“Haverá um inferno”, diz Donald Trump caso os reféns sejam mantidos em Gaza

O presidente Donald Trump, na data de ontem, quarta-feira (05), utilizou suas redes sociais para enviar um recado ao Hamas, quebrando um protocolo antigo de Washington de não negociar com grupos considerados terroristas pelos EUA. Trump inicia a mensagem informando que trata-se de um  “Olá ou um Adeus”, a depender das atitudes que o grupo islâmico terá daqui por diante. A postagem do presidente estadunidense é referente a situação dos reféns mantidos em Gaza e sua libertação.

Trump informa, ainda, que “um belo futuro aguarda Gaza”, porém caso o grupo Hamas não liberte os reféns, “haverá um inferno para pagar mais tarde” e que “está enviando a Israel tudo o que precisar para terminar o trabalho”. 

Segundo informações das Forças de Defesa de Israel, ao todo são 59 pessoas mantidas em cativeiro, das quais 35 estariam mortas. Cinco desses reféns são israelenses com cidadania americana. O Mossad, inteligência israelense, tem motivos para acreditar que 22 reféns ainda estão vivos e que o paradeiro de outras duas pessoas é desconhecido


Postagem do presidente Donald Trump para o Hamas (Foto: Reprodução/ Instagram/ @potus)


Contato direto entre EUA e Hamas 

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, não confirmou o contato entre EUA e Hamas, porém, em entrevista informou que Adam Boehler, um enviado especial dos EUA para assuntos estratégicos “tem autoridade para falar com qualquer um”. O que vai de encontro com informações publicadas pelo site Axio de que o governo de Donald Trump tem mantido conversas secretas com o grupo islâmico para a libertação dos reféns americanos em Gaza. 


Karoline Leavitt – porta-voz da Casa Branca (Foto: Reprodução/ Andrew Harnik/ Getty Images embed)


O gabinete do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu disse estar a par das negociações e que Israel “expressou a sua opinião sobre a questão das negociações com o Hamas”. Os EUA, também,  confirmaram que Israel foi consultado.

A atitude do governo americano, em Relações Internacionais, é chamada de “Diplomacia Secreta”. Utilizada para resolver conflitos e negociações sensíveis. Acontecem sem que o grande público ou até mesmo outros governos tenham ciência disso. No caso das reuniões entre EUA e Hamas, estas teriam acontecido em Doha, no Catar, nas últimas semanas. 

Um dirigente do grupo Hamas, em condição de anonimato, também confirmou o contato e que a comunicação foi feita por diferentes canais. 

Outro enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, viajaria esta semana para se encontrar com o Primeiro-Ministro do Catar e continuar com as tratativas para a libertação dos reféns em Gaza. No entanto, a reunião foi cancelada pois, segundo informações, não houve avanço nas negociações por para do Hamas.

Israel  e a suspensão de ajuda para Gaza

No último domingo (02), o governo de Israel informou que suspendeu toda ajuda humanitária para Gaza com fechamento de fronteiras. Contudo, as autoridades israelenses pontuaram que os suprimentos enviados a Gaza nos últimos meses são suficientes para um período de quatro a seis meses. 


Discurso do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu suspendendo a ajuda humanitária em Gaza ( Vídeo: reprodução/ X/ @netanyahu)

A decisão da suspensão ocorreu após o grupo Hamas rejeitar a proposta de libertação de reféns, estendendo o cessar-fogo, apresentado pelos EUA. 

Por outro lado, o grupo Hamas disse que a proposta é uma forma de “evitar a implementação do acordo de reféns e cessar-fogo e negociar a segunda fase”. O grupo informa, ainda, que interromper a ajuda humanitária é “chantagem e crime de guerra”. Sendo uma violação do acordo anterior.

“Horror e repulsa”: Ex-presidente da polônia escreve carta aberta a Donald Trump após discussão

O ex-presidente da Polônia e líder sindical, Lech Walesa, que exerceu papel de líder durante a derrubada do comunismo no país, publicou em seu facebook nessa segunda-feira (3) uma carta ao presidente Donald Trump. A carta, que foi assinada por 39 ex-prisioneiros políticos poloneses, expressa “horror e repulsa” pela discussão do americano com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. O desentendimento ocorreu no Salão Oval da Casa Branca, em Washington D.C, na sexta-feira (28).


Volodymyr Zelensky e Donald Trump (Foto: reprodução/Doug Mills/The New York Times)

Discussão na Casa Branca

Em reunião transmitida ao vivo na sexta-feira (28), Donald Trump acusou Zelensky de ser desrespeitoso com os Estados Unidos, ingrato pelo auxílio que recebeu do país, além de arriscar a Terceira Guerra Mundial. A fala deixou dúvidas sobre a continuidade do apoio de Washington à Ucrânia na guerra contra a Rússia que completou três anos em fevereiro.

Na carta escrita por Lech Walesa, o ex-presidente diz considerar as expectativas de Trump em relação a demonstração de respeito e gratidão pelo auxílio dos Estados Unidos durante a invasão russa “ofensiva”. “Gratidão é devida aos heróicos soldados ucranianos que derramaram sangue em defesa dos valores do mundo livre”, diz na carta.


Ex-presidente da Polônia Lech Walesa (Foto: reprodução/Czarek Sokolowski/AP/Euronews)

Durante a reunião no salão oval, Trump e o vice-presidente JD Vance atacaram Zelensky e levaram a relação dos Estados Unidos, que é o aliado mais importante da Ucrânia durante a guerra, a uma decadência histórica. Segundo uma autoridade dos EUA, o ucraniano foi instruído a deixar a Casa Branca.

Na carta de Walesa, o ex-presidente também comentou sobre a atmosfera da Sala Oval “Nos lembrou os interrogatórios da Segurança do Estado e os tribunais comunistas que bem conhecemos.”

Além disso, Walesa pediu aos EUA que cumpram as garantias de segurança dadas à Ucrânia após a dissolução da União Soviética em 1994 “Essas garantias são incondicionais: não há uma palavra sobre tratar tal ajuda como troca econômica”, diz o documento.

O presidente da Polônia, Andrzej Duda disse no sábado (1) que Zelensky deveria continuar a negociar com os Estados Unidos.

A carta na íntegra

“Excelentíssimo Senhor Presidente,

Assistimos com horror e repulsa à sua conversa com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Consideramos ofensivas as suas expectativas quanto à demonstração de respeito e gratidão pela ajuda material fornecida pelos Estados Unidos à Ucrânia, que luta contra a Rússia. A gratidão pertence aos heroicos soldados ucranianos que derramam seu sangue na defesa dos valores do mundo livre. São eles que, há mais de 11 anos, morrem na linha de frente em nome desses valores e da independência de sua pátria, atacada pela Rússia de Putin.

Não compreendemos como o líder de um país que simboliza o mundo livre pode não enxergar isso.O que também nos chocou foi a atmosfera na Sala Oval durante essa conversa, que nos lembrou os interrogatórios da Segurança do Estado e os tribunais comunistas que bem conhecemos. Promotores e juízes, a serviço da onipotente polícia política comunista, também nos diziam que tinham todas as cartas na mão, enquanto nós não tínhamos nenhuma. Exigiam que cessássemos nossas atividades, argumentando que, por nossa causa, milhares de inocentes estavam sofrendo. Retiraram-nos a liberdade e os direitos civis porque nos recusamos a cooperar com o regime e a expressar gratidão a ele. Estamos estarrecidos ao ver que o senhor tratou o Presidente Volodymyr Zelensky da mesma forma.

A história do século 20 mostra que, sempre que os Estados Unidos tentaram manter distância dos valores democráticos e de seus aliados europeus, isso acabou se tornando uma ameaça para os próprios EUA. O Presidente Woodrow Wilson compreendeu isso quando decidiu que os Estados Unidos deveriam ingressar na Primeira Guerra Mundial, em 1917. O Presidente Franklin Delano Roosevelt também entendeu essa lição quando, após o ataque a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, decidiu que a guerra em defesa da América deveria ser travada não apenas no Pacífico, mas também na Europa, em aliança com os países atacados pelo Terceiro Reich.Recordamos que, sem o Presidente Ronald Reagan e o comprometimento financeiro dos Estados Unidos, não teria sido possível desmantelar o império da União Soviética. Reagan tinha plena consciência de que milhões de pessoas sofriam sob o jugo da Rússia soviética e de seus estados subjugados, incluindo milhares de prisioneiros políticos, que pagavam com sua liberdade pelo compromisso com os valores democráticos. Sua grandeza estava, entre outras coisas, no fato de não hesitar em chamar a URSS de “Império do Mal” e em travar uma luta decisiva contra ela. Vencemos, e hoje uma estátua do Presidente Ronald Reagan ergue-se em Varsóvia, em frente à Embaixada dos EUA.

Senhor Presidente, ajuda material — militar e financeira — não pode ser comparada ao sangue derramado pela independência e liberdade da Ucrânia, da Europa e de todo o mundo livre. A vida humana é inestimável, seu valor não pode ser medido em dinheiro. A gratidão pertence àqueles que fazem o sacrifício de sua liberdade e sangue. Para nós, membros do movimento Solidariedade e ex-prisioneiros políticos do regime comunista servil à Rússia soviética, isso é evidente.

Apelamos para que os Estados Unidos cumpram as garantias que fizeram, juntamente com o Reino Unido, no Memorando de Budapeste de 1994, no qual se comprometeram expressamente a defender a integridade territorial da Ucrânia em troca da entrega de seu arsenal nuclear. Essas garantias são incondicionais: não há qualquer cláusula que estabeleça a ajuda como um acordo comercial.”

A embaixada dos Estados Unidos em Varsóvia informou que perguntas sobre a carta deveriam ser feitas à assessoria de imprensa da Casa Branca, que não comentou sobre a carta em pedido via e-mail.

Lula comenta embate entre Trump e Zelensky

Em meio a uma viagem ao Uruguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a discussão entre o presidente dos EUA, Donald Trump, seu vice, James David Vance, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. De acordo com Lula, Zelensky teria sido humilhado por Trump.

“Não sou diplomata, mas acho que, desde que o planeta Terra foi criado, desde que a diplomacia foi criada, não se via uma cena tão grotesca, tão desrespeitosa como aquela que aconteceu no Salão Oval da Casa Branca”, declarou Lula.

Mais uma vez, Lula reforçou a importância do diálogo para um tratado de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, que já se estende há três anos.

“Não há paz se não houver participação dos dois presidentes que estão em conflito. O que é preciso é tomar uma decisão correta se o mundo quer paz. Acho que o mundo precisa de paz”, ressaltou o presidente.

Zelensky e Donald Trump

Na última sexta-feira, 28 de fevereiro, o presidente ucraniano teria ido a Washington para assinar um acordo sobre a exploração de terras raras, que daria aos Estados Unidos parte desses recursos. A negociação é considerada pelos EUA como uma contrapartida ao suporte financeiro e militar de bilhões de dólares destinados à Ucrânia.

No entanto, após o bate-boca, perante as câmeras, entre os presidentes, ficou definitiva a separação entre Washington e Kiev. Donald Trump teria acusado Zelensky de estar “jogando com a Terceira Guerra Mundial” ao não colaborar com um acordo de paz com a Rússia. Zelensky desmentiu a acusação, porém Trump afirmou que ele estava sendo ingrato e desrespeitoso com os EUA.

O presidente ucraniano teria sido orientado a se retirar da Casa Branca.


Discussão de Zelensky e Trump na íntegra (Vídeo: reprodução / YouTube / @MetrópolesTV)


Rússia e Ucrânia

A guerra entre os dois países completou, no último mês, três anos. Segundo a ONU, mais de 12.000 civis foram mortos na Ucrânia desde o início do conflito, e 10 milhões de ucranianos estão deslocados de forma forçada, sendo 3,7 milhões deslocados internos e 6,8 milhões refugiados em países como Polônia, Alemanha, República Tcheca, Itália, Espanha e Reino Unido.


Lideranças do Ocidente reafirmam apoio à Ucrânia e a Zelensky

Uma reunião acalorada no Salão Oval da Casa Branca nexta sexta-feira (28) entre Volodymyr Zelensky, Donald Trump e J.D. Vance, provocou a reação imediata de autoridades do Ocidente em favor do presidente ucraniano e seu país. A Ucrânia sofre graves consequências de uma guerra contra a Rússia desde 24 de fevereiro de 2022. 

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que existe um agressor nesta guerra, que é a Rússia, e um povo sendo atacado, que é o ucraniano. Macron constatou terem tomado uma decisão acertada ao defender a Ucrânia desde o início do conflito, bem como ao sancionar o país russo. Por isso, devem continuar a fazê-lo. Agradeceu aos países que têm oferecido apoio ao país atacado e fez questão de citar os Estados Unidos, o Canadá e o Japão. Em seguida, reforçou que é preciso respeitar aqueles que estão lutando por sua dignidade, independência, filhos e pela segurança de toda a Europa. 

Autoridades internacionais apoiam ucranianos publicamente

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou Zelensky por sua dignidade e o encorajou a continuar sendo forte, corajoso e destemido. A líder afirmou que a Europa continuará trabalhando para que a paz se estabeleça de forma justa e duradoura. 

“Você não está sozinho, querido presidente.”

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia

Seguindo o exemplo da líder europeia, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, declarou que o governo canadense permanecerá ao lado da Ucrânia e seus cidadãos na conquista pela paz. Trudeau fez uma postagem na rede social X (ex-Twitter) e destacou a coragem e resiliência daquele povo em sua luta por democracia, liberdade e soberania, em uma luta que importa a todos.


Primeiro-ministro canadense define invasão da Rússia à Ucrânia como ilegal e injustificável (Foto: Reprodução/X/@JustinTrudeau)

Analistas geopolíticos ficam chocados

O encontro entre Zelensky e o governo americano causou consternação e surpresa, por fugir das práticas diplomáticas amigáveis adotadas pelos governos ao redor do mundo até hoje. O analista geopolítico da Globo News, Guga Chacha, confessou estar em choque e disse: “Isso nunca ocorreu. Eles, literalmente, brigaram. O Trump e o Zelensky brigaram. O Trump tratando o Zelensky como inimigo, um criminoso.” O professor da Fundação Getúlio Vargas e colunista do Estadão, Oliver Stuenkel, chamou a atenção para a necessidade da Europa dar suporte militar à Ucrânia de maneira imediata e rápida, transformando o apoio público em ajuda concreta para garantir a sobrevivência do país. 


Legendado: veja íntegra da discussão entre Donald Trump, Volodymyr Zelensky e J.D. Vance (Vídeo: Reprodução/YouTube/Metrópoles)

De acordo com a rede de notícias Reuters, o chanceler alemão Olaf Scholz viarajá para Londres no próximo domingo (2) para participar de um encontro de líderes da União Europeia para discutir a resposta que será dada à pressão de Donald Trump sobre a situação na Ucrânia. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, receberá líderes da Itália, Polônia e outros aliados, e possivelmente Volodymyr Zelensky também, para conversar sobre os gastos de defesa e segurança da região. 

Donald Trump corta fala de Premiê britânico Keir Starmer em pergunta sobre anexo do Canadá

O presidente americano, Donald Trump, interrompeu a fala do premiê do Reino Unido, Keir Starmer, durante coletiva de imprensa na Casa Branca, nesta quinta-feira (27). Starmer foi questionado sobre uma possível agregação do Canadá aos Estados Unidos.

No contexto da participação do Canadá na “Commonwealth”, que é uma organização de países e ex-colônias que possuem laços históricos com o Reino Unido, Starmer tentou se esquivar da pergunta e insinuou que o jornalista tentou criar uma diferença entre os dois líderes. “Eu acho que você está tentando encontrar uma divergência entre nós que não existe. Somos as nações mais próximas e tivemos ótimas discussões hoje, mas não falamos sobre o Canadá”, afirmou. Starmer, que é de partido de centro-esquerda, já afirmou anteriormente que trabalha de forma diferente de Trump

Em seguida, o presidente americano interrompeu a fala do premiê “Já basta, obrigado”. A Casa Branca afirmou que o presidente não teve a intenção de cortar a fala de Keir Starmer, que ficou visivelmente constrangido, e sim a repórter.


Keir Starmer e Trump (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Carl Court)


O anexo do Canadá

No começo de janeiro, Trump sugeriu o anexo do país aos Estados Unidos. O presidente afirmou que poderia usar “pressão econômica” para que o vizinho se se torna o 51º estado norte-americano.

Em fevereiro, o americano defendeu nas redes sociais novamente a ideia e afirmou que os EUA pagam bilhões de dólares para subsidiar o Canadá “Sem esse subsídio massivo, o Canadá deixa de existir como um país viável. É duro, mas verdade! Portanto, o Canadá deveria se tornar nosso estimado 51º estado. Impostos muito mais baixos, e proteção militar muito melhor para o povo canadense“, publicou.

Resposta canadense

As declarações de Trump ocasionaram em diversas reações negativas no Canadá. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, rejeitou fortemente a ideia do país virar parte dos EUA “nunca, jamais“. Trudeau ainda afirmou que seria mais fácil “uma bola de neve não derreter no inferno”.


Primeiro-ministro Justin Trudeau (Foto: reprodução/Manuel Balce Ceneta/AP)

Mais recentemente, a cantora Chantal Kreviazuk mudou a letra do hino canadense durante performance em um jogo de hóquei. “True patriot love in all of us command” (“Amor patriótico verdadeiro que comanda a todos nós”, em português), para “True patriot love that only us command” (“Amor patriótico verdadeiro que apenas nós comandamos”). A partida, era o jogo final do campeonato “4 Nations Face-Off” e foi uma disputa entre os Estados Unidos e o Canadá em que os canadenses derrotaram os americanos por 3 a 2.

Casa Branca nega o acesso de repórteres à reunião do gabinete de Trump

Nesta quarta-feira (26), o governo impediu que jornalistas da Reuters e de outros veículos de imprensa fizessem a cobertura da primeira reunião do gabinete de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A decisão está em conformidade com a nova política do governo a respeito da cobertura midiática.

Restrições à imprensa

Equipes das emissoras Newsmax e ABC e correspondentes da Bloomberg News, Axios e NPR tiveram autorização para cobrir o evento. Enquanto repórteres da Reuters, do HuffPost, da Associated Press e do jornal alemão Der Tagesspiegel tiveram seu acesso negado.

Essa medida está alinhada com a nova diretriz do governo sobre a cobertura da mídia. Na última terça-feira (25), o governo Trump declarou que a Casa Branca passaria a definir quais veículos de comunicação poderiam participar da cobertura diária do presidente em locais menores, como o Salão Oval.

Anteriormente, o acesso direto ao presidente dos Estados Unidos era organizado por um sistema de rodízio entre os meios de comunicação, sob a coordenação da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA).

Esse sistema permitia que jornalistas de TV, rádio e agências de notícias, imprensa se revezassem na cobertura dos eventos, compartilhando suas informações com o restante da mídia.


Donald Trump em primeira reunião de gabinete (Foto: reprodução/Jim Watson/AFP)

Na quarta-feira (26), AP, Bloomberg e Reuters, as três agências de notícias que eram integrantes permanentes da cobertura, divulgaram uma nota em resposta à nova medida.

“As agências trabalharam por muito tempo para garantir que informações precisas, justas e oportunas sobre a presidência sejam comunicadas a um público amplo e de todas as orientações políticas, tanto nos EUA quanto globalmente. É essencial, em uma democracia, que o público tenha acesso a informações sobre seu governo por meio de uma imprensa independente e livre.”

O HuffPost considerou a política como uma violação do direito da Primeira Emenda à liberdade de imprensa. Até o momento, o jornal Der Tagesspiegel ainda não se manifestou.

A medida segue a decisão do governo Trump de impedir o acesso da Associated Press porque ela se recusou a se referir ao golfo do México como golfo da América.

Posicionamento da Casa Branca

A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que, ao selecionar os veículos para a cobertura diária, o governo Trump busca abrir espaço para novos meios de comunicação, com o objetivo de “devolver o poder ao povo americano”.

Leavitt também destacou que as principais redes de TV, além dos jornalistas da mídia impressa e rádio, se manterão como membros rotativos na cobertura da Casa Branca, com a inclusão novos veículos e serviços de streaming.

Alexandre de Moraes pode ser impedido de entrar nos EUA se projeto virar Lei

Na última quarta-feira (26), o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA aprovou um projeto baseado na primeira emenda da constituição americana voltada para a liberdade de expressão. A proposta “Sem Censores em Nosso Território” foi apresentada pelos deputados republicanos Darrell Issa e María Elvira Salazar.

Caso seja aprovada, também, pelo plenário da Câmara, pelo Senado dos EUA e receba sanção do presidente Donald Trump, entrará em vigor. Com isso, o ministro Alexandre de Moraes pode ser impedido ou até deportado dos EUA caso viaje ao país. 

O projeto prevê a proibição da entrada e deportação de autoridades estrangeiras que violem as normas estabelecidas pela legislação dos EUA. No caso do Ministro Alexandre de Moraes, os autores do projeto entenderam que ele violou as leis estadunidense quando ordenou que a rede social “X”, de Elon Musk, suspendesse mais de 150 contas da rede social, inclusive de jornalistas, sob a punição de multas elevadas. E, também, quando ordenou a suspensão da “Rumble” no Brasil, uma rede de compartilhamento de vídeos.

De acordo com  os defensores do projeto, as medidas adotadas por Moraes configuram censura, colocam em risco a liberdade de expressão e atentam contra a soberania dos EUA. 

Manifestações nas redes sociais 

O Comitê do Judiciário da Câmara dos EUA publicou em sua conta oficial na rede social “X” uma mensagem de aviso às autoridades que agem como “silenciadores dos americanos”. Informando que: “não deveriam poder voltar e visitar suas confortáveis ​​casas de férias”.  Além de, na mesma postagem, explicar os motivos para a elaboração e aprovação do projeto.


Postagem do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA (Foto: reprodução/X/@JudiciaryGOP)

As postagens foram imediatamente compartilhados por um dos autores do projeto, o deputado Darrell Issa com a seguinte observação: “ Nós apenas começamos a lutar.”


Postagem do deputado Darrell Issa (Foto: reprodução/X/@repdarrellissa)

Em contrapartida a  hashtag “apoiamosalexandredemoraes”, na manhã desta quinta-feira (27), entrou para os “trending topics” da mesma rede social como um dos assuntos mais comentados até o momento. 

Sem menção a Alexandre de Moraes no projeto 

Não há menção ao nome do Ministro do STF, Alexandre de Moraes, no projeto que pode virar Lei nos EUA e barrar sua entrada no país. Contudo, uma das autoras, a deputada Maria Elvira Salazar, informou que foi levado em conta as decisões tomadas pelo STF no Brasil para sua elaboração. 

Até a manhã desta quinta-feira (27), Moraes não se manifestou sobre o assunto.

Rússia recusa tropas europeias na Ucrânia e reforça postura contra interferência ocidental

O aviso foi feito nesta terça-feira (25), pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, fazendo com que a possibilidade de interferência externa no conflito aumentasse. A polêmica foi causada pela declaração de Donald Trump de que tanto ele, como Vladimir Putin, concordariam em relação à tropas de paz na Ucrânia, desde que um acordo de paz para o fim da guerra fosse assinado.

“Sim, ele aceita isso. Perguntei diretamente a ele e ele não tem problemas com isso”, disse Trump a jornalistas.

Peskov, porém, não se opôs ao presidente norte-americano, mas frisou que a posição da Rússia não se alterou. “Há uma posição sobre esse assunto que foi expresso pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Lavrov. Não tenho nada a acrescentar a isso e nada a comentar. Deixo isso sem comentários”, disse o porta-voz.


Presidente Trump assina ordens executivas em Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida (Foto: reprodução/Joe Raedle/Getty Images Embed)


Moscou considera a presença da Otan uma provocação 

Para Moscou, qualquer presença militar ocidental na Ucrânia é considerada uma provocação aberta. Na semana passada, Lavrov advertiu que qualquer envio de tropas estrangeiras, mesmo sob bandeira neutra, seria considerada “uma ameaça direta” à soberania russa.

Os russos temem que eventual entrada de tropas europeias ou tropas de aliados dos Estados Unidos aumentem ainda mais a conflagração, arrastando a guerra para um confronto direto com o atlântico norte, que Moscou tenta evitar a todo custo.

Caminho para a paz ainda parece distante

A guerra na Ucrânia já dura mais de dois anos, e as tentativas de paz seguem emedadas em interesses políticos e estratégicos.

Enquanto os países ocidentais pressionam por negociações diplomáticas e fornecer apoio militar à Ucrânia, a Rússia se apoia na afirmação de que qualquer solução precisa respeitar suas condições.

Segundo especialistas, as declarações de Trump e a resposta russa mostram que um cessar-fogo continua muito distante de se tornar uma realidade.

O mundo, portanto, continua atento e espera por novos desdobramentos que levem a afirmações mais convincentes, além daquelas que sempre foram colocadas como betoneira em busca de um caminho para a paz.

STF reage a ataques e cobra resposta diplomática à ofensiva de Musk e aliados de Trump

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão preocupados. Para eles, os recentes ataques de Elon Musk e de apoiadores de Donald Trump contra Alexandre de Moraes não são apenas ataques individuais, mas sim uma tentativa de enfraquecer a instituição como um todo. Diante disso, eles passaram a defender uma resposta mais firme do governo brasileiro, para deixar claro que a relação entre Brasil e Estados Unidos precisa ser baseada no respeito mútuo.

O Supremo na mira

A tensão é grande dentro do STF. Um ministro da Primeira Turma, grupo do qual Moraes faz parte, explica que a ofensiva contra o ministro faz parte de um plano maior para enfraquecer o Judiciário brasileiro.

Para esses magistrados, não dá para ficar só assistindo. É preciso reagir com inteligência, usando os meios institucionais disponíveis. A ideia é que o Brasil mostre ao mundo que respeita suas instituições e espera o mesmo dos Estados Unidos.


Supremo Tribunal Federal (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)


Acusações sem provas e pressão política

Musk, que tem boas conexões com aliados de Trump, usou sua rede social para espalhar informações de um perfil anônimo sobre supostas retiradas de investimentos de Moraes nos Estados Unidos.

Nada foi comprovado, mas isso não impediu que grupos conservadores no Congresso Americano tentassem barrar a entrada do ministro no país.

Os ministros do STF acreditam que esse movimento não pode ser ignorado. Nos bastidores, o Itamaraty já trabalha para reforçar a imagem da Corte como um pilar da democracia brasileira.

Desde novembro de 2024, diplomatas brasileiros têm conversado com políticos e influenciadores nos Estados Unidos para garantir que o STF seja compreendido e respeitado.


Elon Musk e Donald Trump em Butler, Pensilvânia (Foto: reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images Embed)


A necessidade de uma resposta oficial

A situação é delicada. Qualquer reação pode ser interpretada como uma tentativa de politizar ainda mais a crise. Mesmo assim, ministros do STF defendem que o governo brasileiro deve agir.

A estratégia passa por reforçar os laços entre Brasil e Estados Unidos em diversas áreas, principalmente na Justiça e na segurança. Os dois países possuem acordos importantes nesse campo, e os ministros querem garantir que essa parceria continue baseada no respeito às instituições.

O grande temor dentro do STF é que essa crise comprometa a autonomia do Judiciário e cause instabilidade institucional no Brasil.

Trump promete que a venda do TikTok será lucrativa para China

Em declaração nesta quinta-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou confiança de que Xi jinping, presidente da China, permitirá a venda do TikTok, de propriedade da Bytedance, pois considera que isso gerará lucros para o país.

TikTok Vs. Estados Unidos

A batalha entre a empresa chinesa e o governo norte-americano se arrasta desde 2020, quando o então presidente, Donald Trump, ameaçou proibir o aplicativo nos EUA.

Na época, ele alegava que a rede social poderia ser usada pela inteligência chinesa para coletar dados dos usuários, uma acusação que persiste até hoje, apesar de já ter sido desmentida pelo CEO do TikTok, Shou Zi Chew.

Segundo ele, o governo, chines nunca solicitou informações dos norte-americano e, se isso acontecesse, ele recusaria.

Apesar da falta de provas, Trump só revogou a lei que bania o aplicativo do país sob a condição de que 50% do TikTok fosse vendido para uma empresa americana.


Logotipo do TikTok aparece na tela de um smartphone em Reno, Estados Unidos, em 14 de dezembro de 2024 (Foto: reprodução/Jaque Silva/AFP/Getty Images Embed)

A proibição

No dia 23 de abril de 2024, o senado dos Estados Unidos aprovou uma lei determinando que o aplicativo fosse vendido para um proprietário dos EUA ou para países aliados.

Caso contrario, ele seria banido do território norte-americano. A empresa tentou recorrer a suprema corte, mas o pedido foi recusado em 17 de janeiro de 2025, poucos dias antes para o prazo final para o app sair do ar.

A rede social chegou a ficar desativada para os usuários americanos, mas, com a posse do novo presidente, a proibição foi suspensa temporariamente. No entanto, um prazo de 90 dias foi estabelecido para que o TikTok encontrasse um comprador, caso contrario, a plataforma voltaria ser banida do país.