Rodrigo Duterte, ex-líder das Filipinas, é preso por mortes na “guerra das drogas”

O ex-presidente das Filipinas Rodrigo Duterte, que governou o país entre 2016 e 2022, foi preso na madrugada de terça-feira (11), marcando um avanço significativo na investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre supostos crimes contra a humanidade cometidos durante sua repressão antidrogas. A campanha, que resultou na morte de milhares de pessoas, gerou condenação internacional.

Duterte, de 79 anos, foi detido no aeroporto internacional de Manila após desembarcar de um voo vindo de Hong Kong. Horas depois, ele foi transferido para Haia, na Holanda, sede do TPI.

O atual presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., afirmou que a prisão seguiu os trâmites legais e negou qualquer interferência externa:

“Estou confiante de que a prisão foi adequada, correta e seguiu todos os procedimentos legais necessários. Não ajudamos o Tribunal Penal Internacional de forma alguma. A prisão foi realizada em conformidade com a Interpol.”

Ferdinand Marcos Jr.

Duterte e a “guerra às drogas”

Durante seu governo, Duterte comandou uma campanha brutal contra o tráfico de drogas, que resultou na morte de mais de 6.000 pessoas, segundo dados oficiais. No entanto, organizações de direitos humanos apontam que o número real pode ser muito maior, considerando execuções extrajudiciais realizadas por policiais e milícias.


Protesto em Quezon após a prisão de Duterte (Foto: Reprodução/Lisa Marie David/AP)

O Human Rights Watch classificou a prisão de Duterte como um momento histórico para o país e para toda a Ásia:

“Seria um eufemismo dizer que as vítimas se sentiram extasiadas com essa prisão. Isso é algo totalmente sem precedentes na história das Filipinas e até mesmo do Sudeste Asiático”
Carlos Conde, pesquisador da Human Rights Watch

Duterte consolidou sua popularidade como prefeito de Davao, onde governou por 22 anos e implementou políticas severas contra o crime. Ele se elegeu presidente em 2016, promovendo um discurso de tolerância zero contra o tráfico de drogas e prometendo eliminar criminosos.

Seus métodos, no entanto, foram amplamente criticados. Um relatório da ONU apontou que a maioria das vítimas eram jovens pobres, e que a polícia frequentemente realizava batidas sem mandado, forçando suspeitos a se autoincriminarem sob ameaça de morte.

O Tribunal de Haia e a investigação

O TPI começou a monitorar os supostos abusos em 2016 e abriu uma investigação formal em 2021. O caso cobre crimes cometidos entre novembro de 2011 — período em que Duterte ainda era prefeito de Davao — e março de 2019, antes da saída das Filipinas do tribunal.

Aliados de Duterte contestam a legitimidade da prisão, alegando que o país se retirou do Estatuto de Roma em 2019, o que, segundo eles, invalidaria a jurisdição do TPI. No entanto, o tribunal já esclareceu que mantém sua autoridade sobre crimes cometidos antes da saída oficial das Filipinas.

Olivia Rodrigo doa lucros da sua turnê para ONGs

A cantora e compositora Olivia Rodrigo está destinando uma parte significativa dos lucros de sua turnê mundial, “GUTS”, para organizações que apoiam a saúde, igualdade e bem-estar das mulheres. A artista irá doar mais de US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 12,2 milhões). Boa parte da turnê de Olivia é focada em ações beneficentes a mulheres. 

A “Artista de Turnê do Ano”, de acordo com a Billboard

A turnê que promove o álbum GUTS, lançado em 2023, já percorreu vários lugares do mundo, sendo um sucesso de público e crítica. Hits como “vampire”, presente no segundo álbum, consolidou Olivia Rodrigo como uma das vozes mais fortes da nova geração da música pop. 


Billboard nomeou cantora como “Artista de Turnê do Ano” (Reprodução/Instagram/@oliviarodrigo)

“A Artista de Turnê do Ano pela Billboard eletrizou o mundo em sua primeira turnê em arenas, arrecadando quase 185 milhões de dólares em cerca de 100 shows e provando ser, desde já, uma das maiores estrelas do pop.”

Billboard

Fund 4 Good

A iniciativa Fund 4 Good, criada por Olivia e sua equipe, é um projeto criado para apoiar projetos voltados para educação, saúde e lutas femininas. Parte dos recursos é arrecadado por meio das vendas de ingressos e produtos oficiais da turnê. A proposta é estabelecer parcerias com organizações locais e internacionais e divulgar a ação ao redor do mundo.

Rodrigo apoia campanhas relacionadas aos direitos femininos nos Estados Unidos, defendendo o acesso à saúde e à educação sexual desde o 2022, quando saiu em turnê pela primeira vez. Ela doou metade dos fundos arrecadados durante seu show em Orlando para uma instituição que apoia direitos abortivos das mulheres LGBTQ+, racializadas e palestinas. Em seus shows, ela oferece espaços de estandes com profissionais de ONGs que promovem essas ações. 

Como descendente de Filipinos, durante a etapa asiática da turnê GUTS, Olivia visitou pessoalmente uma organização de saúde reprodutiva e educação para mulheres, doando o valor do show que fez nas Filipinas para a instituição. A artista dedicou um tempo para interagir com mulheres beneficiadas pelos programas.


Olivia Rodrigo durante show nas Filipinas (Reprodução/Instagram/@oliviarodrigo)

Com apenas 21 anos, Olivia Rodrigo se destaca, não apenas como um fenômeno na música, mas também como uma artista consciente da sua influência. O sucesso da GUTS Tour é mais um exemplo de como o entretenimento e os atos humanos andam juntos.

Deputados filipinos pedem impeachment da vice-presidente após ameaças ao presidente

Deputados filipinos procuraram, nesta segunda-feira (2), um pedido de impeachment contra a vice-presidente do país, Sara Duterte. O pedido foi feito após Duterte ameaçar de morte o presidente Ferdinand Marcos Jr. A vice-presidente também acumula outras acusações, como a falta de ação contra agressões chinesas no Mar do Sul da China.

Turbulência política

O pedido tem como base uma denúncia feita por ativistas da sociedade civil na Câmara dos Representantes, onde Duterte é acusada de violar a constituição filipina e inclui uma lista de 20 supostos crimes.

A ameaça de morte teria sido direcionada não só para o presidente, sua esposa e o presidente da Câmara dos Representantes também teriam sido ameaçados. Duterte ainda não respondeu à denúncia.


Vice-presidente das Filipinas disse ter contratado assassino em coletiva de imprensa (Foto: reprodução/X/@RFI)

Outra acusação contra a vice-presidente é a de que ela deu continuidade às execuções extrajudiciais iniciadas por seu pai, o então vice-presidente Rodrigo Duterte.

Ameaças

No dia 23 de novembro, Sara Duterte disse em uma coletiva ter contratado um assassino para matar o presidente Ferdinand Marcos Jr., sua esposa e o presidente da Câmara dos Representantes caso ela fosse assinada. Após a repercussão da fala, ela afirmou estar apenas preocupada com a própria segurança.

Acusações

As Filipinas atualmente atravessam uma forte disputa entre o presidente e sua vice. Duterte e Marcos divergem atualmente sobre as reivindicações territoriais chinesas, onde a China reclama quase todo o território do Mar do Sul da China, que também é disputado por nações como Vietnã, Malásia e Filipinas.

Duterte acusa o presidente Ferdinand Marcos Jr. e aliados de corrupção. A vice-presidente é investigada pelo Congresso pelo desvio de 612,5 milhões de pesos (US$ 10,3 milhões) em fundos de inteligência sob responsabilidade de Duterte como vice-presidente e ex-secretária de Educação, cargo que ocupava até recentemente.

As acusações e o pedido de impeachment contra Duterte ainda serão analisadas pelo Congresso das Filipinas, os deputados entraram em recesso no dia 20 de dezembro e retornam no dia 13 de janeiro.

Guarda Costeira Filipina acusa China de bloqueio marítimo para retirada de um enfermo

Nesta sexta-feira (7), a Guarda Costeira das Filipinas acusou a China de um bloqueio bárbaro nas fronteiras marítimas do país. Essa acusação se deu pela tentativa de um resgate de um membro das Forças Armadas Filipinas que se encontrava doente no Mar do Sul da China. As autoridades Filipinas chamaram o bloqueio chinês de ações “bárbaras e desumanas”.

Sobre o incidente 

O incidente ocorreu no mês passado, de acordo com as Filipinas, e um pequeno contingente de fuzileiros navais destacados estavam designados para guardar um navio filipino preso no disputado Second Thomas Shoal, um local onde aconteceram diversos confrontos com a China no último ano. 


Embarcação das Filipinas no Sul da China (Foto: reprodução/Mikhail Flores/Reuters)

Jay Tarriela, porta-voz da guarda costeira, afirmou que os barcos da Guarda Costeira e da Marinha foram assediados pelas embarcações da China, mesmo tendo informado que a operação marítima era médica. 

Tarriela fez um comunicado, afirmando o seguinte: “O comportamento bárbaro e desumano exibido pela Guarda Costeira da China não tem lugar em nossa sociedade”. 

Pronunciamento da China

Nesta sexta-feira (7), o Ministério de Relações Exteriores da China emitiu um comunicado, afirmando que as Filipinas têm a autorização para a entrega de suprimentos e retirada do pessoal, desde que Manila notifique Pequim antes de sua missão.

Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou em um pronunciamento que as Filipinas não podem usar este caso como desculpa para o transporte de materiais de construção naval para uma tentativa de ocupação permanente de Ren’ai Jiao, que é como a China se refere ao Second Thomas Shoal. 

Nesta terça-feira (4), Romeo Brawner, chefe militar das Filipinas, disse que a primeira tentativa de resgate de soldado doente fracassou após a China bloquear a província ocidental de Palawan. 

Mais uma tentativa foi feita no dia seguinte, com a ajuda da Guarda Costeira da Filipinas, e o resgate do soldado foi feito com sucesso, de acordo com Brawner. 

A China tem uma reivindicação para todo o mar do Sul de seu país, que é um canal de mais de 3 trilhões de dólares de comércio anual de navios. O país enviou centenas de embarcações da Guarda Costeira, a até 1.000 km de seu continente, para supervisionar o que diz ser seu direito.