentagem de 39%. 

Dificuldades para o cálculo dos impactos

Está sendo difícil calcular os impactos das chuvas na região agrícola. As áreas rurais estão em isolamento e o Jornal Nacional fez uma reportagem na região, tentando chegar no local onde ocorreram as chuvas. 

Na reportagem do Jornal da Tv Globo, a equipe chegou até o atoleiro, onde ficam as regiões das lavouras e conversou com o agricultor Evandro Dihl. De acordo com o trabalhador, ele não sabe se conseguirá salvar alguma coisa de sua plantação. Ele também diz que para colher suas produções, são necessários 2 a 3 dias secos. 

Evandro também lamenta por suas perdas em sua segunda área no Cruzeiro do Sul:”Nem as contas eu vou conseguir pagar. Não sei nem o que eu faço, se eu fico na roça ou se eu trabalho fora”.

Outras cidades atingidas na região

Diversas outras cidades da região do Rio Grande do Sul foram derrubadas pela tragédia. Lavouras foram arrastadas e rebanhos foram mortos pelas fortes chuvas. Os campos que antes eram produtivos, agora estão desertos e lamacentos. 


Área agrícola alagada pelas tragédias das chuvas (Foto: reprodução/Agência Reuters/Diego Vara)

Em conversa do Jornal Nacional com Alcides de Melo, que é um produtor familiar, o agricultor diz que não sabe se voltará para casa:” A gente tem a possibilidade de vir para cidade e onde der para a gente comprar uma chacrinha amanhã ou depois, uma área verde, pertinho assim, fazer uma hortinha e terminar com esse assunto de está passando dificuldade em um lugar onde pega enchente, que não está seguro para nós”.

De acordo com Maurício Antonioli, extensionista rural da Emater, mais de 90% das famílias dos municípios de São Cruzeiro do Sul e do Vale são agricultores familiares. Ele também diz que ocorrerá o êxodo rural, ou seja, as famílias migrarão da área rural para a cidade em busca de novos empregos.

Senado Federal aprova projeto que visa criar regras para mudanças climáticas no Brasil 

Na quarta-feira (15), o Senado Federal aprovou um projeto de lei que visa protocolar regras na criação de planos de adaptação durante mudanças climáticas no Brasil. A sugestão, por se tratar de um texto alternativo alterado pelas comissões do meio ambiente, constituição, justiça e cidadania, deve passar novamente por aprovação na Câmara dos Deputados.

O que se estabelece

O objetivo dessa resolução é diminuir os impactos ambientais, sociais, econômicos e também a infraestrutura que eventos catastróficos podem causar em cidades brasileiras. As adaptações deverão ser realizadas por um órgão federal com a União, estados e municípios. Também é determinado que grupos vulneráveis atingidos pelos eventos, setores econômicos e o setor privado devem participar dessa iniciativa. 


Votação do projeto no Senado Federal (Foto: reprodução/Roque de Sá/Agência Senado/Senado Notícias)

O texto afirma que a idealização dos planos será financiada pelo Fundo Nacional sobre Mudança Climática e prevê reconhecer e priorizar ações de combate aos desastres ambientais, incentivar o agronegócio a pesquisar e desenvolver novas maneiras para diminuir a emissão de carbono e definir as prioridades de operações em regiões mais vulneráveis. 

Ademais, as diretrizes estabelecidas serão executadas em três áreas de prioridades: na infraestrutura urbana e cidade, infraestrutura nacional com suporte em transportes, energia e comunicação, e na infraestrutura da natureza, e também conterão medidas para gestão de risco. 

Os municípios mais propícios a sofrerem com esses desastres terão prioridade maior no plano, que terá o prazo de um ano para sua elaboração e formulação de prazos. 

Projeto em análise há três anos

O projeto ambiental encontrava-se em trâmite no Congresso há cerca de três anos, foi aprovado pela Câmara em 2022 e analisado pela Comissão do Meio Ambiente, recebendo autorização em fevereiro deste ano. A tragédia que atingiu o Rio Grande do Sul nas últimas semanas colocou uma pressão maior para a análise rápida da proposta. 


Brigada militar realizando resgates no RS (Foto: reprodução/Instagram/@brigadamilitaroficial)

O senador Jaques Wagner afirmou em seu relatório que a tragédia é um exemplo dos diversos eventos climáticos que vêm atingindo o mundo e por isso a necessidade de criar um plano maior de prevenção.  

“A inundação dos municípios gaúchos não foi um evento isolado. Tempestades e nevascas com maior intensidade têm ocorrido em diversos pontos da Terra, bem como incêndios de imensa magnitude no Canadá, na Europa e na Austrália, em tempos recentes”

Jaques Wagner

O projeto foi aprovado com somente um voto contrário do senador Flávio Bolsonaro, que revelou sua preocupação com o excesso de poder dos órgãos ambientais, o projeto ainda não tem data para a nova sessão na Câmara dos Deputados. 

Governo anuncia ajuda de R$ 5 mil por família desabrigada no Rio Grande do Sul

O governo federal deve fornecer um auxílio financeiro de R$ 5 mil para cada família desabrigada pelas fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos dias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve oficializar o anúncio e o número de beneficiários do auxílio ainda esta semana.

A iniciativa, destinada a ajudar na reconstrução das residências e na recuperação das famílias afetadas pelas inundações, está prevista para beneficiar aproximadamente 100 mil famílias, de acordo com estimativas da Presidência da República e da equipe econômica. O foco será dado às famílias que enfrentaram as maiores perdas materiais devido às enchentes. O custo total da operação está calculado em R$ 500 milhões.


Vista aérea mostra casas destruídas por enchentes em Roca Sales, estado do Rio Grande do Sul (Foto: Reprodução/ Gustavo Ghisleni/ Getty Images Embed)


Segundo o Ministério da Fazenda, o valor será pago em uma única parcela e poderá ser utilizado livremente pelas famílias, seja para a compra de materiais de construção, eletrodomésticos, móveis ou outros itens de necessidade.

Anúncio oficial e novas medidas de auxílio

A agenda do presidente Lula para esta terça-feira (14) inclui a cerimônia para apresentar medidas de assistência às vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul. No entanto, fontes do governo não descartam a possibilidade de que o presidente Lula anuncie a informação sobre os beneficiários durante sua visita ao estado na quarta-feira (15).

Além do auxílio financeiro, o governo federal também está avaliando a expansão do Bolsa Família para incluir mais famílias no Rio Grande do Sul, essa informação foi divulgada pela CNN. O programa já beneficia cerca de 620 mil famílias no estado, com um valor médio de R$ 672,74 por mês.

O Ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, anunciou que haverá uma inclusão adicional de famílias gaúchas no Bolsa Família, com pagamentos já a partir de maio, e destacou a importância de agilizar os processos burocráticos.


Vítimas das enchentes se abrigam no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), no bairro Menino Deus, em Porto Alegre (Foto: Reprodução/Nelson ALMEIDA/ Getty Images Embed)


Situação fiscal

Enquanto o governo federal intensifica seus esforços para auxiliar as vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul, a equipe econômica trabalha para equilibrar as medidas de apoio com a situação fiscal do país. O presidente Lula enfatizou a necessidade de “apoio máximo” por parte dos ministros aos municípios e às famílias gaúchas, ao mesmo tempo em que é preciso considerar a responsabilidade fiscal.

O auxílio financeiro de R$ 5 mil e a expansão do Bolsa Família são medidas importantes para ajudar as famílias gaúchas. A expectativa é que essas medidas contribuam para a retomada da vida das famílias afetadas e para o desenvolvimento da região.

Tragédia no RS: 360 Mil estudantes Gaúchos são afetados pelas chuvas

As fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos dias causaram um impacto significativo na educação do estado. Estima-se que quase 360 mil alunos foram afetados de alguma forma pelas inundações, com 216 mil estudantes sem previsão de retorno às aulas.

Metade das escolas da capital gaúcha teve algum tipo de prejuízo com as cheias, e 28 escolas municipais permanecem submersas. No interior do estado, imagens como a da escola de educação básica e ensino fundamental, em Presidente João Goulart, ilustram a gravidade da situação. A equipe do Jornal Nacional precisou percorrer 1,5 km de barco para chegar até a instituição, onde a água alcança o segundo andar.

Como vai funcionar o retorno das aulas?

Diante do cenário caótico, as autoridades buscam soluções para retomar as atividades letivas o mais rápido possível. O secretário municipal de Educação de Porto Alegre, José Paulo da Rosa, anunciou que o objetivo é reabrir as escolas na próxima semana, onde for possível. Em casos de escolas onde os danos são mais extensos, a realocação dos alunos para outras unidades será necessária.

“A gente já sofreu muito na pandemia por demorar em retomar as aulas. Então, pretendemos retornar na próxima semana naquelas escolas que tiverem condições’’ afirma o secretário da educação.


Moradores em um abrigo temporário após enchentes em Canoas, Rio Grande do Sul, 5 de maio de 2024 (Foto: Reprodução/ Carlos Macedo /Getty Images Embed)

A secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, reconhece os desafios e ressalta a necessidade de adaptar o calendário escolar às diferentes realidades das regiões afetadas. “Na pandemia, alunos e professores não vinham para a escola, mas eu sabia onde eles estavam: em casa. Agora, não sei onde estão. Naquela época, muitos não tinham celular e computador. Hoje, não têm casa”, lamenta a secretária.

Adaptação para as crianças

Para além da segurança física, é fundamental oferecer suporte emocional e oportunidades de aprendizado aos pequenos, que estão lidando com uma situação traumática. Nesse sentido, alguns abrigos estão se adaptando para criar ambientes lúdicos e pedagógicos, buscando amenizar o impacto da tragédia e proporcionar uma rotina mais próxima da que as crianças tinham antes do desastre.


Moradores descansam em um ginásio transformado em abrigo para pessoas cujas casas foram inundadas por fortes chuvas em Canoas (Foto: Reprodução/Mateus Bonomi/ Getty Images Embed)


“Sabemos que as crianças elaboram esses sentimentos e essa situação brincando e relatando aquilo que eles estão sentindo”, afirma Luiza Becker Emmel, coordenadora pedagógica do Marista Rosário.

A manutenção de uma rotina de aprendizado, mesmo que adaptada, contribui para minimizar o sentimento de perda e incerteza e oferece um senso de normalidade em meio ao caos.

Os Correios enviaram mais de mil toneladas de doações para o Rio Grande do Sul

A empresa de entrega dos Correios recebeu mais de mil toneladas de doações para as vítimas das tragédias do Rio Grande do Sul. De acordo com o ministro de Comunicações, Juscelino Filho, há diversas caixas de doações de todo o Brasil e a empresa está recebendo e organizando para que sejam levadas para a população que precisa.

No primeiro dia de campanha de doações, as agências estatais de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul receberam mais de 200 toneladas de alimentos para os que necessitam na região. 

As agências dos Correios nos estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina , Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Distrito Federal são pontos de coleta de doações. As primeiras emtregas aconteceram na quarta-feira (8) e depois na quinta-feira (9).

Voluntários de todo o país 

De acordo com os Correios, há inscrições de mais de mil voluntários para trabalhar na triagem da entrega das doações para as vítimas das chuvas. A ajuda é destinada às seguintes cidades : Cajamar (SP) e Guarulhos (SP), no Distrito Federal, Curitiba (PR), Cascavel (PR) e Londrina (PR).

Agências dos Correios pelo país recebem doações

As agências das regiões Sudeste, Nordeste, Sul e Distrito Federal estão recebendo insumos de água, que é a prioridade do momento. Também são aceitas roupas, alimentos de cesta básica, objetos de higiene pessoal, material de limpeza seco, ração para animais de estimação e roupas de cama. 

Correios recebem doações para o Rio Grande do Sul por todo o país (Reprodução/Divulgação/Correios)

O transporte de doações é gratuito e para doar basta ir a uma agência dos Correios mais próxima e entregar a doação. As doações precisam ser embaladas e identificadas para que a entrega fique mais organizada e seja destinada de uma forma correta. 

A empresa também pede para que a Região Sudeste e Sul se concentrem nas doações de água potável e a região Nordeste se concentre nas doações de itens secos como rações para animais de estimação, itens de limpeza pessoal, itens de limpeza geral e cesta básica de alimentos. 

 

A Grande Conquista: eliminado descobre que casa foi uma das impactadas pelas enchentes

Na segunda-feira (06), o reality A Grande Conquista se despediu de outros participantes em mais uma noite de eliminação. Entre eles, estava o gaúcho Luciano Rodrigues, que após a saída recebeu a notícia de que sua casa no Rio Grande do Sul foi uma das atingidas pelas enchentes provocadas por temporais fortes na região.

Pronunciamento da emissora

Assim que o participante saiu da casa, a Record o informou sobre a situação e Luciano foi imediatamente encaminhado para o departamento médico da produção. Em nota, a emissora confirmou que a família do ex-vileiro estava bem, “a casa dele no Rio Grande do Sul foi atingida pela tragédia no estado. Sua família está bem e protegida. Neste momento ele está sendo atendido pela produção e pela psicóloga do programa”, encerrou-se o comunicado. 


Luciano Rodrigues, ex-vileiro (Foto: reprodução/Instagram/@luciano1965_d.c)


O técnico de segurança não compareceu também ao “O Grande React”, clássica live dos eliminados, por conta da situação. Ju Nogueira, apresentadora da live, explicou ao público e aos outros ex-participantes a condição de Luciano e confortou a todos, confirmando novamente que a família dele estava segura. 

Luciano Rodrigues mora em São Leopoldo (RS) junto com a mãe e seus dois filhos, até o momento, ele não se pronunciou sobre a tragédia do estado. 

Eliminação

Luciano Rodrigues foi eliminado na quarta zona de risco do programa após conseguir 0,82% dos votos de preferência. O gaúcho deixou a casa ao lado de outros 16 participantes que também não foram escolhidos pelo público, Kaio Perroni e Hadad já garantiram uma vaga na mansão por terem sido os mais votados. 


Participantes que foram eliminados na quarta zona de risco (Foto: reprodução/Instagram/@agrandeconquista)


A votação final para garantir a passagem para a próxima fase se iniciou nesta terça-feira (07), ao todo 30 vileiros tentam garantir as últimas 14 vagas em disputa. O resultado será anunciado na quinta-feira (09), dando início à fase da mansão no reality. 

Chuvas no RS: 397 municípios são impactados pelas chuvas e enchentes

Segundo dados da Defesa Civil divulgados na terça-feira (07), o número de municípios atingidos pelas enchentes provocadas por fortes chuvas no Rio Grande do Sul já chegou a 397. O estado contém ao todo 497 cidades, o que equivale a quase 80% de municípios gaúchos prejudicados pela tragédia. 

Ainda conforme a Defesa Civil, o número de pessoas impactadas é de 1,4 milhão, sendo 48.799 desabrigados e 156.036 desalojados na região. As vítimas também estão enfrentando a falta de água potável e energia, pelo alto volume que a água das enchentes atingiu. 

Situação pode piorar

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, revelou que a situação deve se agravar ao longo dos dias. É esperado que a temperatura na quinta-feira (09) chegue até 12ºC, por conta de uma onda de frio e até domingo, o estado deve enfrentar novos temporais com granizos e enchentes. 

Exército recebendo doações para o Estado (Foto: reprodução/Instagram/@governo_rs)

 

“A sala de situação que faz análises meteorológicas aponta uma frente fria que está se deslocando pelo estado e que deve provocar temporais generalizados, em todas as regiões. Atenção para descargas elétricas, granizo e rajadas de vento de até 100 km/h. E, à noite, as temperaturas devem despencar”, alertou Leite, garantindo que o governo está lutando para evitar mais tragédias. 

Ele também declarou, que a meta é evitar que civis estejam nas áreas de riscos e fazer a população compreender a gravidade que os atingirá nos próximos dias. 

“A nossa grande preocupação é não termos pessoas em áreas de risco e sustentarmos os serviços básicos dentro dessas condições, com abastecimento de água, saneamento, energia elétrica, alimentos e, em função do frio, cobertores e roupas de inverno são muito bem-vindos nas doações também” 

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul

O governador expôs que pediu a ajuda de outros estados para conseguirem restabelecer a energia elétrica e a filtrar a água das cidades. 

Consequências catastróficas

Atualmente, o número de desaparecidos é de 131, 372 pessoas estão feridas e o estado já registrou 95 óbitos. A cidade de Gramado possui mais vítimas com 7 falecimentos, acompanhada de Bento Gonçalves com 6, Caxias do Sul, Lajeado, Santa Maria e Veranópolis com 5 e Porto Alegre, Canoas, Três Coroas e Venâncio Aires com 3 mortes.

 

Alerta realizado por Eduardo Leite (Foto: reprodução/Instagram/@governo_rs)

A previsão é que o volume da água irá demorar para diminuir, sendo recomendado para quem se encontra em uma área de risco não ficar no térreo das casas e evitar andar pelas enchentes, pois, a água misturada com o esgoto pode provocar doenças como leptospirose e hepatite A.