Lula e Trump se encontram na Malásia e discutem acordo comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram no domingo (26) durante a 47ª cúpula da ASEAN, na Malásia. A reunião foi marcada como um passo positivo para o estreitamento das relações comerciais entre os dois países, ainda que em meio a tensões econômicas, como a guerra comercial entre o Brasil e os EUA. No encontro, o principal ponto discutido foi a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, com ambos os líderes destacando a importância de alcançar um acordo vantajoso para ambos os lados.

O encontro surge em um momento decisivo para o Brasil, que enfrenta desafios econômicos internos e externos. A imposição das tarifas pelos EUA, que começaram em agosto deste ano, afetou diretamente o comércio de produtos brasileiros. Essas tarifas têm gerado discussões sobre o impacto na indústria nacional, especialmente nas exportações de aço e de produtos agrícolas. Portanto, a reunião não só serviu para reafirmar os laços diplomáticos, mas também para estabelecer um canal de comunicação direto, fundamental para uma possível reviravolta na relação comercial.

Encontro é uma oportunidade para o Brasil

Este encontro, que durou quase uma hora, surge em um contexto delicado, no qual os Estados Unidos mantêm tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros desde agosto. Essas tarifas, parte de uma estratégia para reduzir o déficit comercial, têm gerado impactos negativos na economia brasileira. Para o Brasil, a reunião foi uma oportunidade de pressionar por uma revisão das tarifas e de buscar um entendimento mais equilibrado nas relações comerciais com os EUA.


Publicação de Domingo Espetacular (Vídeo:reprodução/YouTube/Domingo Espetacular)

Lula afirmou que Trump se comprometeu a trabalhar em um “acordo de muita boa qualidade”, enfatizando a importância desse compromisso para o futuro das relações comerciais entre os países. No entanto, Trump, ao comentar a reunião, mostrou-se mais cauteloso, afirmando que a negociação está em andamento e que o futuro do acordo dependeria de um processo mais longo.

Tensões comerciais e impacto do acordo com a China

A disputa comercial com os Estados Unidos não é o único fator que tem impactado as negociações. O Brasil também se encontra em uma posição estratégica junto à China, sua maior parceira comercial. Enquanto o Brasil tenta avançar em um possível acordo com os EUA, o acordo com o gigante asiático parece ser um ponto de pressão. Trump demonstrou interesse em observar como o Brasil se posiciona nas negociações com Pequim, visto que as movimentações entre as duas potências podem influenciar diretamente o acordo com os Estados Unidos.

Porém, o compromisso de Lula com a negociação com os EUA reflete uma visão estratégica de buscar maior estabilidade econômica para o Brasil, mesmo diante de um cenário global de incertezas comerciais. As próximas semanas serão decisivas para ver se o encontro entre os dois presidentes resultará em avanços concretos ou se as negociações continuarão em um campo de promessas.

Do choque à interpretação: como o jeans e a polêmica caminham juntos

O jeans sempre carregou uma dose de rebeldia na costura. Desde as primeiras campanhas ousadas, o tecido se tornou mais que uma peça de vestuário: virou um palco para provocações, sensualidade e mensagens que, direta ou indiretamente, cutucavam a moral vigente. Mas em 2025, o cenário mudou. A última polêmica envolvendo a American Eagle e a atriz Sydney Sweeney mostra que, se a intenção da marca era provocar, quem determina o impacto da mensagem agora é o público.

Na campanha, a insinuação sobre os “genes” da atriz acabou soando para muitos como um elogio à “superioridade estética” associada a um padrão de beleza branco e excludente. O trocadilho perdeu o ar de esperteza publicitária e foi interpretado como racismo. O episódio revela como, no ambiente hiperconectado, qualquer mensagem pode ser amplificada, ressignificada e julgada em questão de minutos, e nem sempre a favor da marca.

Provocar sempre fez parte da estratégia

Historicamente, as campanhas de jeans sempre exploraram a polêmica como ferramenta de impacto. Em 1979, a Ellus colocou modelos trocando de roupa embaixo d’água ao som de Rita Lee. Na década seguinte, Brooke Shields, para a Calvin Klein, insinuou estar sem calcinha ao declarar: “Não existe nada entre mim e o meu Calvin”. A Levi’s quebrou padrões com o comercial “Laundrette”, em que um homem se despia numa lavanderia ao som de Marvin Gaye. A Guess levou a sensualidade ao limite com Anna Nicole Smith.


Comercial de jeans Calvin Klein de 1980 com Brooke Shields (Vídeo: reprodução/Archive.org)


Nos anos 90 e 2000, a Diesel transformou a publicidade em manifesto, misturando beijos homoafetivos, críticas sutis ao consumismo e uma estética tão comentada quanto questionada. Essas campanhas funcionavam porque, naquele contexto, a narrativa era controlada pela marca e a repercussão dependia muito mais da mídia tradicional.

Do controle ao risco

Hoje, a rebeldia ainda é parte do apelo do jeans, mas o jogo de forças é outro. As redes sociais criaram uma arena em que qualquer frase, imagem ou insinuação é imediatamente decodificada, remixada e redistribuída por milhões de pessoas. Nesse cenário, a intenção original perde importância, o que importa é como a mensagem é percebida.

O caso da American Eagle é um lembrete de que a linha entre provocar e ofender nunca foi tão fina. E se, no passado, o choque pelo choque rendia manchetes e vendas, agora pode render boicotes e danos duradouros à imagem.

O jeans continua sendo sinônimo de juventude e contestação, mas para permanecer relevante, talvez seja hora de as marcas aprenderem que, em tempos de narrativas coletivas, provocar exige mais do que ousadia, exige consciência.