Donald Trump afirma que EUA e China se encontrarão para discutir acordo comercial

O presidente americano Donald Trump afirmou que autoridades dos Estados Unidos e da China se reunirão em Londres. O objetivo do encontro é discutir um novo acordo comercial entre os países. A reunião acontecerá na segunda-feira (9).

De acordo com Trump, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, e o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer participarão do encontro.


Trump anuncia reunião e participantes que estarão presentes (Foto: Reprodução/Truth Social/@realDonaldTrump)

A reunião deverá ocorrer com grande sucesso.”, afirmou o presidente em postagem no Truth Social nesta sexta-feira (6)

Conversa de Trump e Jinping

A declaração foi feita no dia seguinte da conversa entre o republicano e o presidente da China, Xi Jinping, sobre o tarifaço. Trump declarou que os dois resolveram as “complexidades” do acordo comercial sobre as tarifas de importação e afirmou que a conversa teve um desfecho positivo para os dois países.


Donald Trump e Xi Jinping (Foto: reprodução/G1)

Nesta quinta-feira (5), o americano falou que as negociações entre os países continuam e estão em “boa forma“. O presidente chinês disse que o país cumpriu o acordo definido em Genebra com seriedade e sinceridade.

Ele ainda destacou que “diálogo e cooperação são a única escolha correta para a China e os Estados Unidos”. Xi Jinping ainda reforçou que os dois países devem buscar uma solução que os beneficie mutuamente, respeite as preocupações dos dois lados e mantenha a relação de igualdade.

Negociações após o “tarifaço”

Desde o anúncio em abril do “tarifaço”, Trump mantém um cabo de Guerra com Pequim. O pacote de tarifas impactou vários países, principalmente a China.

Os dois países definiram um trato temporário no dia 12 de maio em que ficou definida uma redução das tarifas por um período de 90 dias. A oficialização do acordo aconteceu em um encontro entre as delegações em Genebra, na Suíça.

Desde então, os países encontraram empecilhos para chegar a um consenso nas negociações. No dia 30 de maio, por exemplo, Trump afirmou que a China violou o acordo. O Ministério do Comércio da China respondeu e disse que as acusações eram “infundadas”. O órgão ainda afirmou que o país tomaria medidas para proteger seus interesses.

Na segunda-feira (2), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente americano pretendia conversar com o chinês a fim de resolver os impasses nos acordos. Na quarta-feira (4) Trump postou em seu perfil no Truth Social que gostava de Xi Jinping, mas que negociar com o presidente era “muito difícil”.

Bolsonaro admite envio de R$ 2 milhões ao filho e confirma reunião com conselheiro de Trump nos EUA

Durante depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (5), o ex-presidente Jair Bolsonaro admitiu ter se reunido com Ricardo Pita, um conselheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ligado aos assuntos do Hemisfério Ocidental. Apesar de confirmar o encontro, Bolsonaro preferiu não revelar o conteúdo da conversa, dizendo apenas que foi um diálogo reservado.

A oitiva faz parte da investigação que apura possíveis tentativas de atrapalhar o andamento de processos judiciais no Brasil, especialmente com foco na atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, em território norte-americano. A suspeita é de que Eduardo possa ter buscado apoio externo contra decisões de autoridades brasileiras, o que pode configurar obstrução de Justiça ou coação.

Bolsonaro se desvincula das ações do filho

Ao ser questionado sobre o papel do filho, Bolsonaro tentou se afastar de qualquer responsabilidade pelas atitudes de Eduardo. Segundo ele, o deputado age de forma independente e não compartilha detalhes sobre com quem se reúne nos Estados Unidos. Bolsonaro também negou que o filho esteja tentando interferir nas investigações que envolvem a tentativa de golpe de Estado.

Veja o vídeo da entrevista:


Bolsonaro diz ter enviado R$ 2 milhões ao filho Eduardo via PIX e afirma que o valor tem origem legal (Vídeo: Reprodução/YouTube/@BrasilUrgente)


Durante o depoimento, o ex-presidente reforçou que nunca procurou representantes americanos para discutir possíveis punições a autoridades brasileiras, como membros do Supremo Tribunal Federal, da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República. Ele afirmou, ainda, acreditar que os Estados Unidos não tomariam nenhuma atitude com base em pressões de terceiros.

Ajuda financeira veio de doações

Outro ponto abordado pelos investigadores foi o envio de dinheiro para Eduardo Bolsonaro se manter nos EUA. Bolsonaro explicou que transferiu R$ 2 milhões via PIX, no dia 13 de maio. Esse valor teria vindo de uma arrecadação online organizada em 2023, que somou cerca de R$ 17 milhões, com doações de apoiadores.

Além disso, Bolsonaro relatou que conversou com o ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, sobre os gastos que estava tendo com o filho. Após essa conversa, Machado teria iniciado uma nova campanha para levantar mais recursos, sem que Bolsonaro soubesse, arrecadando aproximadamente R$ 1 milhão.

Segundo o ex-presidente, ele mesmo cuida do dinheiro dessas arrecadações e afirmou que tanto ele quanto sua esposa, Michelle Bolsonaro, recebem salário do Partido Liberal (PL), o que complementaria a renda da família.

Bolsonaro disse, ainda, que gostaria que o filho retornasse ao Brasil, mas que Eduardo decidiu permanecer fora do país após parlamentares do PT pedirem que seu passaporte fosse apreendido. A demora na decisão causou insegurança e acabou influenciando a escolha de permanecer no exterior por mais tempo.

Bolsonaro justifica envio de R$ 2 milhões para Eduardo nos EUA: “para não passar dificuldade”

Nesta quinta-feira (5), Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal sobre a investigação envolvendo seu filho Eduardo nos Estados Unidos. Após o interrogatório, o ex-presidente afirmou à imprensa que enviou R$ 2 milhões para Eduardo cobrir despesas no país. O ex-presidente justificou a transferência dizendo que queria evitar que o filho enfrentasse dificuldades financeiras.

Segundo Bolsonaro, não se trata de apoio a qualquer ato ilegal, e que o filho teria pedido sua ajuda financeira para sustentar sua família, composta pela esposa, uma filha de quatro anos e um filho de um ano. “Ajudei, botei um dinheiro na conta dele, bastante até. E ele está levando a vida dele. Dinheiro limpo, legal, Pix. Botei R$ 2 milhões na conta dele, porque lá fora é tudo mais caro, tenho dois netos. Não quero que passe dificuldade”, explicou Bolsonaro.


Jair Bolsonaro admite ter enviado dinheiro ao filho, Eduardo, que mora nos EUA (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

Deputado é alvo de investigações no Brasil

Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enfrenta investigações que apuram possíveis crimes como coação no curso do processo, obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A pedido da PGR, a investigação foi aberta em maio. A alegação é que Eduardo tenta intimidar autoridades responsáveis por processos contra o pai, Jair Bolsonaro, e seus aliados.

Além disso, o filho do ex-presidente tem afirmado publicamente que busca junto ao governo norte-americano a imposição de sanções contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. Segundo ele, há uma perseguição política contra sua família no Brasil.

Eduardo Bolsonaro se afasta do cargo de deputado

O deputado federal por São Paulo anunciou, em março deste ano, que iria se licenciar do cargo e permanecer nos Estados Unidos com a família. Eduardo argumentou que enfrenta perseguição política e que sua volta ao país poderia resultar em medidas judiciais. Entretanto, para justificar sua permanência no exterior, ele busca apoio de autoridades americanas e defende sanções contra membros do STF, alegando que há abusos no sistema judicial brasileiro.

Além disso, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçam a narrativa de que Eduardo sofre riscos caso volte ao Brasil. Enquanto isso, ele tenta viabilizar uma forma de exercer seu mandato remotamente, algo que não está previsto no regimento da Câmara dos Deputados.

Bolsonaro presta depoimento à PF sobre pressão de Eduardo nos EUA contra STF

A Polícia Federal ouve nesta quinta (5) o ex-presidente Jair Bolsonaro em uma apuração que envolve seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro. O inquérito investiga se Eduardo articulou, nos Estados Unidos, ações contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com possível apoio direto do pai.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) quer esclarecer se Bolsonaro incentivou as tentativas do filho de influenciar autoridades norte-americanas. Em especial, aliados de Donald Trump, para que adotassem sanções contra o STF. Bolsonaro chegou a afirmar publicamente que ajudaria a bancar a permanência de Eduardo no exterior.

Pressão internacional e possível obstrução

Eduardo Bolsonaro está nos EUA desde fevereiro após anunciar licença do mandato. Segundo a PGR, ele passou a fazer declarações públicas atacando o STF e, em especial, o ministro Alexandre de Moraes. Em entrevistas e redes sociais, o filho do ex-presidente pediu abertamente que o governo norte-americano adotasse medidas punitivas contra ministros da Corte brasileira.


Bolsonaro presta depoimento à PF. (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)

A Procuradoria aponta que essas ações podem configurar crimes como coação no curso do processo, tentativa de abolição do Estado de Direito e obstrução de investigações sobre organização criminosa.

Depoimentos buscam rastrear articulações políticas

Além do ex-presidente, diplomatas brasileiros e parlamentares como Lindbergh Farias (PT-RJ) serão ouvidos. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, autorizou todos os depoimentos. A investigação quer determinar até que ponto Jair Bolsonaro teve envolvimento direto nas articulações do filho.

A PGR trata o caso como parte de um esforço mais amplo para enfraquecer instituições brasileiras a partir de influência externa, o que pode ter implicações criminais e diplomáticas.

Inquérito e pedido de cassação

A PGR abriu inquérito contra Eduardo Bolsonaro por atacar instituições democráticas em viagens aos EUA. O deputado é acusado de difundir desinformação sobre o sistema eleitoral e pressionar o Judiciário via articulações internacionais. O PT pediu sua cassação, alegando quebra de decoro. Documentos reunidos por Lindbergh Farias sustentam a denúncia e reforçam a ofensiva jurídica.

Trump restringe entrada de cidadãos de 19 países nos EUA por questões de segurança

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova proclamação que limita a entrada de cidadãos de 19 países em território americano. A medida, que entra em vigor no próximo dia 9, estabelece o bloqueio total para 12 nações e restrições parciais para outras sete, sob a justificativa de proteger a segurança nacional.

Segundo o documento, países com falhas na verificação de identidade, alta taxa de permanência irregular e histórico de instabilidade interna motivaram as restrições. A lista foi elaborada a partir de um relatório oficial apresentado em abril por agências de inteligência e segurança.

Bloqueios completos e limitações parciais

As nações com bloqueio total são: Afeganistão, Chade, Congo, Eritreia, Guiné Equatorial, Haiti, Irã, Iêmen, Líbia, Mianmar, Somália e Sudão. Já Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela enfrentarão restrições específicas, a depender do tipo de visto solicitado.

Trump afirmou que a medida busca impedir a entrada de indivíduos que representem risco aos cidadãos e aos interesses americanos. A aplicação será restrita a quem estiver fora dos EUA na data de início da vigência.


Presidente Donald Trump proíbe a entrada de cidadãos de 12 países nos EUA. (reprodução/YouTube/@g1)

Medida prevê exceções e poderá sofrer alterações

Residentes permanentes, portadores de dupla nacionalidade (em países fora da lista) e atletas participantes de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, estão isentos. A Casa Branca sinalizou que novos países poderão ser incluídos ou removidos da lista conforme avanços ou retrocessos nos protocolos de segurança.

Ações de Trump contra imigrantes

Trump revogou centenas de vistos de estudantes internacionais em universidades dos EUA sem explicações públicas ou critérios transparentes. A decisão afetou diversos alunos.

O presidente também anunciou a criação de um programa de “autodeportação assistida”. Dinheiro e passagem aérea a imigrantes em situação irregular que aceitarem sair voluntariamente dos EUA são oferecidos através da proposta.

A Suprema Corte autorizou o governo a retirar a proteção temporária de mais de 500 mil imigrantes, principalmente da América Latina e do Caribe. Com isso, essas pessoas podem ser deportadas, mesmo estando legalmente no país desde a gestão Biden, sob status humanitário.

“Não haverá paz imediata”, diz Trump após telefonema com Putin

Nesta quarta-feira (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que conversou por telefone com Vladimir Putin sobre os ataques ucranianos contra bases russas. Em postagem na Truth Social, o presidente americano afirmou que ambos mantiveram um diálogo diplomático, mas “não uma conversa que levará à paz imediata na Ucrânia”.

Segundo Trump, a ligação durou 15 minutos e o líder russo está decidido a reagir aos ataques que destruíram pelo menos 40 aviões russos. Ainda durante a conversa, ele demonstrou preocupação com o armamento nuclear do Irã e pressionou Putin para que interceda pelo fim do enriquecimento de urânio.

O presidente Putin disse, e muito fortemente, que terá que responder ao recente ataque aos aeródromos. Também discutimos o Irã e o fato de que o tempo está se esgotando na decisão do Irã sobre armas nucleares, que deve ser tomada rapidamente! Declarei ao presidente Putin que o Irã não pode ter uma arma nuclear e, sobre isso, acredito que estávamos em acordo”, escreveu Trump em sua rede social.


Donald Trump fala sobre a conversa com Vladimir Putin (Foto: reprodução/X/@Geopoliticabra2)

Putin endurece discurso

Vladimir Putin afirmou também nesta quarta-feira (4) que a Ucrânia realizou ataques contra pontes nas regiões de Bryansk e Kursk durante o fim de semana, e classificou as ofensivas como atos de terrorismo. As explosões derrubaram as estruturas, mataram sete pessoas e deixaram 115 feridos.

Segundo ele, os ataques atingiram civis e tinham o objetivo de prejudicar as negociações de paz. O Kremlin reforçou que responderá à ofensiva ucraniana e acusou Kiev de intensificar as hostilidades. Além disso, o presidente russo afirmou que os ucranianos pediram uma reunião de cúpula entre líderes. Entretanto, questionou como esse encontro poderia ocorrer diante das atuais circunstâncias de terro


Encontro de representantes da Rússia e Ucrânia, em Istambul, Turquia (Foto: reprodução/X/@HakanFidan)

Acordo de troca de prisioneiros

Anteriormente, em reunião realizada na Turquia, as partes chegaram a um acordo para a troca de todos os prisioneiros com até 25 anos, além dos doentes e gravemente feridos. O trato também prevê a devolução dos corpos de soldados mantidos por ambos os lados.

Enquanto isso, a Rússia apresentou sua proposta de paz, que exige a anexação definitiva de 20% do território ucraniano, incluindo as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson, Zaporíjia e a Península da Crimeia ao território russo. A retirada imediata das tropas desses territórios. Além da remoção das sanções impostas à Rússia pelo Ocidente e descongelamento de ativos russos bloqueados no exterior.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a proposta como um “ultimato com condições inviáveis” e sugeriu um cessar-fogo temporário, até que se encontre uma solução definitiva para o conflito.

Lula chama de “inadmissível” crítica do governo dos EUA sobre ações de Alexandre de Moraes

Nesta terça-feira (03), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desaprovou novamente as críticas do governo dos EUA sobre as ações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. 

A afirmação se deu após o governo brasileiro receber um ofício dos EUA no dia 27 de maio, como resposta às decisões judiciais de Alexandre de Moraes, que resultaram no bloqueio de redes sociais americanas no Brasil.

“Primeiro, é inadmissível que um presidente de qualquer país do mundo dê palpite sobre a decisão da Suprema Corte de um outro país” disse o presidente.

Além disso, Lula também fez fortes críticas ao deputado Eduardo Bolsonaro, que tem se reunido com as autoridades norte-americanas para discutir possíveis sanções. Ele chama as práticas de Eduardo de “terroristas” e “anti patrióticas”.


Matéria do G1 sobre declaração do presidente Lula (Foto: reprodução/X/@g1)


O ofício enviado pelo governo dos EUA

As ações judiciais do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que resultaram no bloqueio de redes sociais americanas no Brasil, têm sido alvo de críticas e ameaças do governo norte-americano. 

No dia 27 de maio, o governo brasileiro recebeu um ofício dos EUA criticando as decisões do ministro brasileiro. Segundo o jornal norte-americano New York Times, que teve acesso ao documento, parte da carta dizia:

“O Departamento de Justiça disse ao ministro Alexandre de Moraes que ele poderia aplicar as leis no Brasil, mas que não poderia ordenar que empresas obedecessem ordens específicas nos Estados Unidos”

Enviado pelo Departamento de Justiça dos EUA, o documento tem caráter meramente informativo, segundo o Ministério da Justiça.

EUA vai a barrar autoridades estrangeiras “cúmplices de censura a americanos”

Na última quarta-feira (28), Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, anunciou a restrição de visto contra autoridades estrangeiras que são “cúmplices de censura a americanos”. 

Além disso, também na semana passada, Rubio não descartou a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes ser sancionado pelos EUA e disse que há “grande chance”. 

Em resposta, Lula afirmou que o Brasil vai defender, não só o seu ministro, mas defender a Suprema Corte”, finaliza.

Trump eleva tarifas sobre aço e alumínio para 50% e agita mercados globais

Nesta segunda-feira (2), os preços do aço e do alumínio registraram forte alta nos Estados Unidos, impulsionados pelo anúncio do ex-presidente Donald Trump sobre a elevação das tarifas de importação desses metais para 50%. A decisão, revelada na última sexta-feira (30), causou um efeito imediato nos mercados globais e intensificou as tensões da já delicada guerra comercial em curso. As novas tarifas devem entrar em vigor no dia 4 de junho, segundo o comunicado oficial.

Justificativa de Trump

A medida foi justificada por Trump como uma resposta à suposta quebra de acordo por parte da China, que, segundo ele, descumpriu promessas de reduzir barreiras comerciais e restrições à exportação de minerais essenciais. O impacto da declaração não demorou a ser sentido: enquanto os preços dos metais disparavam nos EUA, as ações de siderúrgicas internacionais, especialmente na Europa e Ásia, apresentaram quedas expressivas.


Foto de rolos de alumínio (Foto: reprodução/X/@g1)

Atualmente, os Estados Unidos são o maior importador mundial de aço fora da União Europeia, com cerca de 26,2 milhões de toneladas adquiridas ao longo de 2024, conforme dados do Departamento de Comércio. Especialistas do setor, porém, veem com ceticismo a real aplicação das tarifas nos moldes anunciados. Muitos lembram que o ex-presidente já recuou de decisões similares no passado, o que mantém o mercado em alerta e em estado de incerteza.

Possíveis consequências

Eoin Dinsmore, analista do Goldman Sachs, alertou que a alta nos preços pode agravar ainda mais o cenário da indústria norte-americana, que já sofre com uma demanda enfraquecida. Ele acredita que os custos maiores deverão pesar negativamente sobre o setor industrial, que pode se retrair ainda mais ao longo do ano.

No mercado físico norte-americano, o alumínio apresentou um salto de 54% nos preços, enquanto o aço em bobina laminada teve um aumento de 5%. A Europa, que destina aproximadamente 20% de suas exportações de aço fora da UE aos EUA, poderá ser uma das regiões mais afetadas.

Apesar da controvérsia, produtores norte-americanos de alumínio celebraram a medida. Mark Duffy, presidente da Associação de Alumínio Primário dos EUA, declarou que as tarifas são uma forma de combater décadas de concorrência desleal promovida por produtores estrangeiros subsidiados.

Já na Bolsa, as ações de empresas siderúrgicas americanas registraram ganhos significativos no pré-mercado. Nucor, Cleveland-Cliffs e Steel Dynamics avançaram entre 14% e 26%, refletindo o otimismo entre os produtores domésticos diante da nova política tarifária.

EUA alertam sobre ameaça chinesa e pedem aumento de investimentos militares na Ásia

Em sua estreia no principal fórum de segurança da Ásia, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou no sábado (31) que a China representa uma ameaça concreta e crescente. Ele pediu aos países do Indo-Pacífico que reforcem seus orçamentos de defesa diante de um cenário geopolítico cada vez mais instável.

Estreia marcada por discurso duro contra China

Durante sua primeira participação no Diálogo de Shangri-La, realizado em Singapura, Pete Hegseth adotou um tom direto e combativo ao descrever o que chamou de “ameaça real e iminente” representada pela China. Segundo ele, Pequim estaria se preparando para usar força militar com o objetivo de mudar o equilíbrio de poder na região, especialmente em relação a Taiwan.

Hegseth destacou que qualquer tentativa de invasão da ilha por parte da China traria consequências devastadoras para todo o Indo-Pacífico e para o mundo. O secretário reforçou que a proteção da região é prioridade do governo Trump e garantiu que a China não tomará Taiwan sob a atual administração americana.

Em comunicado, a embaixada da China em Singapura acusou Washington de fomentar instabilidade regional e classificou os comentários de Hegseth como provocativos. “Na verdade, os próprios EUA são o maior causador de problemas para a paz regional”, declarou a diplomacia chinesa.

O governo chinês considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para garantir a reunificação com a ilha, governada de forma independente. Taiwan, por sua vez, rejeita qualquer reivindicação de soberania por parte do governo chinês, defendendo que apenas o povo taiwanês tem o direito de decidir seu futuro.


Pete Hegseth, à esquerda, é recebido por Chan Chun Sing, à direta, em Singapura para o Diálogo de Shangri-Lá em 31 de maio de 2025 (Foto: reprodução/MOHD RASFAN/Getty Images Embed)


Aliados sob pressão para ampliar orçamento de defesa

Além das críticas à China, Hegseth cobrou um aumento nos investimentos em defesa por parte dos países aliados da Ásia. De acordo com ele, a média de 1,5% do PIB destinada a gastos militares por nações da região é insuficiente diante do cenário de ameaças crescentes, como o avanço militar chinês e alianças entre Rússia, China, Irã e Coreia do Norte.

Hegseth comparou a situação com a da Europa, onde os países membros da OTAN vêm aumentando significativamente seus orçamentos de defesa, com alguns comprometendo até 5% do PIB, especialmente após críticas e ameaças dos EUA de deixar a aliança diante da falta de cooperação. Ele afirmou que os aliados asiáticos deveriam seguir esse exemplo, especialmente porque atualmente “gastam menos em defesa diante de ameaças mais diretas”.

As declarações provocaram reações divididas. A senadora democrata Tammy Duckworth, que participa do fórum, classificou o discurso como condescendente. Já o ministro da Defesa da Holanda, Ruben Brekelmans, elogiou o reconhecimento do esforço europeu e afirmou que foi a primeira vez que ouviu esse tipo de reconhecimento vindo de Washington.

Hegseth também defendeu que os países europeus se concentrem na segurança do próprio continente, o que permitiria aos EUA redirecionar esforços para a Ásia. Enquanto Washington aproveitou o fórum para reforçar seu posicionamento estratégico, a China adotou uma postura mais discreta: o ministro da Defesa, Dong Jun, não compareceu ao evento e foi representado por uma delegação acadêmica.

FBI investiga ataque que feriu 8 pessoas durante marcha em homenagem a reféns israelenses

Neste domingo (01), o diretor do FBI, Kash Patel, declarou que a instituição está apurando um possível atentado terrorista ocorrido em Boulder, no estado do Colorado, nos Estados Unidos. Conforme informações divulgadas pela agência Reuters, um homem jogou coquetéis molotov em um grupo de pessoas que participava de uma manifestação em solidariedade aos reféns israelenses ainda mantidos em Gaza. Oito pessoas ficaram feridas durante o incidente.

Vítimas sofreram queimaduras

A polícia local informou que o suspeito, identificado como Mohamed Soliman, foi preso. De acordo com as autoridades, durante o ataque ele teria gritado “Palestina Livre”, algo que indica que se tratou de um atentado intencional e premeditado.


Suspeito é detido pela polícia durante manifestação (Vídeo: reprodução/X/Maxcardosobr)

A agência Reuters noticiou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou em nota que as vítimas foram alvo do ataque apenas por serem judeus e expressou confiança de que os Estados Unidos aplicará uma punição severa ao responsável. As vítimas, com idades entre 52 e 88 anos, sofreram queimaduras. Segundo a emissora CBS, o sistema de saúde UCHealth, que atua no Colorado, informou que duas pessoas feridas precisaram ser levadas de helicóptero para atendimento médico.

Durante uma coletiva realizada na tarde deste domingo, o chefe de polícia de Boulder declarou que por enquanto ainda não há elementos suficientes para definir o caso como um ato de terrorismo. Ele destacou que seria imprudente tirar conclusões precipitadas ou especular sobre as motivações do ocorrido neste estágio da investigação.

Testemunha relata ação de possível autor

Uma estudante de 19 anos da Universidade do Colorado, Brooke Coffman, presenciou o ataque e relatou ter visto quatro mulheres caídas ou sentadas no chão, com queimaduras nas pernas. Segundo ela, uma das vítimas parecia ter sofrido queimaduras graves em grande parte do corpo e foi coberta com uma bandeira por alguém que tentou ajudá-la.

A testemunha também contou que viu um homem, que acredita ser o autor do ataque, sem camisa e em pé no pátio, segurando uma garrafa de vidro com um líquido transparente.